Herança do Amor - Capítulo 1
Pov. Christian Grey
- Grey! - atendo a ligação.
Escuto o atendente do
outro lado por uns meros 3 segundos e logo o meu iPhone escorrega da mão
caindo no chão se estilhaçando por completo.
O meu coração perde a batida frenética, a respiração regular trava e os meus olhos ficam terrivelmente marejados.
O meu mundo está
desabando lentamente, a melhor parte de mim acabou de ser arrancada sem
que eu pudesse afirmar do contrário. A mulher da minha vida, a mãe dos
meus filhos, a luz dos meus dias acabou de morrer e agora não sei o que
mais fazer.
O que será de mim sem a
minha Olívia? Sem o mar azul dos seus olhos mergulhados no meu cinza
perdido? O que será do meu sorriso sem a sua jovialidade? O que será das
minhas piadas humorísticas sem a sua risada contagiante? Quem irá me
sacudir quando estiver sucumbindo em mais algum pesadelo com o meu
fodido passado? Com quem irei partilhar minhas melodias melancólicas
nessas madrugadas longas na volta do piano?
De que modo serão os
meus dias daqui para a frente sem essa mulher que é amorosa, única e
perfeita para mim? Quem irá pegar nossos filhos na escola sempre que
toma um furo na agenda lotada de casos importantes? Quem me irá esperar
para jantar em altas horas da noite em que nossos filhos já estão
dormindo? Quem irá fazer perguntas de como correu meu dia? De como andam
os negócios se fechei mais algum contrato ou se vou abrir uma nova
filial? Com quem vou abrir meu coração e desabafar? Com quem mais eu vou
dizer porra eu te amo?
Quem meu Deus? Porque me tiraram a Olívia? Porquê?
- Christian? - uma voz feminina soa atrás de mim.
Era a minha mãe e nem
olho, simplesmente baixo a cabeça e faço um esforço louco para não
demonstrar que estive chorando, porque sou homem e homem não chora.
Principalmente eu que nunca fui de demonstrações físicas, não na frente
de ninguém. Nem mesmo de Olivia em tantos anos que nos conhecemos.
- Querido? Você está bem?
Grace vem entrando no
meu quarto, escuto os seus passos breves atrás de mim. Toca com a sua
mão em meu ombro e estremeço. De novo me vejo aquele garoto que tem medo
do mundo, medo de ser tocado, medo da dor física e que chega a queimar
interiormente. Estou fodido de novo. Perdidamente fodido nessa sombra
escura e não tem como sair mais daqui.
- Fale comigo, está me deixando muito preocupada!
O desespero da minha mãe
não me faz mover um passo que seja. Permaneço imóvel como uma rocha
olhando para os meus próprios pés. Ela enterra mais as suas mãos na
volta do meu tronco e fecho os olhos deixando o meu desabafo silencioso
fluir em lágrimas copiosas.
Pouco a pouco me sinto a
desabar, mas não estou sozinho, eu tenho o amparo da minha mãe. Ela
está aqui, ela está sempre do meu lado desde o dia em que me salvou do
terrível passado.
FlashBack on
Só tenho 4 anos e
acabo de ser amparado por uns estranhos que me arrancam dos braços da
minha mãe que não acorda. Não sei porquê, é confuso e tenho frio, medo,
fome e dor. Mas não aceito que ninguém me toque, então esquivo aos
avanços que esses estranhos tentam em mim. Enrolo ao máximo no cobertor
cheio de buracos cinza e escondo ali a minha expressão, deixando somente
os olhos à vista para quem olha.
Uma mulher de
expressão jovial, olhos azuis doces, me observa com um sorriso curvo nos
lábios. De todas as pessoas essa mulher dos olhos azuis é a única que
não desiste de mim.
Ela me observa tão
calma, em silêncio e isso me perturba, porque não sei o que lhe vai no
pensamento. Será que está calculando de que modo me irá fazer mal?
Estremeço com tal ideia.
Então encolho, encolho de novo nesse lugar, me curvando sobre o meu corpo emagrecido e fraco, somente latejando dor e mais dor.
- Não te quero fazer mal pequeno! Sou a doutora Grace e só quero examinar os seus machucados, você deixa?
Pendo a nuca desconfiado e ela me dá espaço, parece disposta aceitar as minhas condições silenciosas.
- Olhe aqui tem
comida, tem roupa lavada e eu para examiná-lo se permitir, claro. - ela
volta a falar me olhando tão maternal. - Mas se não quiser, vou embora e
volto depois quando se sentir preparado... - ela levanta da cadeira
giratória preta e começa andando para a porta.
Aquilo mexeu comigo,
me sinto mexido. Essa estranha mulher chegou ao meu coração e aos poucos
começo descendo o cobertor velho de cima do meu corpo sem medo, porque
sinto cá dentro que posso confiar nela.
- fique... - a minha voz sai falha e baixa.
A médica roda a cabeça um pouco para a direita e o seu sorriso quase sumido volta a ganhando vida.
- Meu menino quem fez isso com você? - ela olha para mim.
Sinto o calor do seu
olhar sobre as minhas marcas agressivas provocadas pelo cafetão da minha
mãe. E baixo o olhar envergonhado de mim mesmo, por não ter conseguido
ficar escondido em todas as vezes que a minha mãe ordenou, porque ele
era agressivo e bebia muito. Batia nela, batia em mim de seguida.
- Não importa, vou cuidar de você e prometer que ninguém mais fará mal...
FlashBack off
Encolho entre os braços
da minha mãe ao máximo e continuo ali amparado pelo calor maternal onde
tantas vezes me abriguei em criança. Choro sem conseguir parar, ela
canta baixo para mim e sinto meu corpo fraquejar lentamente. Mas volta e
meia a minha cabeça só pensa em Olivia, Olivia e Olivia.
- Mãe promete que não me abandona... - a minha voz sai tão baixa.
- Oh filho eu nunca
cogitei abandoná-lo. Que ideia é essa? - ela me liberta ligeiramente dos
braços.
Olha em meus olhos ao apoderar suas mãos delicadas no meu
rosto. - O que aconteceu Christian? Eu não lembro de vê-lo nesse estado
tem anos!
Os seus olhos pidões
ficam oscilando enquanto me encara. A resposta está tão na ponta da
minha língua, mas as palavras não saem como quero.
- Aconteceu alguma coisa grave com Olivia? É isso?
Uma lágrima rola pelo
lado direito do meu rosto e assinto positivo em confirmação a essa dor.
De fato não é mentira que aconteceu sim alguma coisa com a minha mulher.
Pois eu perdi o amor da minha vida.
Perdi não, roubaram de mim.
Deus roubou.
- Oh meu deus! - ela
sussurra baixo enterrando minha cabeça no seu peito e me aperta forte. -
Eu estou aqui e não vou deixá-lo sozinho, filho! Vou cuidar de você e
dos seus filhos Theodore e April.
Nesse momento em que a
minha mãe faz referência ao nome dos meus filhos o meu coração congela
um pouco mais. Apesar da perda, Olivia me deixou dois grandes tesouros.
E eu amo imenso os meus
filhos, só que não consigo olhar nos olhos delicados e doces de April
que são autenticas safiras ou olhar no cinza penetrante de Theodore que é
astuto e percebe tudo o que nos rodeia sendo que tem um desenvolvimento
anormal para a idade que tem.
- Como eu vou falar para os meus filhos que a mãe morreu?
Grace afasta a minha cabeça de novo e vem encarando os olhos meus olhos ardentes de lágrimas que rolam sem controle.
- Oh filho... - a voz
dela sai vacilante. - você irá falar que a mãe foi para um lugar muito
especial. Que vai viajar por tempo indeterminado...
- Não consigo! - nego
batendo as mãos na cabeça ao afastar abruptamente da companhia da minha
mãe. - Não consigo encarar os olhos inocentes deles e mentir!
- Isso não é mentir,
filho... - ela pousa a mão no meu ombro e permaneço de costas. - Eles
não tem idade suficiente para compreender que a mãe partiu.
Baixo a cabeça, esfrego
as têmporas e fecho os olhos ao me agachar de joelhos no chão do meu
quarto. Só me vem imagens de Olivia ao pensamento. Imagens de uma mulher
feliz em uma das muitas viagens que fizemos pela Europa.
- É impossível! Não tem como eu disfarçar que não mudou! Tudo mudou, mãe! - bato os punhos no chão e choro sem parar.
O meu peito já dói, é
uma dor muito forte, mas que ninguém tem a arma suficiente para curar. É
a dor do coração partido e só me apetece morrer.
- Você está de luto!
Gostaram desse primeiro capítulo?
O que tem a dizer desse Christian Grey abalado pela recente perda?
E dessa mãe que o ampara?
Comentem minha gente, tenho todo o gosto em conhecer vossa opinião e dou as boas vindas desde já. :)
Comentem ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.
O que tem a dizer desse Christian Grey abalado pela recente perda?
E dessa mãe que o ampara?
Comentem minha gente, tenho todo o gosto em conhecer vossa opinião e dou as boas vindas desde já. :)
Comentem ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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