Herança do Amor - Capítulo 2

Pov. Anastacia Steele

Bem vinda a Seattle leio a placa na entrada da cidade e respiro fundo. Só espero que tenha feito todos esses quilómetros para ter mais sorte nesse lado do pais. Estou cansada de procurar emprego em todos os lugares e levar um não silencioso como resposta. A herança do pai está terminando e a única coisa que me resta de grande valor é o Alfa Romeo Giulietta que ganhei de presente no aniversário de 23 anos.

Uma meia hora antes de chegar no endereço que Kate me enviou via SMS, encosto para esticar um pouco as pernas e saio de dentro do carro. Uns casais passam por mim me olhando de alto a baixo e estreito o olhar os encarando, pois não sei o que vêem em mim de tão especial para ser alvo de tanta atenção.

Encolho os ombros e aproveito para ir até ao moço que vende uns jornais da ordem do dia e pego uns trocados do bolsos dos jeans surrados e para pagar um jornal. Sento dentro do carro e começo a ler as noticias e minha expressão é munida por horror ao ver que havia ocorrido um brutal acidente.

- Coitada... - murmuro olhando as imagens do estado de como ficou o carro. - Está perigoso andar na estrada... - coço a região anterior da orelha.

Uns momentos a essa distracção o meu celular começa vibrando no banco traseiro e fecho o jornal olhando por cima do ombro e o tiro para verificar. É Kate ligando, então atendo, antes que a minha amiga desista.

- Alô Kavanagh! - cumprimento com a nossa formalidade dos tempos da faculdade.
 - E ai Steele, perdida? - pergunta em tom de brincadeira.

A minha melhor amiga adora debochar da minha lentidão.

- Por acaso não, estou dando uma pausa para comer um kitkat, é servida?

- Está brincando, não é? Eu aqui toda aprontada esperando você e a madama parada sabes-se lá onde comendo? É isso mesmo? - reviro os olhos rindo em silêncio. - Há Steele dê o turbo nessa droga, vá lá!

Kate deve estar achando que ainda tenho o meu velho Wanda. Oh saudades desse clássico, mas José a matou ao estoirá-lo em uma noite acidentalmente grave. Merda digo para mim mesma ficando já com os olhos marejados, porque por vezes não consigo ficar em silêncio? Tinha logo de lembrar disso agora?

- Hello? - Kate chama do outro lado. - Steele online?

- Estou aqui, tenho que desligar, vou indo! 20 minutos e estou ai!

- Então está perto! - ela fala com entusiasmo e reviro os olhos.

Desligando a ligação coloco o celular no banco do pendura, jornal e rodo a chave na ignição pronta a partir em continuação a minha viagem para a nova vida.

~*~

Chegando no apartamento da minha melhor amiga, a primeira coisa que faço é me jogar no sofá e enterro a cabeça no travesseiro decorativo verdade água. Kate logo vem dando uns tapas na minha bunda para eu despertar e olho para ela com uns olhos meio sonolentos. Havia ficado algum tempo na estrada e agora me sinto um zombie sem horas de sono e ainda por cima daqui a umas horas começa ficando noite.

- Não vai dormir agora, não é? - ela está com as mãos no quadril me encarando de sobrancelha depilada arqueada.

- Estou cansada, morrendo de sono, pode ser?

- É sábado, minha folga! - ela dá outro tapa na minha bunda e desisto, ela não vai facilitar. - 
Podíamos ir pegar umas compras, você está precisando de tomar um ar e depois a gente pode olhar as lojas e ver se não tem nenhuma pedindo empregada.
Pendo a nuca para o lado a encarando de frente agora que estou sentada, porque dormir está impossível. Ela não vai desistir de tagarelar no meu ouvido.

- Você acha que eu seria uma boa atendente de loja? - pergunto.

Kate começa me observando de alto a baixo enquanto forma um bico nos lábios. Isso começa me deixando nervosa e olho para mim mesma. Terei eu alguma coisa errado? Será esse o motivo pelo qual as pessoas me olham esquisito?

- Você está precisando de ir num salão de beleza, seu cabelo está seco! - pego numas mechas do cabelo e olho as pontas espigadas e entorto os cantos da boca. - Essa camisa está gasta, e as calças gente isso tem quantos anos?

De fato tem algum tempo que esqueci de cuidar de mim, mas é tanta coisa acontecer nessa última temporada da minha vida, que me sinto incapaz de amar a mim mesma.

- Kate não tenho dinheiro para andar a torrar em shopping! - aviso. - E o pouco que tenho da herança do papai é para as despesas até que arrume um emprego. - suspiro pesado odiando viver contando os trocos.

- Eu posso ajudá-la, amiga! - ela se oferece prestável. - Além disso eu posso falar com o gerente da lanchonete, quem sabe ele precise de alguma empregada nova, não?

Os meus olhos brilham com expectativa de pelo menos ter algum emprego até conseguir encontrar alguma coisa na área de formação. Até porque não estudei para ficar no atendimento toda a vida.

- De qualquer das formas vou continuar enviando curriculos!

- Ótimo, então vamos? - os olhos dela brilham e levanto num pulo do sofá deixando para depois as malas para desfazer. - Você vai adorar Seattle e esquecer o que aconteceu, sim? Você tem que superar, Steele!

Saio atrás de Kate e pegamos o elevador que por acaso estava nos esperando. Durante esse período em que descemos até ao estacionamento me pego pensando novamente em tudo o que aconteceu nos últimos 3 meses e cada vez mais acho que fica difícil superar a perda de um noivo não é coisa simples. Não é como superar a perda de um animal de estimação ou um objeto muito querido. É algo muito forte e dói demais lembrar.

FlashBack on

Blake é a minha vizinha do primeiro andar e é quem muitas vezes me faz companhia quando josé fica trabalhando na fábrica até tarde, porque está fazendo hora extra para poder pagar as despesas do casamento que é dentro de duas semanas.

Ainda não acredito que vou casar, mas é um fato de que já temos tudo pronto, só falta realizar as últimas provas do vestido e o grande dia nos espera.

- Ai amiga você está linda! Tão feliz... esse sorriso no seu rosto iluminado, também quero ser como você! - ela passa as mãos nos meus cabelos ao nos observar no reflexo do espelho.

- Você vai arrumar um cara te que ama tanto quanto o José me ama, viu? Você é linda e maravilhosa, e o que o Ryanold fez com você não foi de homem!

O ex-namorado da minha amiga a havia abandonado ao saber que Blake havia engravidado. Óbvio que Ryanald queria que ela tirasse o bebé, mas ela não o fez e agora está de barrigão de uma menina.

- Eu sei, mas continua sendo o pai da minha Amber! - ela passa a mão na barriga saliente.

- Com licença é chamada para a senhorita Steele! - olho para Blake que encolhe os ombros.

Uma moça me entrega o aparelho e vejo que o número ligando é restrito e atendo. Uma voz masculina no outro lado da linha começa falando comigo e só sei que quando o nome de José é proferido o meu coração é tomado por um aperto profundo. É como se alguém estivesse enfiando uma facada ali lentamente, me deixando em uma profunda agonia.

Os meus olhos arregalam ligeiramente, a minha respiração para e o telefone escorrega por entre os dedos caindo no meu colo. Blake fica em pânico me vendo sem reação e toda a voz que começa falando ao meu redor é como se estivesse longe de mim. Eu me sinto dentro de um bolha gigante.

Começo a libertar lágrimas compulsivas e sem controle. O amor da minha vida estava morto, o homem com quem ia casar dentro de duas semanas, morto. O homem que amo e que me vejo nesse momento fazendo a prova do vestido morto. José morto.

Não, me digam por favor que é mentira! É mentira por favor, digam ou eu vou morrer de desgosto.

- Ana! Ana! Ana! - chamam, balançam o meu ombro, mas estou num absoluto transe. - Alguém que chame ajuda ela não está reagindo. - abro e fecho os olhos e só choro. - Ana por amor de deus fale comigo!

José porquê? pergunto mentalmente apertando os punhos ao máximo e chorar mais ainda. O meu peito está com uma ferida enorme, o meu amor morto. Não, eu não mereço tanta crueldade na minha vida. Eu não, por favor. Me belisquem, ou me deixem morrer, porque não quero viver sem ele. Não quero, já perdi gente demais na vida.

Estou sozinha, não quero por favor. Me ajudem. Me sinto caindo num abismo sem fim.

FlashBack off

- Hello? - balançam o meu ombro e saio de um transe de memórias e nem havia dado conta de que já havíamos chegado no shopping. - Terra chama Anastacia! - reviro os olhos e começo olhando tudo em meu redor.

Lojas e mais lojas cheias de rodopios de mulheres cheias de sacolas de marcas finas. Olho para o lado e Kate simplesmente rompe entrando numa loja igual furacão. Vou correndo atrás para ver onde ela vai. Mas ela logo surgue na minha frente com um vestido azul na mão.

- Para você? Acho que verde é mais sua cara, sabe? - faço uma careta prendendo umas mechas atrás da orelha.

- Boba é para você, estou fazendo compras para a minha melhor amiga ou acha que vai arrumar emprego com essas roupas gastas? E já sei o que vai falar, mas aviso é um empréstico, ok? Depois quando arrumar trabalho você paga, sim?

Abro a boca para falar, mas desisto mais cedo que o previsto e aceito mesmo relutante. Kate tem razão, eu preciso de cuidar da imagem ou assim nem como empregada da limpeza arrumo trabalho.

- Depois vamos no salão de beleza, aqui em baixo, okay?

Ela me empurra para o provador e leva uma pilha de roupas para eu experimentar e começo a passagem de modelos para a minha melhor amiga. Ela faz gestos positivos para as roupas que gosta de me ver, e negativos às que não gosta. Conclusão acabo por trazer quase todas as peças.

- Não esquece de guardar os talões, ok? - aviso ao pegar os sacos assim que ela faz o pagamento.
- Tranquilo Steele! - fala na maior das descontracções ao dirigir para a escada rolante ao sairmos da loja.

Eu tremo de medo andar nessa coisa, é isso e elevador, por isso amo usar escadas, pelo menos não travam se a luz falhar. Tenho uma tremenda fobia a espaços fechados.

No salão de beleza, um moço muito simpático e meio gay me manda sentar na cadeira de frente ao espelho e começa a observar meu rosto no reflexo enquanto mexe os cabelos suavemente. Kate começa dando umas instruções e ele assente opinando. Eu realmente me sinto uma boneca nas mãos deles, mas minha amiga só está tentando melhor a minha baixa auto-estima. E eu que era uma garota tão feliz a 3 meses, mas a morte do meu noivo me destruiu completamente.

- Pode deixar senhorita Kavanagh, sua amiga vai ficar um show de mulher! - rio entre dentes com essa observação.

Uns momentos depois de lavagem, corte e secagem o resultado é posto à prova e a minha boca quase que vai ao chão de tão linda a imagem que vejo no espelho. Nem me reconheço inicialmente, pois praticamente me sinto logo uma outra mulher. A verdadeira Anastacia Steele que estava adormecida num casulo.

- Então gostou? - Kate pergunta de mãos sobre os lábios admirando uma obra prima. - Amei essa franja, muito perfeita! Ai Franco você tem que fazer um negócio desses em mim um dia desses... que acha?

- Se não fosse gay, eu casava com você, amor! - diz Franco todo risonho para mim e depois se vira para Kate a examinando. - É só marcar, Kavanagh!

- Adorei, estou tão... - faltam as palavras, mas a minha amiga interrompe.

- Outra pessoa, essa sim é a minha amiga que ficou lá em New York! A maravilhosa Anastacia Steele! - e levanto para abraçá-la forte. 


Gostaram?
O que acharam dessa Anastacia?
Complicado o passado dela, não?
Comentem dando vossa opinião, sim? Quero saber o que estão achando e mesmo aqueles que gostam de ficar em silêncio sendo fantasmas, peço digam nem que seja um oi eu gostou ou não, sim? Ficarei honrada em receber todos aqui com maior carinho. :)
COMENTEM ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy. 

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