Herança do Amor - Capítulo 10
Pov. Anastacia Steele
O meu primeiro dia de
trabalho até estava indo lindamente. É certo que ainda não havia tido
oportunidade para manter maior vínculo com as crianças, por simplesmente
já terem saído para o colégio cedo quando cheguei.
Como não tinha nada para
fazer e não nasci para ser madama em deitar igual lontra nesse sofá
gracioso diante meus lindos olhos, decidi fazer companhia para Gail e
oferecer uma mãozinha com algumas tarefas domésticas e assim conhecer
melhor esse apartamento. Enquanto ela ficava cuidando da roupa na
lavandaria, fui até ao primeiro andar cuidar dos quartos e não consegui
não rir com o detalhes que os diferenciam tanto um do outro.
Bom o quarto de Theodore
é todo organizado, diria que ele próprio sabe arrumá-lo ao seu jeito,
já o de April é uma verdadeira bagunça de bonecas pelo chão, ursos de
pelúcia sobre a cama e roupas espalhadas nos pequenos puff's pink, ao
qual dá impressão de que a bagunça começa bem cedo ao acordar.
— Se alguma vez
necessitar de dormir cá, esse será o seu quarto, Anastacia! - informa
ela com um sorriso breve nos lábios finos, olhar azul meigo.
A outra porta no fundo
do corredor estava trancada e nem mesmo Gail me soube dizer o que
continha no interior, nem o motivo de estar assim, somente encolheu os
ombros e descemos para o andar inferior. Foi ai que conheci o quarto de suite master de Christian Grey, o meu chefe e fiquei visivelmente
absorta encarando a tela gigante que existia sobre a cama. Um casal
feliz se abraçando em um dia de final de tarde à beira mar. Até as
lágrimas me vieram aos olhos sem compromisso.
Com isso tudo são agora
12:30, a chegada hora de almoço. Novamente me ofereço para fazer alguma
coisa, mas Gail ordena para que sente e observe, porque na cozinha quem
manda é ela. Juro que ri com essa sua faceta e desde logo comecei
gostando dessa mulher tão afectuosa. Ela realmente é encantadora e seria
uma ótima candidata a parceira para o meu pai se Deus não o tivesse
levado de mim tão cedo, pois iria gostar de tê-la como minha mãe.
Quando terminou a
confecção do almoço, sentou e começamos uma troca de ideias. Foi somente
nesse momento que ela começou contando a história da mãe das crianças e
o que havia acontecido com Olivia. Confesso que fiquei bem
impressionada e com os olhos rasos d'água ao imaginar aqueles dois seres
adoráveis sofrendo tanto e tão novos. Quando a própria infância deve
ser vivida de felicidade e inocência, não de dor e perda.
— Muito triste isso... - sussurro num fio de voz ao levar o copo de suco aos lábios e tomar um golinho simples.
— Não imagina o quanto,
Anastacia! Tem sido dias de um verdadeiro inferno. - Gail suspira pesado
ao se servir com uma porção de comida e eu pouso o copo. - O senhor
Grey tem sofrido demais com a falta da esposa. Julguei que ele nunca
mais ia se restabelecer e sair dessa casa para ir trabalhar. Ele se
fechou para o mundo, sabe? Isolou até dos próprios filhos e começou a se
perder no álcool dia após dia. - desço os olhos ao meu prato e mexo o
garfo brincando com a comida. - Agora o problema não é o álcool, são as
noites que vira gritando com terríveis pesadelos ou simplesmente a
quebrar tudo dentro do quarto. - sinto um nó no meu peito ao imaginá-lo
desolado e quebrado por dentro. - Ele já tinha pesadelos antes, mas a
morte da doutora Olivia intensificou tudo e depois nem Taylor, nem eu
sabemos como agir nessas situações.
— Como assim? Quem é Taylor? - arqueio ambas as sobrancelhas largando o garfo.
É certo que me falaram
uma vez que devemos tomar cuidado com o modo de como acordamos uma
pessoa que está sucumbindo em um pesadelo, para não criar traumas
futuros.
— Taylor é o segurança
pessoal da família e motorista! - diz ela. - O senhor Grey não gosta de
ser tocado em certos pontos do seu corpo. - esclarece ela. A minha boca
curva um pouco em espanto. - Com os filhos é diferente, ele acabou por
criar uma barreira e o toque deles não o "machuca".
Meu Deus então aquele homem também tem um passado traumático quanto o meu? Coitado, ele não merece isso. A vida é mesmo cruel.
— Mas porquê? - atrevo a perguntar.
Não sei porque isso está
me interessando tanto, mas sempre que relembro o olhar cinza triste e
perdido, mexe comigo. Já para não falar que o seu beijo inesperado, o
toque das suas mãos em meu rosto que criou uma sensação estranha e
forte, como já não sentia a muito tempo. Uma espécie de um click de que a
minha felicidade está mais perto do que imagino.
— O senhor Grey... - mas
trava quando as portas atrás de nós abrem, olho por cima do ombro
discreta e vejo um homem de terno escuro. - Taylor precisa de alguma
coisa?
— Vim só pegar uma pasta para o senhor Grey no escritório! - diz ele andando de expressão fechada pela sala.
Termino a minha refeição
de imediato e logo que aquele homem volta atravessando a sala, sai em
silêncio parecendo até sério demais e pergunto para Gail se ele é sempre
assim ou se é por sentir a presença de estranhos aqui. Ela explica que
Taylor é um militar reservado, não é dado a demonstrações.
~*~
Estou tentando ler um
livro com o título de "Orgulho e Preconceito" quando chegando as 16:45,
as portas do elevador se abrem e de lá saem duas crianças sendo
seguidas por Taylor, o homem sem emoção.
Theodore vem carregando a
mochila negra do batman nos ombros e me cumprimenta educado, já April
larga a mochila da Frozen no meio do chão e corre para mim com os seus
olhinhos azuis a brilhar intensamente ao qual abro os meus braços para a
receber com todo o carinho.
— Olhem só quem chegou,
se não são os meus amores! - Gail aparece na ombreira da porta da
cozinha com um pano laranja entre mãos. - Quem quer bolo de chocolate?
April se solta dos meus
braços rapidamente para começar a dar pulinhos alegres em cima do sofá.
Eu bem tento impedi-la de o fazer, pois sei que é incorrecto, mas a
menina continua ainda assim uma verdadeira rebelde em tamanho miniatura.
Acho que estou reconhecendo alguém nela agora que a olho com atenção.
— EU! EU! EU! - grita ela parecendo mesmo a delirar.
Mas levo atenção ao pequeno Theodore calado demais ali sentado no degrau da escada e cabeça baixa.
— E você Theodore, não quer uma fatia de bolo? - pergunto na tentativa de receber um pouco da sua atenção.
Ele ergue o olhar cinza
para mim e parece que faz um esforço absurdo para não chorar, mas
levanta por impulso de onde está, pega a mochila e responde:
— Não tenho fome... - e começa subindo as escadas muito apressado para o andar superior.
Olho para Gail e ela
encolhe os ombros não sabendo realmente o que se passa e descendo o
olhar a April ela já está ao meu lado puxando pela minha mão.
— Vem... vem... ele não quer... ele é que fica a perder. - diz ela me arrastando para a cozinha.
— Não, não... - travo
entre a cozinha e a sala a olhando muito séria, mas na verdade estar com
uma vontade louca de rir, porque o seu rostinho toma um ar de medo
inocente que cresce uma vontade cá dentro de mim em largar beijinhos em
suas bochechas fofas e apertá-las por serem bem mordíveis. - Primeiro é
preciso lavar as mãozinhas. - ela faz um beicinho e ergo os olhos a
Gail. - Gail não deixa você comer se não as lavar!
April larga a minha mão correndo para as escadas e levo as mãos aos quadris piscando um olho para Gail.
— Não corre assim, você pode cair e se machucar, princesa! - aviso sendo cuidadosa.
Então acabo subindo
igualmente as escadas e vou saber como está Theodore, pois o achei
demasiado triste e isso me preocupa, porque quero esses dois felizes,
por mais que a vida não queira sorrir tanto para eles.
Aproximo da porta do
quarto, está fechada. Dou dois toques muito suavemente e ela se abre.
Vejo aquele par de olhos cinza e vou entrando. Ele pula para cima da
cama e se encolhe lá junto ao travesseiro decorativo do batman. Encosto a
porta e vou calmamente para a beira da sua cama, sento e o olho com
ternura.
— O que aconteceu, posso ajudá-lo? - questiono não querendo ser invasiva demais, mas no fundo só com a boa intenção de o ajudar.
— Briguei com uma menina
no colégio. - responde ele de olhar baixo, mexendo as próprias mãos. -
Ela falou que não tenho mãe, porque mataram ela e eu respondi que o pai
dela a abandonou porque não queria mais saber dela.
A minha expressão muda
um pouco, pois percebo que o assunto é delicado e precisa de ser
abordado de um modo cuidadoso onde as minhas palavras não possam causar
uma ferida aberta.
— Isso não é verdade... O
papai do céu é que veio pegá-la mais cedo. - tento explicar de um jeito
mais especial. - E você não devia ter falado isso assim para a menina.
Pode ter machucado muito ela e quer saber? Eu também já não tenho pai e
nem conheci minha mãe e nem por isso deixei de ser uma menina feliz.
— Sério? Eles foram
embora com o papai do céu? - assinto que sim com a cabeça, tendo os
olhos marejados. - Então eles estão junto com a minha mamãe lá em cima.
— Sim, eles estão... -
concordo. - E você deve pedir desculpas a essa menina, viu? Pois por
mais que o pai dela a tenha abandonado seja lá pelo motivo que for, você
não deve falar isso para ela, porque dói demais. - tento chamá-lo à
razão para abordagem de determinados assuntos delicados. - Promete
que
pede desculpa para ela e que fazem as pazes?
Ele assente positivo com
a cabeça e gatinha de joelhos em cima da cama para vir me abraçar com
ternura ao qual o aperto em meus braços com muito carinho, afagando as
minhas mãos sobre as suas costas e cabelos.
— Eu prometo e... -
afasta para me olhar direto nos olhos. - E ontem a tia Mia explicou para
mim que você não é a minha mamãe, que é só parecida... só que sinto que
você é melhor que ela, porque se preocupa comigo, a mamãe apesar de
gostar muito dela, nunca passava muito tempo com a gente... - pendo a
nuca encarando os seus olhos e embebida passo as mãos sobre os seus
cabelos acobreados iguais ao do pai. - é mais amorosa, presente, gosto
disso em você. Nunca vai embora, não? - e enterra mais a cabeça no meu
peito de forma inesperada que o aperto o protegendo em meus braços.
— Nunca, nunca, nunca... - sussurro com os lábios tocando os cabelos e de olhos fechados.
A porta se abre
inesperadamente e um par de olhos azuis e aparece dando as caras.
Theodore ergue a cabeça. Ambos ficamos encarando a menina de nariz
empinado, mãos no quadril, pé a bater no chão freneticamente como
se estivesse tocando um compasso de uma música.
— Vocês não vem comer bolo comigo?
Um biquinho se forma nos
lábios delineados de April a deixando ainda mais adorável e mordível.
Visto que as suas bochechas começam a ficar coradas e dá uma vontade
louca de ir até ela e arrancar muitas gargalhadas sonoras.
— Acho que sua irmã está com ciúme da gente, olhe só como ela nos encara! - segredo para Theodore que me olha cúmplice rindo.
— Estão falando o quê? - questiona passando uma mecha para de trás da orelha tentando escutar melhor.
— Eu disse alguma coisa?
- olho para Theodore que nega com a cabeça. - Nada, vê? - mostro um
olhar inocente para April que se dá por convencida. - Hum... vem cá
pequena! - a chamo e ela corre para a cama ao qual pula se juntando a
nós dois e nos abraça apertado. - Oh princesa que gostoso esse
abraçinho.
~*~
— Papai! - April desvia
caminho largando a minha mão assim que as portas do elevador se abrem e
revelam Christian entrando. Ele Agacha para receber a filha em seus
braços. - A Gail fez bolo de chocolate, o senhor come com a gente? Diga
que sim, por favor? - pede ela e olho para Theodore sorrindo.
Christian me ergue o olhar que acabo retribuindo de mãos pousadas sobre os ombros de Theodore.
— Está bom, o papai
come, mas primeiro tem que tomar um banho! - ela começa dando pulos
alegres e deixa um beijo estalado na bochecha dele vindo a correndo de
volta para mim. - April o que falei sobre correr no apartamento? - ele
bem tenta repreendê-la, mas a garotinha decide se esconder nas minhas
pernas como se eu fosse o seu anjo da guarda.
— Vamos para a cozinha, então! - incito dando umas palmadinhas leves nas costas dos pequenos.
Gostaram?
O que tem a dizer desse primeiro dia de Anastacia na casa dos Grey?
Dessa comunicação com os mais pequenos?
COMENTEM ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.
O que tem a dizer desse primeiro dia de Anastacia na casa dos Grey?
Dessa comunicação com os mais pequenos?
COMENTEM ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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