Herança do Amor - Capítulo 13

Pov. Christian Grey

Mal cheguei de Marselha e hoje já estou sendo entupido com Ross de novo a a tocar no assunto da modelo. Ela não cansa de ficar horas a fio tentando me convencer a aceitar de fato as ideias de Anaísa para a mudança de padrões da nova campanha da GEH, só que de novo voltei a me irritar, porque não tinha nenhuma modelo em vista que pudesse preencher esses requisitos e depois sempre usei mulher loira como imagem de marca, que não intendo qual a insistência em trocar agora, se me encontro satisfeito do jeito que tudo se mantém.

— Dê uma chance, a pobre moça está fazendo um esforço para agradá-lo! Você é que está complicando tudo, não é? E vejamos que já lá vai 1 mês que a garota está tentando argumentar para conseguir um parecer positivo... - rodo na cadeira uma rota de 90 graus e fico de fronte para a minha vice. - Pense nisso e se quiser, posso convocar algumas agências de modelos e fazer uma pré-selecção para deixar a decisão final com você.
Mordo o canto do lábio pensativo e rodo de novo a cadeira para o outro lado e olho pela costas de Ross.

— Vocês adoram ignorar o meu NÃO! Porque quando falo que não estou interessado é porque, é não. - repito passando as mãos nos cabelos acobreados.

— Adoro desafiar, principalmente o meu superior e se me permite falar, você é que não sabe aceitar que está perdendo. - anuncia ao debruçar sobre a minha mesa me encarando com os seus olhos chocolate. - Então uma vez na vida dobre e amanhã conversamos de novo, porque vou já cuidar de tudo e dessa vez não tem mudança de planos, chega de esperar.

— Ross! - repreendo, mas em vão porque ela me ignora.

~*~

Depois da última reunião pego na minha pasta, visto o paletó e saio em direcção ao elevador ao qual cruzo com Leila que deixa dois beijos na minha bochecha em cumprimento. É certo que tem um tempo que não a vejo. Bom na verdade não a vejo desde do funeral de Olivia e sinto pena, pois a gente se dava muito bem, apesar de continuar sendo amigo. Só que parece que a morte de alguém nos afasta dos nossos amigos. E é errado, porque só nos devia unir. Mas esse sou eu, o Christian Grey que afastou o mundo inteiro para se trancar na bolha solitária.

— Então já de saída? - questiona ela sorrindo com uns lábios pintados com tonalidade sangue.

— Por acaso sim, compromisso de honra com os meus filhos. - informo afrouxando a gravata cinza giz. - Aliás você é que podia aparecer um dia desses lá no escala, leve a Angel, aposto que os miúdos vão adorar a visita! E cá entre nós, os cozinhados da Gail são de rir e chorar por mais.

Leila junta ambas as pernas ao sair para fora do elevador e fico travando as portas com o pé esquerdo. Ela junta ambas as mãos sobre a base do quadril me olhando com os seus cílios claros, sorriso bambaleando nos lábios. Acho que essa mulher é daquelas que não tem problema com idade, porque o tempo passa, mas continua jovem igual ao tempo do colegial.

— Nem fala nos cozinhados da Gail que engordo só de pensar... - gargalho divertido. - Mas acho que a minha filhota vai adorar ir na casa do tio Grey! - rimos os dois com o apelido do qual fui batizado pela pequena. - Bom o dever chama por mim no departamento jurídico, mas mande beijos aos pequenos. - assinto com a cabeça e deixo de bloquear as portas as deixando simplesmente fechar.

Descendo fico de mãos sobrepostas nas laterais das barras de segurança da cabine, olhar concentrado nos números da tela lateral. Saio no térreo e vejo Taylor desencostar da parede assim que me encontra.

— Senhor Grey! - cumprimenta passando a caminhar na frente.

— Taylor! - cumprimento de volta.

Passando as portas giratórias sigo para o audi parado na frente e Taylor mantém a porta aberta para que me instale devidamente. Enquanto ele dá a volta ao carro para entrar no seu lugar de motorista, pego o iPhone do bolso interno do paletó e começo dando uma olhada nas chamadas perdidas e sorrio de canto ao perceber que a minha mãe passara grande parte do tempo me ligando. Decido acalmar o coração da doutora Grace Grey por um momento ligando de volta. Ela logo atende ao fim de uns 5 toques.

— Filho estava achando que tinha imigrado para Marte! - reviro os olhos com o exagero dela. - Mas como está? Os meus netos? Mia me contou por alto que conseguiu uma babá, mas confesso que com todos esses turnos ainda nem deu oportunidade de ir conhecê-la. E você nunca mais voltou lá em casa... já tem quase 2 meses querido.

— Nossa o seu sarcasmo está ótimo, mãe! - gracejo rindo baixo. - Agora que pergunta estou muito bem e os seus netos estão ótimos, não se preocupe dona Grace. - tranquilizo passando a língua nos cantos dos lábios quase secos. - Essa minha irmã é muito fofoqueira! - suspiro.

— Não fale assim da sua irmã, querido! - repreende. - Mas devemos combinar um almoço no sábado, vocês viriam todos juntos, incluindo a babá.

Rolo os olhos os dirgindo em vários sentidos não entendendo qual a cisma da minha mãe em querer tanto conhecer a babá dos meus filhos. Será que Mia contou alguma coisa? O jeito de saber é questionando.

— Qual o súbito interesse?

— Como assim súbito interesse, Christian? Sou sua mãe, preocupo com vocês todos e desejo conhecer a mulher que está sendo um pilar equilibrado para os meus netos a nível emocional, pois você sabe perfeitamente o quanto a figura feminina numa família faz a diferença. - argumenta Grace.

— Por acaso está insinuando que seu filho é desequilibrado? - demonstro desapontamento.

— Oh querido, não é nada disso! - tenta se corrigir. - E não enrola sua pobre mãe que está atarefada de trabalho nesse hospital, então sábado conto com vocês para o almoço familiar! Não fale, e nem ouse vir com conversa de que está cansado que precisa dormir, não vou aceitar desfeita!

— Tudo bem senhora Grey, você venceu!

— Não me chama assim, sabe que fico logo sentindo pele de galinha com o peso da idade! - repreende rindo no outro lado da linha.

— Você não estava cheia de trabalho, não? - pergunto só para me livrar da tagarela da minha mãe. - Então adeus, mãe!

— Adeus, filho!

Desligo a ligação e quando olho para o lado o carro já se encontra parado. Abro a porta guardando o iPhone no bolso e em passo assertivo vou entrando no edifício sempre seguido por Taylor em maior descrição.

Parando na cobertura, as portas do elevador se abrem e vou entrando no hall achando tudo demasiado silencioso. Olho para Taylor desconfiado e ele encolhe os ombros não sabendo explicar o motivo desse silêncio. Olho para o interior da cozinha e Gail termina os últimos temperos do guisado que já cheira deliciosamente.

Satisfeito sigo para o meu quarto, pois a primeira coisa que gosto de fazer sempre que chego em casa é despir essa pele de CEO e ser o casual Christian Grey. Vou para o banho depois de tirar essa roupa e refresco o corpo tenso. Saindo enrolo na toalha turca e vou para o closet trocar de roupa. De novo para vestir um pólo hoje branco, uma calça moletom cinza e uns tenis igualmente brancos.

Sacudindo os cabelos lembro das ideias de Anaisa para a GEH e sinceramente não consigo ver uma imagem diferenciada da original, a menos que usasse alguém capaz de deixar a imagem imaculada, mas no fundo modernizada, porque foge ao padrão base.

Mas quem vou usar como modelo?

Sigo para a sala pensativo e logo sou atropelado pela minha filha que me derruba contra a parede e quando lanço um olhar Anastacia e Theodore riem divertidos. April mostra os seus dentinhos muito sapeca e agacho à sua altura apertando o nariznho dela. Os seus braços logo me apertam e sorrio beijando os seus cabelos. É tão bom me sentir próximo da minha filha. Theodore logo se junta a nós me abraçando igualmente.

Levanto os olhos e Anastacia está nos observando de braços cruzados, bem bonita por sinal e é ai que se faz luz na minha cabeça. Liberto dos braços dos meus dois filhos e me endireitando vou até ela a segurando nas mãos do qual ela arregala seus lindos olhos para mim desconfiada.

— Anastacia você precisa me ajudar! - começo e ela fica confusa. - Você aceita ser modelo para uma campanha? - ele pende a nuca ainda mais confusa, olhos esbugalhados e as bochechas a corarem terrivelmente vermelhas.

— Modelo? Para campanha? Como assim, Christian? - ela pergunta nervosa.

— A minha empresa segundo a diretora de Marketing precisa de uma nova imagem e você tem o perfil certo para preencher essa inovação. - explico esperançoso de receber um sim.

— Mas eu não sou loira, Christian! Nem levo menor jeito para fotografia, vai ser uma perda de tempo.

— Aceite... - implora April me dado uma força. - Você é linda igual mamãe!

Os três ficamos a olhar muito pidões para Anastacia que olha cada um dos nossos rostos muito estarrecida e finalmente os seus lábios abrem caminho para que sua boca possa citar alguma palavra.

— Posso pensar um pouco a respeito?

Olho para Theodore e para April na tentativa de saber o que ambos acham da ideia e concordam com um aceno de cabeça e me viro para ela.

— Claro que sim.

~*~

20:00 e já estamos todos sentados na mesa prontos a começar a degustar do guisado gostoso que Gail providenciou. April e Theodore já discutindo qual deles seria o primeiro a se servir, se bem que acabei rompendo essa deixa me servindo na maior cara de pau. Os meus filhos logo xingam bravos.

— Não come com a gente? - April pergunta se virando para Anastacia que nem prato tem na frente e arqueio a sobrancelha.

— Depois como alguma coisa com Gail na cozinha ou quando voltar para casa...

— Nem pensar, você tem que jantar. Não é certo andar de estômago vazio, então trate de pegar um prato e se junte a nós, pois esse jantar está delicioso!

Toda a refeição decorre numa degustação acompanhada do som das batidas leves dos talheres sobre a porcelana dos pratos, ninguém parece capaz de abrir a boca conversar, até que decido quebrar o gelo sendo eu mesmo a falar.

— Sabem que eu vi hoje na GEH quando estava de saída? - questiono olhando um e o outro.

— Não... - respondem em uníssono.

— A Leila! E falei para ela vir vos visitar, trazer a Angel!

Theodore se mostra indiferente e elevo o olhar a Anastacia para perceber se ela estaria sabendo de alguma coisa, mas ela encolhe os ombros.

— Alguém aqui quer sobremesa? - dessa vez é Anastacia quem fala levantando o prato dela. - Ouvi dizer que é sorvete de baunilha, alguém gosta muito?

Os dedinhos de April logo se estendem no ar e e ela se mexe demais na cadeira. Theodore se mantém mais discreto elevando a mão um pouco no ar. Sorrio vendo que aos poucos o entusiasmo volta reinando nessa casa.

— Muito bem, gostei de ver... - bato palmas impressionando.

— Meus meninos lindos! - ela aproxima deles e deixa um beijo no alto da cabeça em cada um.

Meu Deus essa mulher é mais amorosa que eu alguma vez imaginei viver para assistir.

Enquanto ela levanta os pratos, vou pegando na cozinha para dar um apoio, afinal sempre fica bem a um homem auxiliar uma mulher, apesar de nunca ter sido dado a esse tipo de particularidades, mas pelos meus filhos todos os sacrifícios valem muito a pena. Com duas taças na mão deixo na mesa e logo April começa brigando com o irmão porque Theodore pegou a taça que tem maior quantidade de sorvete.

— Por favor! - apelo. - Filha porquê brigar se o papai vai pegar outra taça e troca com você? - ela faz um biquinho ao baixar os olhinhos submissos.

Compensados, começam a degustar da sobremesa felizes da vida, incluindo eu que gosto bem de sorvete. Gargalhadas são soltas e não tem como ficar indiferente aos malabarismos que April faz só para não perder o sorvete por completo, pois começa derretendo na colher, pois ela adora brincar com a comida ao invés de comê-la de imediato.

Terminando, levantam da mesa e pedem para ir brincar um pouco ao qual Anastacia levanta os olhos ao relógio parecendo controlar todos os minutos. De fato gosto da ideia de que os meus filhos cresçam aprendendo o verdadeiro sentido das regras, da importância de as cumprir. Não tem nada mais que orgulhe um pai do que ver que os seus filhos crescem responsáveis. De longe quero que os meus filhos passem pelas minhas experiências.

— Nunca os vi tão entusiasmado como agora, Anastacia! - comento assim que fico só eu e ela pegando essas taças vazias. - Você em pouco tempo já fez grandes milagres! Estou impressionado e agradecido! - aquelas suas bochechas começam a corar com o meu elogio. - Não imagina o quanto outras babas não conseguiram nem um terço do seu esforço. E cá entre nós, eles estão aceitá-la muito bem mesmo depois de perceberem que não é a mãe deles. Tudo que já passou algum tempo, mas tem vazios que nunca se preenchem...

As minhas palavras a deixam emocionada, visto que lágrimas mínimas surgem no rebordo dos seus olhos dando uma vontade súbita em mim de as limpar para ela, mas contenho essa vontade.

— Acho que tudo se deve ao quanto basta de amor, nisso tenho muito para dar e vender. - responde e sorrio achando isso muito óbvio. - Nem toda a gente nasce com o dom para as crianças.

De fato, eu acredito que pessoas especiais nascem sabendo lidar com tudo. Eu cá nunca fui um homem dotado a esse tipo de carisma, mas ao longo do tempo fui aprendendo a ser pai, creio que não tão perfeito, no entanto, está me sendo dada uma oportunidade agora e nunca é tarde para criar laços.

— Bem vou ajudá-los, antes que a guerra comece! - ela se esquiva e fico estático a observando subir as escadas.

Anastacia quando é que vai parar de fugir tanto de mim?, penso.



Gostaram?
Alguma coisa que queriam dizer relativamente ao jantar familiar?
Ao fato de Christian ter encontrado em Anastacia a modelo certa para a campanha?
Essa conversa na cozinha? ♥ 
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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