Herança do Amor - Capítulo 14
Pov. Anastacia Steele
Entrando no quarto de
April a encontro brincando com as suas bonecas predilectas, a Hanna e
Elsa do filme da disney, Frozen (O reino do gelo). Ela parece tão
absorta que nem me dá atenção. Então em passo silencioso vou para perto
dela e a pego distraída pelas costas fazendo um montão de cócegas
arrancando muitas gargalhadas desinibidas da sua boca e gritinhos
sonoros que chamam atenção de
Theodore que logo aparece na porta de
olhos estreitos e sobrancelha arqueada pronto a dar uma repreensão em
nós duas por estarmos causando tanto desconforto sonoro.
— Preciso de silêncio estou lendo a minha BD favorita! - informa ele todo sério.
Olho para April que se mostra sorridente não preocupada com o modo mandão do irmão.
— Desculpe Teddy, mas eu
quero brincar se está mal mude para o andar inferior! - responde de
letra a irmã e abro a boca não sabendo de que jeito contornar a sua
argumentação.
— Vá meninos já chega de
brincadeira, ok? - tento amenizar o ambiente. - Teddy vá para o seu
quarto, que já lá vou! - ele encolhe os ombros e fecha a porta. - Você é
hora de lavar, vestir o pijama e deitar! Porque o Vitinho já cantou a
música à muito tempo.
Revirando os olhos April
boceja e finge de morta na minha frente ao qual ataco de novo com as
mãos sobre os seu quadril a fazendo acordar rapidinho e rir alto, mas ao
qual coloco o dedo indicador nos lábios a silenciando.
— Seu irmão vai escutar a gente e volta aqui repreendendo nós duas! - aviso com um sorriso bambaleante nos lábios.
Só que ela parece nem ai
para o que Theodore acha ou não. Às vezes eles parecem tão iguais, mas
tão diferentes. Ao fim de alguma resistência consigo convencer April a
tomar uma ducha ligeira, trocar de roupa seguida de uma covada de dentes
que verifico com todo o cuidado igual meu pai fazia comigo quando tinha
somente 8 anos.
— Agora sim, está prontinha!
Dou um tapa na sua bunda
a fazendo correr de volta à cama dossel de princesa. Ajudo a deitar
abaixo desses lençóis e beijo a sua bochecha irresistível.
— Conta uma história para mim... - pede pidona e fecho os olhos tentando lembrar de alguma coisa.
Sento na beira da sua
cama e ela enterra mais a nuca no travesseiro muito fofo e os seus olhos
azuis abrem e fecham oscilantes sobre mim esperando a minha narrativa.
— Está bom, vou contar a
história da Branca de neve, sim? - ela assente positivo, um sorriso
largo nos lábios mostrando os seus dentinhos de leite. - Era uma vez um
reino encantado com um rei e uma rainha que desejavam ter um filho... a
rainha ficou grávida de uma princesa e sabe o que ela desejava mesmo? -
ela nega com os olhos, pois os fecha muito. - Ter uma filha que fosse
branca como a neve, que tivesse uns olhos escuros como a noite e lábios
tão vermelhos quanto o sangue... só que a rainha morreu pouco tempo
depois da Branca nascer. O rei ficou desolado e casou de novo... - ela
interrompe.
— Com a rainha má! - confirmo com um aceno.
Continuo contando a
história com entusiasmo e aos poucos a sento se render mais ao sono que
chega de mansinho para embalá-la. A ajeito melhor entre os lençóis e os
seus olhinhos fecham completamente, é ai que chegando no final feliz da
história, percebo que finalmente havia conseguido fazer April dormir.
Dou por mim sorrindo para essa inocência adormecida e debruço sobre ela para deixar um beijo em sua bochecha.
— Tenha sonhos cor de rosa, princesa! - sopro passando suavemente as costas do dedo na bochecha rosadinha.
Levanto em seguida da
sua cama sem causar muitos balanços e abandono o seu quarto em bico de
pés encostando assim a porta. No corredor percebo que ainda permanecia
luz ligada no quarto do lado. Intrigada decido ir ver o que Theodore
estaria fazendo ainda acordado.
Ao abrir a porta o
encontro sentado de pernas cruzadas junto à janela, parecia absorto
olhando o exterior. Em silêncio decido aproximar dele e agacho
calmamente ao seu lado.
— Aquela estrela que
está brilhando mais é a minha mamãe! - sussurra baixo sem nunca tirar os
olhos do céu estrelado. - A tia Mia falou que ela sempre iria brilhar
quando olhasse para lá.
— Sua tia está muito
certa e tenho a certeza que sua mãe estando onde estiver estará muito
orgulhosa de você, Teddy! - ele desvia os olhos para mim, os vejo
brilhando e isso mexe comigo, pois o puxo para um abraço carinhoso.
Quando dou por mim estou
chorando sem controlar. Teddy afasta e me olha intrigado e tento
disfarçar as lágrimas as limpando o dorso da mão.
— Está chorando? - nego
com um aceno de cabeça. - Está sim, eu vi suas lágrimas. - levanto do
chão e me viro de costas tentando disfarçar mais um pouco. - Espere...
— Sim? - viro para encará-lo.
— Se você perdeu alguém, saiba que essa pessoa também estará orgulhosa de você. - e sorrio com as suas palavras bondosas.
~*~
Ao despedir de Teddy,
ainda dei uma olhada de novo em April que parecia um verdadeiro anjo
dormindo no seu quartinho de princesa. Foi então que cansada comecei
descendo os degraus no intuito de pegar nas minhas coisas e ir embora.
Só que um pigarro atrás de mim me faz congelar no mesmo lugar e olho
discreta por cima do ombro. É ele no sofá assistindo TV baixa e com uma
taça de vinho o acompanhando.
— Já vai? - questiona.
— Sim, Christian! - viro para ele só um pouco. - Tenha uma boa noite! - e começo a caminhar para o elevador.
— Tenho pena porque achei que poderíamos conversar um pouco... - mas somos interrompidos por gritos vindo do andar superior.
Tanto eu como Christian
trocamos olhares e corremos juntos para perceber o que havia acontecido.
Christian entra de rompante no quarto de April e ela está chorando. Ele
me olha tentando buscar entendimento nisso e fico completamente intacta
não sabendo o que havia gerado isso se ela até uns
minutos atrás
parecia bem e serena.
— O que foi meu amor, fale comigo... - pede ele carinhoso ao passar o polegar nas bochechas da filha que chora compulsivamente.
Mas April não se abre
com ele e vou até ela me beirando no lado oposto a Christian e aconchego
nos meus braços afagando os seus cabelos docemente. April logo circunda
os braçinhos em mim buscando um consolo.
— Fale para mim o que foi que houve? - pergunto baixo. A menina afasta um pouco e me olha mesmo com os olhos rasos d'água.
— Sonhei que faziam mal
para você... - estreito o olhar e o ergo de imediato a Christian absorto
me olhando. - Que um homem segurava no seu braço e a machucava muito e
que você chorava implorando ajuda... - aperto contra mim com força.
— Ninguém fará nada
comigo, prometo... - beijo o alto dos seus cabelos. - Estou aqui e não
vou a lugar algum... - a embalo calmamente como se fosse um bebé.
— Fica comigo? Dorme aqui? - pede chorosa.
Os meus olhos mergulham
em Christian que me encara pensativo e preocupado, mas não entendo
porquê, pois tudo é um pesadelo de criança. Crianças fantasiam coisas
demais e depois a única pessoa que me podia fazer mal está longe daqui,
talvez presa algures nesse mundo.
— Está bom, eu fico...
Deito melhor ao lado de
April a segurando contra mim e Christian nos cobre ao qual agradeço com
um sorriso e sai nos deixando em privado. Por uns 20 minutos me mantenho
com o olho bem abertos observando a pequena pegar no sono calmamente e
com cuidado passo a ponta do dedo nos seus cabelos os afagando com
ternura até adormecer momentos depois embalada por essa sintonia
harmoniosa e inocente.
~*~
Acordo toda torta e
abrindo bem os olhos April continua aninhada contra o urso de pelúcia
criando barreira entre nós duas. Mesmo no lado oposto tem o relógio em
forma de urso rosa que marca as 7:00 e decido levantar, pois preciso
despertar e dentro de 1 hora preciso colocar esses dois para correr,
antes que se atrasem para o colégio.
Ao levantar espreguiço
um pouco e todo o meu corpo responde com mínimos estalos. Alongo o
pescoço ao abandonar o quarto, trilho esse corredor escuro e
silencioso. Desço as escadas bambaleando a cabeça para os lados como se
imaginasse alguma música e quando estou prestes a descer o último degrau
o que me acontece? Esbarro em alguém e vou até ao chão ficando imóvel
sobre o corpo duro e quente que assim que olho nos olhos prendo a
respiração e arregalo os olhos desejando levantar de imediato, mas meu
corpo todo me desobedece desejando ficar ali grudado.
Os meus olhos mergulham
no cinza reluzente me deixando refém e descendo mais uns centímetros
encaro aqueles lábios entreabertos com um sorriso torto dançando neles. A
sua boca aproxima da minha gradualmente e fecho os olhos para deixar
sentir esse beijo acontecer que inicia lento. Vou retribuindo ao
moldando melhor minha boca na sua de forma a permitir a passagem da sua
língua para encontrar a minha e a assim se envolverem intensamente. O
meu corpo reage a essa invasão se contraindo inteiriço, as minhas veias
ficam dilatam latejantes e bombeando esse sangue com fúria, a minha
respiração começa falhando o que me obriga a ficar terrivelmente
ofegante e com um necessidade urgente de oxigenar.
Christian cessa o beijo
com um selinho atrevido e ao abrir os meus olhos percebo que está
sorrindo para mim, de olhos abertos e luminosos. Que continuo deitada em
cima do seu corpo nesse chão do corredor.
— Bom dia... - sopra para mim me despertando para a realidade.
De imediato rolo o meu
corpo para o lado e com a sua ajuda me coloco de pé desejando imenso
tapar o rosto que queima e deve estar a dar sinal vermelho.
— Desculpe Christian... ai meu Deus... - fico embaraçada demais e corro para a cozinha na tentativa de me esquivar.
Os seus passos ficam assertivos nas minhas costas e tento contar até 3 mentalmente ao ir na
geladeira. Ignora ele, não dá bandeira, avisa a minha voz interior.
— Tão cedo e já acordada? - questiona ao sentar no banco alto atrás do balcão. - Insónia?
— Despertador biológico!
- respondo automaticamente levando uma caneca de leite ao microondas
para aquecer. - Alguém tem que acordar mais cedo que os outros para
fazer tarefas se cumprirem...
— Já percebi que competência é o seu ponto forte, mas não necessita de tanto... ninguém aqui está competindo.
Viro para ele e o encaro de sobrancelha arqueada.
— Quer café? - ele
assente positivo já mostrando aquele sorriso sexy de mais cedo. - Ótimo,
então o prepare que não sou sua empregada! - informo assim que o micro
dá o som "plin" e tirando o leite tomo um golinho ao abandonar a cozinha
na maior das satisfações.
~*~
Quando desço com as
crianças já arrumadas, Christian já não se encontrava mais no
apartamento, provavelmente saíra para trabalhar e como não queria que os
pequenos se atrasassem os apresso no café da manhã.
— Não quero leite desse... - April reclama cruzando os braços.
— Mas o achocolatado
terminou ontem, então terá que tomar desse sim. Não tem desculpa, porque
você está em fase de crescimento e tem que ficar forte. - ela forma um
bico nos lábios.
Theodore é que parece
levar melhor as minhas instruções se apressando a tempo de poder subir
para pegar seu livro favorito. Olho a hora e vejo que Taylor ainda nem
havia chegado, decido então, eu mesma ao deixar recado na mesa, levar os
mais novos no colégio.
April começa brincando
no banco traseiro não dando a mínima para mim, já o irmão me ajuda com
as indicações informando onde ficaria o colégio, já nem coloquei o GPS a
funcionar devidamente.
— É esse ai na frente... - aponta com o dedo e abrando a velocidade ao encostar o carro junto ao portão.
Olhando para o exterior
diversas crianças chegam acompanhadas dos seus pais, avós ou
simplesmente babás como eu, ou motoristas engravatados e sérios. Saio
para abrir a porta traseira do Alfa e April foge de mim ao qual entro em
pânico, mas assim que a encontro, vejo que está abraçada a outra
garotinha. Mas Logo atrás de celular no ouvido uma morena bonita e bem
arrumada, provavelmente a mãe.
— Aquela é a menina que eu briguei... - confidência Theodore me tirando do transe.
A mulher larga o celular
assim que termina e agacha para cumprimentar April, parece que se
conhecem e assim que ergue os olhos na minha direcção o seu rosto é
tomado por espanto e incredulidade. Como se eu fosse um fantasma.
— Não pode ser... Olivia? - arqueio a sobrancelha ao vê-la andar em seus saltos altíssimos pretos prada abertos na frente.
— Desculpe? - faço
desentendida para não ser grosseira, pois é a minha vontade e já estou
cansada de ser confundida com uma "morta". - A senhora só pode estar
fazendo confusão, pois meu nome é Anastacia.
— É a nossa babá! - Theodore acrescenta sorrindo.
— Desculpe, meu Deus... -
ela leva a mão ao peito de forma teatral como se não ainda acreditasse
no que via. - É que você é tão... - a interrompo.
— Eu sei... - concluo e
dou as minhas atenções a Theodore. - Tenha um bom dia, Teddy e já não
sei da sua irmã, mas dê um beijo meu, okay? - ele assente que sim correndo
com a mochila nas costas para o interior.
A mulher continua me encarando de alto a baixo como se buscasse algum detalhe que me diferenciasse da outra.
Ai como odeio que me olhem assim.
— Até mais... - digo virando as costas para ela ao entrar no alfa.
Gostaram?
E meninas o que tem a dizer desse beijo logo cedo?
Dessa postura de Anastacia com as crianças?
Da surpresa de Leila encontrar Anastacia? ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.
E meninas o que tem a dizer desse beijo logo cedo?
Dessa postura de Anastacia com as crianças?
Da surpresa de Leila encontrar Anastacia? ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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