Herança do Amor - Capítulo 15

Pov. Christian Grey

Havia chegado na GEH à pelo menos 2 horas. Duas horas é o tempo que me vejo a olhar para esses documentos não sabendo para que lado me virar. A minha cabeça está sempre numa distracção intensa, sempre lembrando do acidente logo cedo nessa manhã. O fato de ter cruzado com Anastacia de um jeito atribulado, de ao termos chocado, tê-la colada a mim no chão. Olhar com pormenor o contorno dos seus lindos lábios e desejar e tê-los selado nos meus sem medo. Do fato de ter olhado os seus olhos azuis tão brilhantes e querer por tudo mergulhar bem fundo nesse oceano, ou do quanto foi inesquecível a ver corar tão facilmente na minha frente, porque de alguma forma a minha presença não lhe é totalmente indiferente. Já para não falar do quanto a sua voz é terrivelmente sensual, a sua personalidade desafiadora ao me negar passar café quando achei que ela seria gentil o servindo para mim.

Caramba, ela está se revelando melhor do que alguma vez imaginei.

Estou mais certo que nunca, que ela é uma mulher que quero mesmo conhecer todos os dias um pouco mais, quero aproximar dela sem a assustar, conquistar sua confiança e fazê-la me olhar com uns olhos que vejam sinceridade nesse homem que apesar de carente, desejoso de tocá-la de um jeito quente, sabe respeitá-la e aceita manter a "distância" para provar que não é ilusão. Por respeito, porque entendo que ela precisa de superar o seu luto, ambos precisamos. Mas acredito que mediante o tempo, o possamos fazê-lo juntos.
— Senhor Grey a Ross solicita a sua presença na sala de reuniões! - informa Andrea atravessando a porta da minha sala e me tirar a valer de um transe de pensamentos.

— Tem mesmo de ser agora? - pergunto arqueando ambas as sobrancelhas e pousar a caneta na pilha de documentos para analisar e assinar.

— Sim, senhor!

Reviro os olhos e empurrando a cadeira, levanto indo logo atrás de Andrea que abre a porta para nós. Dirijo para o elevador pronto a descer ao andar inferior, quando as portas ao abrirem sai Leila com uma expressão estranha no rosto pousando as mãos no meu peito me empurrando para trás como se tivesse algum tipo de autoridade sobre mim.

— Leila estou com pressa... - digo ao afastar suas mãos de mim e entrar na cabine, que ela entra também carregando em "STOP". - Sério? - questiono ao bufar, mãos sobre a gravata porque começo a ficar nervoso com essa invasão cedo.

— Nós temos que falar bem a sério e não aceito que escape com alguma desculpa! - fala com um tom imperativo.

— O que for pode esperar! - digo pronto a carregando no botão para fazer o elevador recuperar a normalidade. - Aguarde na minha sala, quando a minha reunião terminar a gente conversa! - ela não se dá por convencida, mas sai.

As portas fecham e encosto a cabeça na parede espelhada desejando que o meu dia não seja um tédio. Melhor que termine rapidamente, pois desejo voltar logo para o escala.

~*~

Com Ross a reunião acabou por não ser tão produtiva quanto achei, afinal neguei todas as modelos que ela reservou para eu dar uma apreciação final. Óbvio que nenhuma importou, porque já tenho uma modelo capaz de preencher as lacunas que faltam e essa pessoa é Anastacia. Agora só espero que ela esteja pensando na proposta, ou Ross está capaz de me estrangular e sinceramente ter as mãos de uma mulher no meu pescoço é algo que não está nos meus planos.

Saindo do elevador caminho em passo assertivo na direcção da sala. Andrea acena com a cabeça e empurro as portas e lá está Leila de perna traçada olhando o celular distraída que nem dá pela minha chegada.

— Você falou que tinha algo importante para falar comigo, então vamos a isso... - vou direto ao ponto caminhando para a cadeira de executivo e me instalo com as mãos apoiadas na mesa. Olhos fixos em Leila procurando verdades.

Leila se ajeita melhor na cadeira e guarda o iPhone S6 dentro da bolsa para me dar atenção integral.

— Você não contou que a sua babá é praticamente igual a Olivia! - pendo a nuca para o lado com tal insinuação. - Acha isso instintivo para os seus filhos? Digo, eles olharem ela como se vissem a mãe que não é? E você acordar e olhá-la, jantar, passar serões com ela? Acha que isso não é confuso? Insano?

— Porque me toma, Leila? - indireito melhor na cadeira e aproximo consideravelmente da mesa. - Até onde sei, o melhor para os meus filhos é a presença de alguém que lhes dê estabilidade, segurança e amor.

— E você? Vai me dizer que quando olha para ela não a deseja? Que não vê a Olivia?

— A Anastacia não é Olivia! - informo rude, pois odeio que se metam na minha vida achando que sabem o que é melhor para mim. - E sim, admito quando a vi pela primeira vez, vi uma Olivia que a minha mente não conseguiu despedir, mas ela não é... ela é diferente, você não sabe o que em pouco um mês e meio eu já presenciei... - começo a ficar visivelmente nervoso, uns suores estranhos me atravessando o corpo completamente e isso só acontece quando estou aproximando de um colapso. - Se desejo ela? É como Anastacia pela sua simplicidade e não como Olivia, porque apesar de semelhantes fisicamente, elas não tem nada haver uma com a outra.

— Como você pode concluir isso? Já a beijou para saber?

O interrogatório de Leila já está me deixando irritado, porque apesar de gostar muito dela como uma amiga muito importante. Por respeitar que é a melhor amiga da minha falecida esposa, não lhe dá o direito de intrometer tanto o nariz na minha vida particular, menos ainda questionar a minha solides de pensamentos relativamente a Anastacia. Porque toda a gente que conheço quer me convencer que estou errado? Que não é possível olhar naquela mulher e ver uma pessoa diferente? Uma outra personalidade? Alguém que me possa apaixonar verdadeiramente pelo que é e não pelo que foi?

— Já! - confirmo. - E vamos terminar por aqui, porque vou me chatear e você não vai querer brigar comigo. Então sejamos amigos e nos respeitemos como sempre o fizemos até ao momento!

Ela não se dá por convencida, mas levanta puxando a bolsa chanel e contorna a secretária até mim. Pousa as mãos sobre os meus ombros, olha em meus olhos. Os seus cílios bem concentrados nos meus totalmente cinza penetrante.

— Perdoe essa velha amiga que só quer você feliz e não machucado! - deixa um beijo na minha bochecha e afasta de forma graciosa da minha sala saindo.

Por um tempo fico encarando a porta e viro atenção ao exterior me beirando na sacada. Fecho os olhos e encosto a nuca no vidro. A minha cabeça está bombeando informação a mil. Os meus nervos muito à flor da pele. Leila realmente conseguiu me deixar numa reacção que odeio muito em mim.
 
Batem na porta, mas não dou resposta, pois adivinho muito bem que seja.

— Senhor Grey precisa de alguma coisa? Está tudo bem?

Viro para encarar Andrea e ela fica totalmente erecta ao receber o meu olhar. Percebo até que engole em seco e dá um ligeiro passo atrás em reacção ao meu olhar que carrego para intimidar mesmo.

— Se precisar de alguma coisa é só chamar...

~*~

Chegando o horário de almoço peço a Taylor para me levar no escala, pois não estou com vontade de comer sozinho nesse escritório. É cansativo e estou realmente exausto de olhar sempre os mesmos quadros enquanto degusto do meu sushi.

Assim que Taylor para o carro na frente do edifício, saio ajeitando o paletó andando forma assertiva e sem compromisso para a entrada. Pietro ainda tenta parecer simpático, mas não aceito gracejo de porteiro e sou um homem reservado. Não perco tempo com futilidades ou conversa casual. Pegando o elevador até à cobertura, saio atravessando o hall. Gail está na cozinha e de lá sai um cheiro bem gostoso. Afrouxo um pouco a gravata e estranho não ver Anastacia.


— Oh senhor Grey veio para almoçar? - questiona Gail realmente surpresa.
 
Honestamente até para mim é uma surpresa, já que nem lembro qual foi a última vez que almocei em casa num dia carregado de trabalho.

— Hoje decidi comer sua comida, é mais saudável! - ela começa a corar com as minhas palavras. - A Anastacia está? - ela aponta o dedo ao andar superior e sorrio em agradecimento.

Gail retorna à cozinha e pousando a pasta no canto junto ao hall vou até às escadas as subindo sem medo. Pois só quero ser gentil e cumprimentar Anastacia, acho que não tem mal algum nisso.

Atravesso o corredor extenso e espreitando em algumas divisões não a encontro, mas Gail falou que ela estaria aqui em cima. Mas é nesse momento que lembro de que poderia estar no quarto. Dirijo o olhar à porta e está fechada. Aproximo e dou uma batida ligeira, só que ninguém responde no outro lado. Mordido pela intriga decido rodar a maçaneta e abrindo a porta enterro a cabeça no interior.

O quarto se encontra vazio, mas com um som baixo tocando no pequeno rádio junto ao banheiro. É o tema The Last Day de Skylar Grey expelindo dessas colunas. A morder os lábios vou invadindo o espaço em passos lentos e aproximo da porta do banheiro que está entreaberta me dando uma visão sedutora de Anastacia balançando seu corpo vulnerável ao som da música acabada de sair de um banho. O seu corpo todo pingando água.

A minha garganta logo fica seca e tento me controlar ao máximo para não ser invasivo, mas é muita provocação para um homem carente e depois não sou de ferro. Essas coisas mexem comigo, porque sei que é errado invadir a privacidade de alguém, mas ela é uma mulher desejável. Não tenho vergonha de o dizer. Desejo sim, desde o momento em que a beijei. Mesmo que fosse errado e precipitada a reacção da minha parte.

Ela puxa uma toalha para enrolar em torno do corpo e nesse momento começa a se virar para abrir a porta e saio de fininho para não ser apanhado, visto que não sei de que modo ela pode interpretar a minha presença.

Aliás do modo mais óbvio, eu a estava observando.

Apresso a descer as escadas após sair do quarto e atravessando a sala vou direto para o escritório 
esconder a minha ansiedade, a minha vontade de tê-la puxado para um beijo, de ter soltado aquela maldita toalha do seu corpo molhado que acendeu uma chama no meu me dando a impressão de que pareço um animal em chamas de um inferno.

Bato as mãos contra a cabeça ao afastar até ao painel. Queria que essas imagens que me atormentem tanto saíssem da minha cabeça. Não quero parecer um tarado sexual espiando uma mulher. É errado e esse não sou eu. Batem na porta ligeiramente e viro olhando por cima do ombro.

— Entre!

— Christian o almoço está pronto, quero que sirva? - questiona Gail e respiro de alivio, pois se fosse Anastacia creio que não ia conseguir me precaver fácil na sua frente.

— Sim, vou já!

Ela sai batendo a porta e de novo ando de um lado para o outro mais parecendo um moleque que acabou de fazer a maior borrada da sua vida. Grey ergue a cabeça e encara ela como se nada tivesse acontecido, ordena a minha voz interior e respiro fundo encarando a porta. Dou passadas largas para ela e abrindo encaro um par de olhos azuis surgindo na sala.

Oh fodasse!

— Christian por aqui? - pergunta bem surpresa.

Okay, ela não percebeu que eu estive no seu quarto. Ótimo, assim será melhor, porque não ia aguentar ter que procurar uma justificação neste momento, pois estou capaz de enterrar os pés pelas mãos.
Merda! Já estou a suar de novo.

— Está se sentindo bem? - ela aproxima de mim com uns olhos carregados de preocupação.

Meu Deus os seus lábios estão tão carnudos, ela está tão cheirosa. Não, Anastacia não te aproximes de mim, não vou aguentar, não vou controlar. O meu animal está acordar aqui dentro e me sinto sem forças para domá-lo.

Só que ela parece que vem contra todas as barreiras da minha consciência ao ficar de frente para mim, os olhos concentrados nos meus sem o medo de antes, mais confiante. Isso realmente me instiga.

Anastacia eleva a mão e pousa sobre a minha testa. Os meus olhos acompanham num movimento muito rugido, mas não por muito tempo, pois eles já tem encontro marcado com os lábios dela. Ela começa mordendo o lábio inferior sem perceber e o meu animal desabrocha de um sono profundo me fazendo abrir um caminho perigoso na sua direcção. A minha boca aproxima perigosamente da sua, os meus lábios tocam os seus suavemente e subo as mãos ao encontro do seu rosto, roçando os polegares nas suas bochechas quentes.

A minha língua pede urgentemente uma passagem no interior da sua boca. Ela cede, a abrindo escassa, mas ainda assim abre para mim. Abro e fecho os olhos, percebo que elas os tem fechados e que está sentindo o beijo assim como eu. Nossas línguas se acariciam numa troca humana, dançam iguais duas crianças e só aumentam mais a ansiedade que sinto. Então enterro mais os meus dedos nas brechas das suas mexas de cabelo e intensifico mais o beijo o aumentando gradualmente para uma volúpia contagiante


Gostaram?
O que acharam de Leila? Alguém acha que ela será problema nessa história?
Deixem vossa opinião sobre isso sobre como desejam ver Leila aqui.
E sobre esse Grey? Acham ele mais decidido? Certo em defender aquilo que acha que sente?
E essa espiadela? Foi atrevido ou covarde em ter fugido?
O beijo? ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy. 

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