Herança do Amor - Capítulo 16
Pov. Anastacia Steele
Não entendo porque todo o
meu corpo ficou sem reacção. Entendo menos ainda, porque não consigo
cessar esse beijo que está me deixando exaurida de ar, pois meus pulmões
já gritam necessitando de restabelecer o oxigénio que ele bloqueia com
sua boca selada na minha. Eu quero parar, juro que quero, mas não
consigo. Não tenho forças suficientes para bloquear o poder que esse
homem tem sobre a minha boca, sobre meu corpo que parece ter ganho
comando próprio e não me obedece jamais.
Ele é intenso, é forte,
me faz sentir protegida de alguma forma. Mas é errado e eu não posso me
deixar levar por essa fraqueza. Então o empurro fazendo pressão em seus
ombros. A sua boca logo liberta a minha e o ar entra em mim rasgando
louco cada cantinho do meu corpo, como se estivesse privada da
respiração por horas a fio.
Ofegante levo a mão ao
peito, ele dói, não pela dor de sair machucada, mas pela forma brusca de
como me vi privada de oxigenar. É uma dor que nunca me vi sentindo
desse modo, pois nunca ninguém me beijou dessa forma tão a valer um
quase desfalecer da minha parte. Nem mesmo José em tantos anos de namoro
me beijou assim com tanta devoção.
— Anastacia... - ele
chama por mim, mas finjo que nem o escutou escutando. Tem vezes que é
melhor ignorar. - Anastacia, por favor! - respiro fundo e viro para
encará-lo.
Os seus olhos incidem em
mim como duas bolas cinza atacantes. O meu corpo arrepia completamente
com o calor do seu olhar. Minha corrente sanguínea flui rapidamente em
minhas veias aquecendo as extremidades do meu corpo aparentemente frio. O
meu coração bate desfeado e sem controle, tudo isso, só porque ainda
não está completamente recuperado.
— Não precisa de
justificar nada, foi um momento de fraqueza! - digo e ele nega com os
olhos pidões. - É melhor sentar, antes que a comida esfrie!
Christian assente
sentando na cadeira e durante o resto da hora de almoço tento ao máximo
evitar tocar nesse assunto. Aliás tento somente falar do progresso com
os filhos, pois esse é o meu dever como babá deles. Conto também da
mulher que me abordou mais cedo e ele explica para mim quem ela
representa para essa família.
— Peço desculpas pela
forma inconveniente de como Leila às vezes aborda as pessoas, mas ela
sempre foi assim... direta! - explica ele como se tivesse necessitando
de se esclarecer alguma para mim, quando não me deve contas da sua vida.
— Não há problema, eu sei contornar a situação! - digo pegando o copo de suco e tomar um gole.
— Aliás já que estamos
falando nos meus filhos, gostaria de lhe perguntar se importaria de
almoçar com a gente no sábado na casa dos meus pais!
Mais pessoas estranhas
me confundindo? Almoçar na casa dos avós dos pequenos Theodore e April?
Não sei se me sinto confortável a esse ponto. Sentir aqueles olhos
curiosos incidindo em mim como se eu fosse a outra numa nova reencarnação
deste mundo? Porque acho que isso está me deixando desconfortável?
— Algum problema nisso?
Os seus olhos se
estreitam em mim, aquela sobrancelha arqueando uma curva completa e me
vejo obrigada a tomar outro gole de suco para dirigir melhor essa
observação, nem que seja para clarear a garganta que se mostra seca.
— Não, claro que não...
Na verdade queria dizer
que sim, mas o que irá mudar se negar em ir no almoço familiar? É meu
trabalho zelar pelos pequenos e depois, quanto mais cedo as pessoas
perceberem quem eu sou nessa família, menor será o constrangimento
futuro. E mais facilmente ficarão familiarizados com a minha presença.
— Fico muito feliz em saber que aceita. Obrigado, Anastacia! - sorri de canto para mim.
— É meu trabalho... - digo pousando os talheres sobre o prato.
Já estava pronta a
começar a levantar da mesa com o prato na mão, quando Christian pousa a
sua mão na minha me deixar em estado mínimo de alerta. O meu olhar
incide na sua mão e ele a tira de imediato como se estivesse queimando.
— Pensou na minha proposta? A de ser a modelo que preciso?
Rolo os olhos voltando a
recordar desse assunto que não voltara sequer a pensar. Pois para mim
está claro como água que não nasci para esse ramo da moda. Não sou nada
perfeita para isso, aliás sou um desastre e ele vai se arrepender quando
me vir fazendo aquelas figuras tristes.
— Honestamente não
pensei e acho que está perdendo seu tempo comigo. - junto o seu prato
agora finalizado. - Não levo menor jeito para isso e tem ai imensas
modelos prontas nessa área que iriam adorar ter o lugar de destaque.
— Não procuro uma mulher
experiente para fazer essa campanha, porque sei que existem milhares
dessas por ai... - responde olhando tão penetrante em mim que os meus
lábios ficam secos com necessidade de os humedecer por minha língua. -
Quero uma mulher que tenha carisma, que cative um público pela sua simplicidade e timidez.
As minhas bochechas
ficam irrigada de sangue, pois estou em chamas com essas palavras que
vindas de um homem tão charmoso assim me fazendo quase cair no chão.
Anastacia foco, ordena a minha voz interior.
— São verdadeiramente lindas as suas palavras, mas não sei...
Viro as costas correndo
para a cozinha, só Gail me pode salvar nesse momento. Christian logo
aparece e pisca um olho para mim que fico igual uma adolescente idiota a
olhar. Ele vai embora, todo sensual, todo qualquer coisa de bom e eu
fico aqui feita uma parvinha a observar aquele homem elegante.
— Ai não para com isso! - murmuro baixo deferindo o lábio inferior com os dentes.
— Falando sozinha, querida? - Gail me apanha no pulo e tento disfarçar logo.
~*~
15:50 e estou
conversando com a minha melhor amiga no chat do facebook, porque ela
está em sua pausa e como não tinha nada para organizar, e não estou com
menor vontade de ler, faço companhia para ela.
Kate: Não dormiu em casa essa noite, esteve onde amiga? :p
Anastacia: Fui
para uma boate praticar um strippe, porque agora dei para gostar dessas
coisas, sabe? :/ Bahhhh você acha que sim? Estive com as crianças, a
pequena teve pesadelo e fiquei com ela.
Kate: foi
a pequena mesmo ou o grandão? É que nunca se sabe, às vezes um homem
necessita assim de um consolo e tal... o clima aquece... hm...
Anastacia: Kavanagh não inventa, ok? Se não quando for para casa eu te estrangulo com o travesseiro do seu quarto!
Kate: Nossa, que medo, Steele!
As portas do elevador se
abrem e saio de imediato do chat deixando Kate pendurada. Fecho a tampa
do mini notebook que trago sempre na bolsa por ser leve e cómodo de
transportar. Taylor surge com as duas crianças e estranho já terem
chegado tão cedo, quando o mais habitual é chegarem perto das 17:00.
April vem a correr para
mim e Theodore pousa a mochila no degrau da escada caminhando em passo
tranquilo na minha direcção. Tomo April no colo e beijo o seu rostinho,
beijo o do irmão igualmente.
— Anastacia posso pedir uma coisa? - April morde o cantinho da bochecha ao formular a pergunta e a pouso no chão.
Theodore me olha meio que a mexer o pé cúmplice e ergo a sobrancelha para a irmã que está de olhinhos bem brilhantes.
— Claro, tudo o que você quiser...
— Mesmo tudo? - ela fica
surpresa ao abrir mais os seus lindos olhos e os oscilar na minha
frente parecendo mesmo o gato das botas ao tentar o olhar amoroso e de
compaixão e assinto com a cabeça não conseguindo ficar indiferente. -
Então quero um cachorrinho, mas papai nunca deixa. Fala que é bagunceiro
demais.
— April papai não vai deixar adoptar cachorro algum, mas se for uma iguana ele deixa!
Cachorro? Iguana? Oh meu Deus, agora esse apartamento vai virar um zoo? Aposto que aquele homem
todo certinho e sexy não vai alinhar muito nessa aventura. De todo isso
não parece nada o feitio dele.
— Por favor convence o
papai? - ambos juntam as mãos implorando e oscilo o olhar de um para o
outro não sabendo para que lado me virar. - Só você pode convencer o
papai aceitar! Por favor!!! - fecho os olhos e os abro.
Agacho para ficar na altura da pequena que se mantém quieta ao lado do irmão mais velho.
— Vamos fazer assim, quando a papai chegar, vocês vão chegar nele e dizer que o adoram muito, ok?
— Isso é fácil! - a pequena fala toda convencida.
~*~
Os pequenos já haviam
tomado o lanche, concluído os deveres de casa que agora me vejo a
brincar com eles na wii um daqueles jogo muito iterativos que são
educativos para os mais pequenos. April parecia mesmo uma craque a
jogar, pois era quem vinha vencendo toda a competição. Theodore só
gargalhava com as minhas figuras, porque mímica nunca foi o meu forte.
Quando finalmente
desisti, saltei para o sofá e fui atacada por April que pulou em cima de
mim à urso me matando. Comecei atacá-la com cócegas e nem uma meia hora
depois, escuto Theodore falar com alguém e solto April do meu colo e
rapidamente me ajeito no sofá. Mexo nos cabelos bagunçados e tento
comparecer uma babá responsável.
— Vejo que está se
divertindo! - comenta Christian me olhando com um sorriso torto nos
lábios. - Olá filhota! - a pequena vai até ele.
— Papai a Anastacia tem
uma coisa para lhe pedir! - conta ela e abro a boca não sabendo para que
lado me virar quando esse não era o combinado.
Christian me ergue o
olhar curioso e fico ainda mais rubra, mas respirando fundo chego mais
perto e arranco a filha dos seus braços a trazendo de volta para mim,
como se necessitasse dela para garantir minha protecção contra uma
investida maluca de ser atacada por seus lábios irresistíveis na minha
frente. Pouso as mãos sobre os ombrinhos da pequena que está ansiosa.
— Então Anastacia me
conte... - a sua voz me invade vibrante, me deixa assim toda melosa
interiormente, porque meu corpo logo se transforma em gelatina
amolecendo lento e só falta se jogar nos seus braços para completar toda
essa devoção.
Foco Anastacia, foco, ordena a minha voz interior.
— Os meninos falaram
comigo mais cedo e por favor não brigue com eles, porque são uns
amores... - a sua sobrancelha arqueia ainda mais, parece desconfiado. -
mas é que eles adorariam adoptar uma mascote...
Christian anda de um
lado para o outro, parece pensativo sobre o que acabei de falar.
Theodore rapidamente larga o comando da wii e se junta a mim. Abraço
ambos que estão nervosos seguindo o pai atentamente com o olhar. E ele
se vira para mim. O meu corpo tem logo sofre um flash com o cruzamento
de olhares repentino.
— Já tivemos essa conversa, lembram? E não há animais no apartamento... - mas o interrompo.
— E se esses dois se juntando comprometerem a cuidar direitinho da mascote?
April ergue o olhar para
mim, Theodore igualmente e parecem mesmo disposto ao esforço. Olho
confiante para eles e agachando deixo um beijo em cada um deles em maior
gesto de carinho.
— Acredita que uma
criança de 6 anos e outra de 11 vão conseguir realmente cumprir tal
compromisso? - questiona mesmo intimidador.
Mas quem ele pensa que é
para me questionar assim? Até parece que nunca foi criança e desejou um
animal? Olha, já vai ver o que é bom para a tosse, porque ninguém fala
comigo nesse tom, ai não fala mesmo.
— Óbvio que acredito! -
respondo rude o querendo fuzilar com o meu olhar penetrante. - Até
parece que nunca foi criança antes ou que desejou um animalzinho para se
divertir. - ele aproxima de mim lentamente. - Ou é tão frio assim ao
ponto de nunca ter tido um amiguinho de quatro patas?
Os mais pequenos começam
a esquivar assim que escutam a mudança de tom da minha voz. Ok, nunca
levantei a voz para ninguém, mas este homem tem vezes que perde a noção
da fantasia de uma criança. Mas ele pensa o quê? Que toda a gente quando
nasce é logo adulto como ele? Que crianças crescem privadas do que
realmente gostam?
Tudo bem, eu sei que nem
todas as as vezes devemos fazer suas vontades, que eles devem crescer
aprendendo o significado da palavra não, mas puxa nem uma única vez pode
quebrar a regra?
— E quem é você para me questionar desse modo tão autoritário? - ele me faz frente parando a um metro de distância de mim.
— Sou a babá dos seus filhos!
E do nada se faz um
silêncio ensurdecedor. Nem ele abre a boca, nem eu. É como se os
argumentos tivessem escapulido do nada e parece que deixei Christian
Grey sem fala. Baixo o olhar submissa ao afastar dele caminhando em
silêncio para a porta, mas a sua mão puxa pelo braço e ao elevar os meu
olhar no dele, encontro uns olhos ardentes. Eu sei o que isso significa.
— Eu preciso ver como eles estão! - digo me soltando da sua mão firme.
— Porque foge? - questiona irritado.
— Não estou a fugir! Simplesmente preciso de ver como estão os seus filhos, licença!
Só que ele não se dá por
vencido que se atravessa na minha frente me bloqueando a porta. Reviro
os olhos, pois não suporto a ideia de alguém me trancar contra a minha
vontade.
— Saia da minha frente! - ordeno séria.
Ele pelo contrário está
sorrindo divertido e isso só me irrita ainda mais, porque não estou
achando menor piada a esse seu humor.
— Saia da minha frente ou vou mordê-lo! - aviso ameaçadora, contudo, ele ri mais ainda.
— Já lhe disse que fica
bonita assim irritada? - bufo ao virar o rosto para o lado. Pois elogios
de homens nessas horas só significam uma coisa e não vou cair em
cantada de patrão. - Não interprete mal as minhas palavras, mas só estou
tentando me aproximar de forma saudável...
— Saudável seria se chegasse nos seus filhos e dissesse sim... eles iriam adorar!
Saio na sua frente assim
que desbloqueia a passagem e vou à procura de Theodore e April para
os consolar, pois acredito que com isso tudo que a pequena esteja
chorando.
~*~
Depois do jantar ficamos
um tempo assistindo uma série na tv, April já quase que dorme de nuca
deitada no meu colo ao qual vou continuamente fazendo um delicioso
cafuné e Theodore parece mesmo absorto em perceber quem vai ser o cara
que Olivier Queen vai pegar dessa vez na série da
DC, Arrow. Christian
sumira por magia que nem aparecera mais para jantar, nem fazer companhia
aos filhos que pareciam meio tristes pela constante negação do pai em
relação a fazer um desejo acontecer.
Olho o relógio e vejo
que são 22:15. Balanço o ombro de Theodore para desligar a tv, pois é
hora de subir e já é tarde para eles. April por sua vez parece pegada no
sono que a pego com cuidado no colo a embalando docemente em meus
braços.
Subo com o menino que
segue na frente pulando de dois em dois degraus. Passando o corredor
abro a porta do quarto de April com o pé e deito a pequena na cama com
cuidado. Acaricio um pouco o seu rostinho e tento libertá-la dessas
roupas sem acordar. Visto um pijama da Hello Kitty nela e a cubro
totalmente. Vou em seguida ver de Theodore que já está deitado em sua
cama com o livro da BD favorito.
— Teddy vê se não adormece tarde! - indico da ombreira da porta.
Volto para trás e escuto
choro, corro para o quarto de April e a encontro novamente a chorar. A
embalo em meus braços de forma protectora a espantar esse maldito
pesadelo que possa estar perturbando a sua cabecinha e ela me aperta com
força.
— O que foi minha princesa? - questiono preocupada, porque a sinto frágil e isso sempre acontece quando fica sozinha.
— Tenho medo, muito medo... não vai, por favor... - implora com o rosto escondido a mim. - Dorme comigo...
— Claro que sim...
Aconchego ela melhor a mim e deito de conchinha a protegendo em meus braços como e aos poucos me deixo adormecer com ela.
Gostaram?
O que tem a dizer dessa reacção de Anastacia a esse beijo? Sobre os pensamentos dela?
E o pedido dos pequenos em querer adoptar uma mascote?
Acharam que Anastacia se impôs certo? Christian vai mudar de opinião depois dessa pequena divergência de opiniões?♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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