Herança do Amor - Capítulo 3

Pov. Christian Grey

Já anoiteceu lá fora e estou aqui em cima da cama, não me apetece comer e só quero ficar sozinho a olhar essa panorâmica da cidade, quero esquecer que este dia alguma existiu.

A minha mãe foi ver como estão April e Theodore. Talvez dar a notícia para eles que não me sinto capaz de o fazer, não consigo encará-los olhos nos olhos, pronto. Me chamem de fraco ou intolerante não quero saber.

Levanto e fico de pernas cruzadas em cima desses lençóis azuis turquesa, a cor favorita de Olivia e os meus olhos correm as paredes cheias de retratos pintados pelos melhores artistas da Europa. Em todos Olivia ostenta o seu sorriso natural e apaixonante. O mesmo sorriso pelo qual me apaixonara terrivelmente no primeiro encontro. 

Recordo como se fosse ontem.

Garota mimada.

FlashBack on

Uma vez perdida a hora e acordei tarde por causa do meu irmão. Elliot que vive com a mania que devemos ir para a noitada todos os dias e aproveitar os mega happy hour, porque acha divertido.
Corro as escadas da mansão Grey à pressa e Dorotheya me olha com uma expressão zangada, ela sabe que não vou tomar o café da manhã como gostaria, pois tenho que voar, ou vou ter falta no primeiro tempo e preciso dessa cadeira ou não vou me formar nunca. Não quero andar a patinar como o meu irmão que já está a repetir o 2 ano de arquitetura, quando pelo que sei devia estar já no útlimo, só porque acha maneiro ser veterano.

- Nem vou comentar... - fala ela entre dentes ao pegar nas comidas dispensadas na mesa.
Vou correndo para a garagem e Taylor já se faz esperar por mim de porta traseira aberta e em seu terno impecável, o que me leva a pensar que esse homem não dorme.

- Para a faculdade, Taylor! Já estou atrasado! - indico me instalando no banco traseiro e bagunço os cabelos rebeldes.

Ele não tece uma palavra que seja, simplesmente limita a fazer o seu trabalho me levando para a faculdade sem demoras. Ao chegar salto do carro como um avião e a pressa é tanta, o atraso imenso que nem olho por onde ando. Quando estou prestes alcançar a porta da entrada esbarro com uma moça. Ambos vamos ao chão e fico fulo da vida, porque sou um desastrado e agora machuquei a garota. Pior são mais uns minutos de atraso.

- Oh merda... - coço a nuca não sabendo nem por onde começar.

- Devia olhar por onde anda não é Grey?

A voz dela sai mesmo furiosa e quando levanto os olhos para encarar o rosto da moça com quem esbarrei, o meu coração perde a batida. Olivia é uma das garotas mais bonitas da faculdade, tem uma grande popularidade e é uma ex-líder de torcida do colégio onde estudamos anteriormente.

Ela está estudando direito e sei que sei que será uma grande advogada, pois é bem inteligente e arrisco a dizer que brilhante. Ela faz estágio no escritório do meu pai e sonha um dia abrir seu próprio escritório de advocacia em Seattle.

- Desculpa eu realmente não olhei e estou mega atrasado! - falo ao ajudá-la com a pegar os cadernos do chão.

- Se não vivesse tanto de baladas, não estaria correndo que nem um louco! - reviro os olhos para o comentário.

- Já pedi descupas, ok? - indaguo começando a ficar irritado.

Olivia ergue a cabeça, mostrando aquele seu nariz empinado e prende os cadernos junto ao peito. Ela às vezes consegue ser tão insuportável, não sei como consegue se dar bem com Mia. Bem pensando melhor, mulheres se entendem todas muito bem.

Começo a virar as costas para ela e dou uma olhada no relógio Omega enquanto caminho, mas não o suficiente até a sua mão apoderar do meu pulso e travar para encará-la de imediato, olhos nos olhos. Cinza no azul, azul no cinza.

- Eu aceito as tuas desculpas, Grey! - fala ela prendendo uma mecha marrom atrás da orelha. - Talvez tenha sido rude demais contigo e nem tens culpa...

Baixa o olhar submissa e sorrio. Gosto quando as garotas se dobram para mim. Me faz sentir superior e macho.

- Tudo bem, eu perdoo! - e estendo a mão para ela e que fica olhando de sobrancelha arqueada, mas acaba entrelaçando a sua mão na minha. - E que tal a gente começar de novo?

- Eu acho ótimo! - ela sorri de canto e eu adoro o seu sorriso, é o mais genuíno que alguma vez conheci.

FlashBack off

Essas lembranças são tão fortes que estou aqui novamente lavado em lágrimas e segurando o travesseiro dela para poder sentir sua presença uma vez mais. O seu cheiro ainda é muito ativo, um aroma de baunilha.

Sorrio ao fechar os olhos e deito para cima do travesseiro, o imagino como se fosse o corpo de Olivia. Inalo de novo o aroma que está impregnado nesse lençol e novas lágrimas libertam das minhas órbitas.

Rebolo na cama e levanto, solto o travesseiro e andando até ao closet dela, o lugar onde a sua presença se mantém tão pesada. Lugar esse onde a vi tantas vezes nua vestindo na frente desse largo espelho com rebordo dourado. Olho para o lado esquerdo e vejo as suas roupas dispostas por cores, tamanhos e formatos. Sorrio, porque ela sempre gostava de tudo organizado. Nisso somos tão idênticos.

Aproximo da gaveta onde ela guarda as roupas íntimas e puxo de lá um sutiã preto rendado, recordo que eu mesmo o havia oferecido no nosso primeiro ano de casamento em conjunto a uma calcinha de fio. O levo ao nariz e inalo o cheiro dela, o cheiro que não me sai do olfacto, o sinto que está por toda a parte desse apartamento.

- Sinto tanto sua falta meu amor... - sussurro ao guardá-lo dentro da gaveta. - O que vai ser de mim sem você? - questiono zanzando para fora do closet.

No quarto olho a noite escura de Seattle e saio em direcção à sala. Tudo está silencioso, nem sinal de Gail, nem das crianças, nem da minha mãe.

- Ótimo recolheram todos!

Aproximo do barzinho e pego o whisky enchendo o cálice, junto umas pedras de gelo e beberico enquanto vou andando até ao piano. Em outro momento pegaria nessa minha vontade e viraria a noite tocando um dos meus temas melancólicos favoritos, mas hoje em particular não me apetece e só quero ficar com o meu amigo álcool. Ele sim, entende o verdadeiro significado da dor que sinto dentro do peito e nesse momento é o único capaz de me consolar.

- E eu que dizia que o amor é para os fortes, mas olha só o estado em que estou! - falo num murmúrio baixo quase irónico.

Encaro a meia luz, volto a encher o cálice com outra quantidade generosa e a tomo numa única virada. Repito o mesmo procedimento umas outras vezes e aos poucos o meu corpo começa sendo tomado por uma anestesia alcoolizada. Começo a entrar num estado eufórico enquanto zanzo pela sala repleta de retratos de Olivia com os nossos filhos.

No primeiro retrato junto à tv está Olivia com April no seu primeiro recital de ballet. No segundo Theodore recebendo o prémio de mérito da escola como melhor aluno da classe. Por fim, mais junto ao corredor, Olivia ao meu lado com os nossos filhos, no dia da graduação de Mia em Gastronomia Le Cordon Bleu em Paris.

Os meus olhos ficam marejados, uma súbita raiva toma conta do meu interior e o cálice que tenho nas mãos o jogo direto contra a parede o vendo estilhaçar por completo.

Não me preocupa o barulho que estou causando, estou furioso. Furioso porque sou um merda, que não mereço ser feliz. Estou pagando caro a factura da sorte. Primeiro a minha esposa morre e o que mais? Os meus filhos vão morrer também?

Cerro os punhos com um ódio tal que começo a derrubar tudo o que vejo pela frente. Cadeiras, quadros, retratos, jarrão veneziano o quebrando em mil pedaços nesse chão frio. Ando por cima dos cacos descalço não me preocupando se vou ficar machucado ou sangrar. Essa dor é a menor da que sinto por dentro de um peito deferido.

- Senhor Grey! - Taylor aparece seguido de Gail que aparecem com o barulho. - O que está fazendo?

Gail trava assustada me olhando. Confesso que não estou confiável para que se aproximem de mim. Só que Taylor é militar de formação e me cerca puxando para si ao qual rebato furioso, pois se tem coisa que odeio é que me impeçam de fazer o que quero e neste momento apetece quebrar tudo em meu redor.

- Por favor se acalme meu senhor! - implora Taylor.

- Talvez seja melhor chamar a senhora Grey! - interpela Gail preocupada já indo pegar no telefone sem fios no hall da entrada.

- Qual delas? - pergunto irónico. - Se for a minha esposa tem que ir no necrotério, sabe? - ela me olha horrorizada. Talvez meu humor esteja negro e assustador. - Agora se for a minha mãe vá saber se está em casa ou no hospital...

- Já chega senhor! - Taylor ordena sendo disciplinado. - Está fora de si para falar essas coisas!

- Que eu saiba o seu chefe aqui ainda sou eu! - aponto o dedo para ele assim que me liberto da sua brutalidade. - Eu pago o seu salário todo o mês e não admito que me dite ordens, entendeu? - ele assente baixando a cabeça submisso.

Isso gosto que sejam todos submissos à minha pessoa. Mostra minha superioridade. Eu posso estar fodido da vida, um merda de um filho da puta sem sorte, mas ainda continuo a ser o Grey que manda nessa porra toda.

- Senhor pelo menos me deixe cuidar dos machucados, está sangrando!

Gail novamente tenta vir com a sua voz doce, olhar suplicante a ver se me comove, mas estou pouco lixando para os machucados. 


Gostaram?
Esse Christian ainda está bem perdido, não é?
Comentem, meninas quero saber o que estão achando.
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Se forem receptivos comentando bastante volto voando. :) Então é uma boa proposta? Então força gente.
Até ao próximo capítulo, Lucy.  

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