Herança do Amor - Capítulo 4

Pov. Christian Grey

5 dias depois...

Há dias que não me apetece acordar, ou sequer sair dessa cama, mas hoje eu preciso mesmo de levantar e enfrentar a merda da vida. Não posso andar a fingir que o tempo parou. A empresa está um caos sem a minha presença e Ross está à dias a segurar as pontas para mim, mas só eu sei o modo de como gosto ter tudo sobre o meu controle.

Olho para o lado e o relógio do criado mudo, marca 7:30. Levanto da cama mesmo a contra vontade e vou direto para o banho. Faço a barba e passo um pouco de after shave no rosto.

De toalha enrolada no quadril dou passadas largas para closet bem arrumado por divisórias. Gail realmente conhece os meus gostos. Pego umas cuecas boxe Calvin Klein brancas as visto assim que deixo a toalha cair no chão lado a lado aos meus pés. Em seguida ando até à porta esquerda de vidro retiro as calças do terno azul marinho e visto. Mais a direta as camisas pré-dispostas em fila indiana, puxo a branca a apertando botão por botão de cima para baixo.

Quando estou já apertando os punhos da camisa, puxo a gaveta do cómodo mais a esquerda e vejo uma colecção de gravatas cinza, pretas e azuis. Decido optar pela cinza para realçar a tonalidade dos meus olhos. Alço o relógio Omega e pego o iPhone de cima do criado mudo trazendo por cima do ombro o paletó por último.
 Na cozinha Gail cuida do café da manhã com cheiro delicioso para toda a família, pois logo os meus filhos estão descendo para ir para o colégio.

- Bom dia senhor Grey! - cumprimenta toda cheia de etiqueta que dispenso.

Aqui em casa gosto que me chamem de Christian, apenas. Prefiro deixar o Grey para os desconhecidos ou para os funcionários da GEH. E Gail já trabalha para mim tem alguns anos.

- Christian apenas, Gail! - digo e ela encolhe os ombros. - Os meus filhos já acordaram? - pergunto.

Ela passa o café forte para mim e depois me deixa um prato com ovo mexido na frente. Ataco de imediato o jornal, o folheando por alto.

- O menino Theodore quando subi para chamar já estava acordado e a menina April nem sequer sai da cama, diz que não quer ir no colégio. - fecho um pouco os olhos traçando uma linha rígida nos lábios.

Eu preciso de uma solução, os meus filhos precisam de disciplina, ou eu não vou conseguir ter mão neles. Apesar de não sentir capaz de os encarar olhos nos olhos. Na verdade à dias que venho evitando estar com eles, porque volta e meia uma revolta interior me consome e quando dou por mim estou quebrando tudo dentro do meu quarto.

- Não está conseguindo dar conta do recado, não é?

Gail junta ambas as mãos próximas ao quadril enquanto me encara e o seu semblante demonstra cansaço. É talvez esteja na hora de implorar a Mia para que não desista de contratar alguém para tomar conta deles. Pois todas as babas anteriores que vieram para ocupar esse lugar, acabaram corridas por April que decidiu detonar todas elas. A última recordo que saiu com esmalte nos cabelos e furiosa e que Mia para segurar a situação ofereceu uma ida à mulher no salão, sendo que ficou bem horrível.

- Deixe de preocupação, irei falar com Mia para continuar procurando alguém e assim você fica com o serviço mais folgado. - ela sorri amável.

As portas do elevador se abrem atrás das minhas costas e olho por cima do ombro. É Taylor chegando de mãos sobre o paletó o ajeitando.

- Bom dia senhor Grey o carro está pronto! - cumprimenta sem delongas, se cingindo ao profissionalismo de sempre.

Levanto da mesa e passando o guardanapo nos lábios. Agradeço a Gail pelo café e começo a dirigir para o elevador quando escuto passos apressadas correndo uma escada imensa.

- Papai não vai dar um beijo de bom dia?

O meu coração congela ao escutar a palavra "papai" e percebo nesse exacto instante que tenho sido um pai ausente para os meus filhos que perderam a mãe recentemente.

Uma mãozinha toca a ponta do meus dedos e baixo o olhar a essa sensação quente do toque da mão da minha filha. Agacho para encará-la nos olhos e ele pende a nuca me observando com os seus olhos azuis oscilantes. O seu rosto está triste, tem dias que Gail vem me reportando o comportamento dos meus filhos, alegando que estão bem tristes e numa mágoa profunda, pois sentem muito a falta da mãe. E toda a noite chamam por ela chorando.

- Bom dia meu amor... - aproximo os meus lábios da sua bochecha descorada ao agachar ligeiramente e ela me abraça forte.

Faço um esforço tremendo para não desabar em lágrimas com ela. April é tão amorosa, tão delicada, tão igual à mãe que tudo isso mexe comigo.

- Agora sim, o senhor ganhou o dia. - diz ao afastar os seus bracinhos de mim e corre para junto de Gail abraçando a barra da sua saia.

De pé, limpo as lágrimas rasas dos olhos e entro dentro do elevador com Taylor que permanece imóvel e em silêncio. As portas fecham mesmo comigo a encarar os olhos submissos da minha filha.
 Me parte o coração vê-los assim. Sinto que me vejo no espelho e que eles são o meu reflexo.

- Senhor Grey?

Abro os olhos que nem dei conta que os fechei. Encaro Taylor e percebo que já estamos no térreo, as portas do elevador abertas para nós. Sigo atrás dele sem abrir a boca, me munindo somente ao silêncio de palavras e vou até ao carro, ao qual abre a porta traseira para mim e entro me instalando um cauteloso silêncio.

Enquanto o meu segurança dá a volta para se instalar no seu lugar do motorista, puxo o iPhone do bolso interno do paletó e procuro na lista o nome Mia, pois preciso de ligar para ela e pedir urgência na contratação de uma nova babá. Sei que ela é a pessoa indicada e desde logo foi quem se ofereceu para tal serviço no dia do enterro de Olivia.

FlashBack on

Acabei de enterrar o grande amor da minha vida. Só eu sei o quanto me dói por dentro ver ela descer esses 7 palmos na terra e ficar aqui imóvel a observando ela partir. Dói mais ainda saber que essa foi a última vez que vou poder tocá-la, sentir o seu cheiro a baunilha ou beijar os seus lábios agora gelados e sem vida.

Não consigo me conformar e a única vontade que me surge, é me jogar nesse buraco fundo e abraçá-la contra o meu corpo, para que sinta sinta o calor que posso transmitir. Sinta a batida desse coração que bate por ela, apesar do seu ter perdido a batida frenética.

- Christian por favor tem reagir, irmão! - a voz feminina e baixa de Mia ecoa no meu ouvido.

Os seus braços envolvem o meu tronco que não reajo como devia, pois sempre temi o toque. Mas hoje em particular não estou importado com isso.

- Ela se foi... - é tudo o que deixo escapar dos meus lábios.

- Olivia foi embora, mas você está aqui e os meus sobrinhos precisam do pai deles! - os seus olhos estão grudados nos meus totalmente perdidos. - Você não pode desistir de tudo agora, justo quando eles mais precisam de que seja firme como rocha. Christian eu sei que é difícil, mas você não está sozinho! - suspiro pesado e volta e meia olho para a esquerda, onde estão lançando porções de terra para cima do buraco. - Eu vou estar aqui, a mãe, o pai, o Elliot... eu vou estar sempre pronta a ajudá-lo em tudo o que precisar, irmão. Não está sozinho, todos que ama o querem bem.

Embebido pelas lágrimas ergo a mão ao rosto da minha caçula e passo com a ponta dos dedos roçando ali na sua pele macia. Mia é um doce de pessoa e é a melhor que eu conheço. A responsável pelos avanços positivos da minha infância. Devo muito da vontade de viver a ela.

- Obrigado, Mia! - abraço forte enterrando a minha cabeça nos seus cabelos escuros. - Obrigado por não me deixar cair. Eu te amo, irmã.

- Eu também te amo, irmão! Você sempre foi o meu favorito, mas não conta para o Elliot, okay? - e rio sai abafado nos seus cabelos. - Estou falando sério, meio que me mata e ocorre a 3 guerra mundial, porque dona Grace não vai deixar isso barato.

FlashBack off

Ao fim de uns três toques de chamada uma voz feminina atende do outro lado e sorrio com a boa disposição que a minha irmã consegue ter logo bem cedo e convenhamos estão agora são agora 8:00.

- Ligando porque está com saudades da sua irmã favorita?

- Não só, mas também. - respondo olhando para Taylor que volta e meia olha pelo espelho retrovisor. 

- Preciso que apresse a contratação de uma babá, Gail já não está dando conta sozinha.... - ela suspira do outro lado cansada também pelas negações dos sobrinhos em aceitar alguém.

- Tudo bem! Tudo bem! Vou arrumar um jeito... - fica pensativa. - já sei... - lembra rapidamente. - 
Vou usar a sua empresa para recrutar a pessoa certa, você vai ver!

Olho para o lado e vejo que o carro para na frente da Grey House e abro a porta saindo não precisando de tanto zelo. Vou andando de olhos postos no movimento fresco da manhã de Seattle, está realmente fresco demais e parece que vai chover.

E esse céu está como eu, cinza.

- Espero que saiba o que está fazendo! - digo ao começar avançar para a porta giratória.

- Deixe comigo! - confirma confiante e desligo a ligação, guardando assim o aparelho no bolso interno do paletó.

Atravesso as portas giratórias e ao adentrar esse espaço largo, percebo que os funcionários tomam uma postura diferente e mais rígida à minha presença, como se os intimidasse, e tem um fato de que sim. Dentro da GEH, gosto de transparecer um homem sério, um CEO frio, cauteloso e um mistério para todos.

As atendentes perdem a vontade de rir e me olham totalmente submissas. Dirijo para o elevador e carrego no botão. Olho por cima do ombro e tanto uma como a outra me encaram nervosas, se escondendo ao máximo atrás do balcão, como se estivessem acabado de cometer algum crime.

As portas enfim abrem e entro mantendo de postura erecta e expressão impassível. Os número da tela superior vão decaindo rapidamente e uns nem 20 segundos, as portas abrem e a minha primeira visão é Andrea, a minha assistente pessoal com agenda electrónica na mão.

- Bom dia senhor Grey! - cumprimenta profissional e de pé.

- Andrea na minha sala! - ordeno sem grande emoções.

Ela assente positivo e segue atrás de mim ao qual abro as portas do escritório indo para a minha secretária de executivo. Andrea para uns escassos metros de mim, talvez temendo que vá ser ríspido, mas só sou assim se os meus funcionários não responderem aos requisitos que imponho nessa empresa de grande prestigio internacional.

- O que tem marcado na agenda para hoje? - pergunto roçando mão contra mãos de cotovelos apoiados na mesa da secretária.

- Senhor Grey tem uma reunião geral marcada para às 10:00 com a Ross. - começa ela a informar ao passar os olhos verdes água na tela digital. - Às 14:30 reunião com os accionistas, é a primeira reunião... do mês. - a voz da minha assistente falha por um momento e ergo o olhar ríspido a ela, mas o aligeiro percebo que ela se corrigiu automaticamente. - E mais para o final da tarde, nas 17:00 a reunião com o departamento de Marketing pelo lançamento dos novos equipamentos Apple que a empresa tem parceria.

- É só? - pergunto como se já não fosse uma agenda lotada e ela confirma com um aceno de cabeça.

- Sim...

- Pode ir!
~*~

Sozinho levo as mãos às têmporas da cabeça e encaro o porta retrato em cima da secretária. É Olivia comigo e nossos filhos numa tarde em Aspen, na minha casa de inverno em um desses finais de 
semana passado em Novembro.

- Se soubesse o quanto sinto sua falta, Olivia! - sussurro pegando o retrato e deixar um selinho ali no vidro.

Logo duas batidas na porta me incomodam e libero o retrato o recolocando no devido lugar e permito a pessoa entrar. Era Ross o meu braço direito.

- Espero que não tenha chegado cedo demais para a nossa reunião!

- Não está dentro do horário, Ross! Sente, por favor. - indico com um gesto e ajeito o paletó a observando. - Então me conte, quais os avanços da GEH na minha ausência? - vou direto ao ponto.

Dentro da minha empresa sou curto e direto. Não dou margem a delongas nas conversas e nem gosto de enrolar ninguém com nada. Se não gosto, não aceito, simples. Se gosto elogio, mas somente no quanto basta, não vá o funcionário abusar da generosidade do chefe.

Ross começa reportando todo um relatório semanal, explicando alguns novos avanços e recuos da GEH relativamente a uns novos investimentos de risco. Eu sei que nunca fui um homem de me arriscar muito e que não aceito desperdícios. Na verdade odeio essa palavra e nem devia existir no vocabulário de um Grey.

- Tem ai uns dois contratos bem complicados que exigem a sua presença, Grey! Eu bem tentei enrolar, você sabe como são os franceses, é tudo preto no branco para eles. - explica ela e debruço sobre a secretária pegando a pilha de papéis da sua mão para analisar.

- É um negócio de milhões e bem lucrativo para a empresa. - passo os dedos na barba rala. - Vou falar com a minha assistente e marcar uma reunião... - mas Ross interrompe.

- Ai é que está o problema... - faço uma expressão confusa, mas ela continua. - Eles até estão dispostos a negociar e fechar negócio com a nossa empresa, mas terá que ser em Marselha, lá na França.

Marselha? Merda, isso não me calha nada em boa hora nesse momento. Estou sem disposição para ingressar em uma viagem de negócios.

- Marselha? França? Não tem como viajar agora, Ross! - levanto abruptamente da cadeira a fazendo desandar para trás com a minha agressividade.

- Eu compreendo toda a situação embaraçosa que se instalou na sua vida, mas temos que ver que é um negócio de milhões. A primeira porta aberta para os negócios vinculativos na Europa. Já para não falar que tem uma grande probabilidade de abrir um caminho novo para a construção da primeira filial da GEH fora do continente Americano.

Vistos os pontos dessa perceptiva, começa ficando terrivelmente complicado negar tal negociação. Só que a minha vida agora não é só trabalho, eu tenho dois filhos. Tenho que pensar neles também. A minha ausência neste momento, não faria nada de bom para a minha relação com eles. Eles perderam recentemente a mãe, uma figura de peso na suas vidas e do nada o pai ausenta por trabalho?
Não, está fora de questão.

- Daqui a quanto tempo é que tenho que dar uma resposta? - viro de costas para Ross.

Os seus passos atrás de mim ficam audíveis e respiro fundo. Estreito o olhar a esses piões que circulam na avenida lado a lado a uma circulação carregada de automóveis saindo furiosos por essa via fora.

- Tem 20 dias para dar uma resposta conclusiva! - informa.

Viro para encarar o meu braço direito de expressão impassivel.

- Então daqui a 20 dias dou uma resposta. Esse assunto está encerrado no momento! - ela assente em concordância.

- Mas já que estou aqui, como você está?

- Tentando superar todos os dias um pouco. - e lanço um olhar ao retrato em cima da secretária. 



Gostaram?
Christian está mesmo desesperado em arrumar alguém para cuidar dos filhos, não?
E esse retorno à empresa?
Acham que ele devia mesmo pensar sobre a viagem a Marselha? Na vossa opinião deve ir ou não?
COMENTEM ♥
Uma dica para abrir o apetite, está muito próximo o encontro. Convenci? Irei voltar já já com novo capítulo, dessa vez Pov. Mia Grey! Quem gosta dela bota o dedo no ar.
Até ao próximo capítulo, Lucy.  

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