Herança do Amor - Capítulo 5

Pov. Mia Grey

Meu irmão parece mesmo aflito com o fato de necessitar de uma babá urgentemente e até entendo. A pobre Gail tem coisas de mais para cuidar, imagine ainda adicionar mais duas crianças ao seus encargos domésticos. Pobrezinha, não merece ser escrava de ninguém e tenho que pedir ao meu irmão um pouco de clemência com ela, pois tem sido um pilar muito sustentável na sua família.

Óbvio que com tudo isto, começo a desesperar por não conseguir encontrar nenhuma pessoa que agrade os meus sobrinhos que estão sendo bem difíceis para falar a verdade, pois não aceitam que pessoa alguma do sexo feminino chegue para ocupar um lugar importante em suas vidas.

Quer dizer, Theodore não está nem um pouco preocupado com isso, ele sempre foi um menino solitário igual o pai, já April é quem tem feito uma grande tempestade um copo de água e Deus me dê forças para não desistir, ou juro que não sei o que será dessa família.

- Então senhorita Mia não larga esse notebook nem um segundo, não? - escuto falarem comigo e saio rapidamente de um transe de pensamentos erguendo o meu olhar a Dorotheya.

- Estou respondendo a uns e-mails! - digo voltando a concentração ao notebook.

- Já encontrou alguém para cuidar dos meninos? - pergunta ela debruçando sobre meu ombro e nego com uma aceno de cabeça. - Pobres crianças que estão há deriva! - suspira e fecho a tampa do note. - Já vai?

- Tenho ir correndo, tenho entrevistas agora! Me deseje sorte, Dorotheya! - peço pegando no aparelho no antebraço e deixo um beijo na sua bochecha meio enrugada.
Saio porta fora em direção ao meu Mini Cooper vermelho e o destravando saio logo numa cantada de pneus estrada fora.
~*~

Chegando na empresa do meu irmão, vou correndo em cima dos meus louboutin de salto 25 centímetros para a porta giratória e quase que tenho um acidente com um bonitão alto e sexy, mas desvio essas atenções ter outras prioridades no momento. É Mia em outro momento você pode ficar observando e tirar todas as lascas, agora concentra, informa a minha voz interior e reviro os olhos me dirijindo ao balcão geral de informações e já ter Stella me sorrindo amarelo.

- Seja bem vinda senhorita Grey! - cumprimenta formal. - Já providenciei a sua sala, é no vigésimo sexto andar.

- Ótimo, obrigado! - agradecendo rodando em cima dos saltos em direcção ao elevador.

De novo aquele bonitão dos olhos verdes aparece e creio que vai pegar o mesmo elevador que eu. Tento parecer que estou nem ai, mas ele me olha algumas vezes e sorrio de canto. Quando as portas se abrem para nós, ele acena para que entre primeiro.

Nossa gostei disso, é cavalheiro.

Só que para pena minha ele acaba saindo no décimo primeiro andar e nem havia tido oportunidade para trocarmos umas palavras, pois o elevador vinha com algumas pessoas. Logo que saio no vigésimo sexto andar, sigo até ao balcão das assistentes do departamento de recursos humanos e me encaminham para a tal sala que mais parecia um salão de chá.

Meu deus meu irmão sempre exagerado com tudo. Com o Christian é oito ou oitenta.

- A senhorita Grey vai desejar um café? Uma água? - pergunta Rebecca prestável.

- Traga um chá, pode ser de Jasmin! - ela assente saindo cordial da sala e me deixa sozinha.

Inicialmente olho em volta e só então é que ligo o computador da secretária e vou no meu e-mail para verificar se teria mais alguma resposta. Nem uns 2 minutos, já estão batendo de novo na porta e ergo o olhar dando permissão. É Rebecca com o meu chá e uma candidata atrás de si.

A primeira entrevista foi um fiasco, pois a moça achava que vinha para algo envolvente com a GEH que assim que expliquei o motivo real, ela negou. Dai passei à segunda candidata e essa agradou um pouco, pois até parecia ser uma séria profissional para cuidar dos meus sobrinhos. Já não dizer que tem um currículo vasto em experiência e algumas cartas de recomendação de grandes famílias de Seattle, quase que irrecusáveis de fechar os olhos e deixar passar em branco.

- Seu currículo é brilhante, senhorita Mila! - elogio impressionada.

- Preparada para conhecer os meus sobrinhos? - pergunto ao levantar de trás da secretária.

- Sim... claro que sim! - ela sorri.

A encaminho para fora da sala e seguimos para os elevadores a ponto de ir para o escala, pois agora é que eu ia tirar a prova dos nove e seguir com a segunda fase da entrevista.

Oh Deus, me ajuda. Peço por tudo.
~*~

Chegando no edifício do escala vou explicando algumas coisas importantes para Mila que simplesmente acena com a cabeça escutando atentamente tudo o que falo. Okay, talvez esteja simplesmente falando pelos cotovelos, mas isso é porque me entusiasmei demais.

Quando as portas do elevador se abrem para nós, saio com a futura babá e encontro Gail regando umas plantas junto dos grandes painéis em formato de janela.

- Gail os meus sobrinhos estão? - questiono e ela que parecia cantarolando baixo se assusta deixando o pequeno regador cair no chão que logo as águas saem vertendo.

- Oh meu deus! - ela agacha para limpar a bagunça e meio que me sinto culpada.

- Desculpe, Gail!

Ela se levanta e me olha com uns olhos azuis doces, sem maldade e me informa que os meus sobrinhos estão no andar superior. É então que me viro para Mila que observando tudo com entusiasmo e lhe peço para aguardar uns minutos.

Subo de dois em dois degraus até ao andar superior e percorro o corredor de passo assertivo. Escuto barulho na biblioteca e sigo para lá abrindo a porta e encontro meus dois sobrinhos cada um no seu canto. Theodore concentrado em fazer seu dever de casa em cima da mesa de estudo e April no chão jogando na ps4 o jogo do Angry Birds, mas sempre a xingar.

Entro em silêncio dentro da sala e mantenho as mãos sobre os quadris. Solto um pigarro para obter atenção de ambos e logo os olhos de Theodore e April voltam na minha direcção.

- Tia Mia!

April coloca o jogo em pause e levantando do chão vem correndo para mim ao qual abro os braços para a receber. Eu amo essa pequena, é tão fofa e tão amorosa. Theodore ao contrário da irmã não sai do lugar, somente me acena com o lápis da Grey House na mãozinha esquerda. Sim, meu sobrinho é esquerdino igual o avó Carrick.

- Veio fazer visita para a gente? - Theodore é quem pergunta.

- Bom... - pouso April no chão e ela volta correndo para a frente do LCD. - Eu vim porque tenho mais uma babá para vocês conhecerem... - mas a mais pequena interrompe de imediato.

- Não quero nenhuma babá! - ela faz um bico emburrado e encolho os ombros exasperando. - NÃO! NÃO QUERO!

- Calma meu amor! - tento apelar com o meu lado doce. - Ela só quer conhecer e cuidar de vocês...

- Não! Não quero nenhuma substituta para a mamãe! Quero a minha mamãe aqui! - diz ela começando a verter lágrimas dos seus olhinhos doces e azuis que deixam muito mexida, pois sou uma mulher muito emotiva e se uma criança chora, choro junto em compaixão. - Mamãe falou que voltava! - bate o pé e as lágrimas rolam do seu rostinho. - Vou esperar ela voltar da sua viagem muito grande!

Aproximo dela, agacho à sua altura e a pego em meu colo a tentando embalar como se ainda fosse um bebé, igual as vezes que o fazia quando meu irmão me pedia para cuidar dela, porque ia ter uns jantares românticos com Olivia. Acaricio o seus cabelos lisinhos e deixo um beijo casto ali.

- Ninguém vai substituir sua mamãe, meu amor... - explico olhando em seus olhinhos. - A Mila só vai querer cuidar de vocês, ajudar a Gail que anda cansada... - ela encolhe um pouco contra o meu corpo, continua chorando. - Não chore meu amor, assim a tia Mia chora também. - afago com doçura os seus cabelos.

- Mas ela vai embora quando a mamãe voltar? - pergunta voltando a me encarar e limpa as lágrimas com as costas da mão. Oh minha guerreira. - A mamãe vai voltar, não vai tia?

- Não April a mamãe não vai voltar! Não lembra o que a vovó Grace falou? - Theodore é quem abre a boca pela primeira vez e olho por cima do ombro. - Ela falou que a mãe agora é uma estrela lá no céu. O papai do céu a pegou para sempre! - sorrio breve com o modo de como ele compreende fácil as coisas.

- É isso mesmo... - concordo. - A mamãe é uma estrela entre muitas no céu e sabe que mais? - ela abre muito os olhos mostrando o seu instinto curioso. - Sempre que você estiver triste e quiser um consolo dela, vá na janela e olhe o céu, porque uma dessas estrelas vai brilhar mais intensamente e essa será a sua mamãe zelando por você, meu amor. - e a abraço com ternura.

~*~

Depois de um esforço lá consegui convencê-los a pelo menos conhecer a babá. Chamei Mila e aparentemente parecia tudo calmo, até que os deixei se conhecendo um pouco na biblioteca e decidi descer para tocar uma conversa com Gail que estava na cozinha de volta das panelas.

- Então Gail o que vai ser o almoço? - pergunto ao debruçar sobre o balcão inalando esse aroma tão delicioso dos seus cozinhados.

- Strogonoff de frango com batata palha! - responde ela pousando o pano laranja sobre o ombro. - A senhorita almoça?

- Não, não!

- Podia... - mas ela trava a frase assim que começamos escutando uma gritaria louca.

Olho para Gail assustada e ela olha para mim igualmente e ambas vamos correndo para a sala no intuito de entender o que está acontecendo e o meu espanto é que vejo a babá correndo escadas a baixo com plasticina nos cabelos apanhados em dois totós, as unhas pintadas com os marcadores coloridos de April, a camisola manchada de tinta aguarela vermelha, os lábios pintados com batom pink do estojo de maquiagem da barbie.

- VERDADEIROS TERRORES! - diz ela aos gritos passando por mim lado a lado e meio que fico a olhá-la incrédula. - ESTOU FORA! Ela é uma peste do pior! - informa ao entrar no interior do elevador.

Logo que a babá sai num fiasco completo tento manter uma expressão pouco amigável no rosto ao encarar meus dois sobrinhos. Theodore porque encolhe os ombros em descaso e April porque sorri matreira achando que fez a melhor coisa do mundo.

- Não deviam ter feito isso com a pobre Mila! - aponto o dedo ao chamá-los à razão.

- Ela é uma bruxa! Queria me obrigar arrumar as minhas coisas e eu não quero! Gail arruma para mim! - olho para Gail e ela sorri sem graça. - Além disso ela não manda em mim, não manda mesmo!

- Não, não... - nego. - A Gail não é sua empregada, meu amor... - mas ela interrompe.

- Mas o papai paga o salário dela, não é? - suspiro. - Então é sim, e não quero nenhuma outra babá, tia Mia! Porque se voltar com outra, detono igual essa, não é Teddy? - e desvio o olhar a Theodore que encolhe os olhos de braços cruzados.

- Meu deus o que eu faço com esses dois? - sopro num fio de voz.

- Tenha paciência, senhorita Mia! Você vai encontrar a pessoa certa... - diz Gail cheia de esperança. 



Gostaram?
O que tem a dizer dessa tia Mia, hein? Alguém está querendo adotá-la como tia ai? haha
E esses dois? Theodore vos lembra alguém? April parece mais tentada a cometer muitas sabotagens... haha as babás que se cuidem.
O que acharam desse momento de ternura de Mia com April?
Comentem meninas dando vossa opinião, sim? Quero saber o que acharam.
COMENTEM ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy  

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