Herança do Amor - Capítulo 6

Pov. Anastacia Steele

Estou cansada de receber não, atrás de não. Hoje corri mais uma quantas empresas, incluindo aquela mais popular de Seattle entregar um currículo, mas sinceramente quando olhei aquelas loiras todas platinas percebi que eram escolhidas a dedo pelo chefe, então perda de tempo. Porque aposto que assim que me virem morena, serei descartada na hora.

De seguida corri o shopping inteiro, não sei quantos currículos mais entreguei, só sei que estou desesperando e daqui a pouco preciso de vender o carro para pagar as contas, porque não vou aceitar caridade da minha amiga. Ela já está fazendo muito por mim ao pagar tanta coisa. Não gosto de me sentir um estorvo, é horrível.

Volto para o apartamento desanimada. Jogo a bolsa no sofá o casaco na cadeira da entrada e corro direto para o quarto ignorando a vontade de comer, pois estou de estômago vazio desde que o dia começou.

Entro no meu quarto e a primeira coisa que faço é ir direto para o notebook, ver se tenho algum e-mail novo ou se algum anúncio foi postado recentemente e eis que encontro alguma coisa que me chama atenção. Começo a ler em voz alta.

A Grey Enterprise Holding Inc recruta colaboradora para trabalho a full time bem remunerado.
Se interessado contatar ou enviar um e-mail para GEH.Seattle@greymail.com.
Não penso duas vezes, ignoro o fato de ter deixado currículo mais cedo lá e vou logo enviando o meu e-mail para responder ao anúncio, pois estou por tudo e desistir é coisa que não farei tão cedo.

O e-mail é enviado e fico na esperança de que pelo menos me seleccionem para alguma entrevista. Já ficaria feliz se isso simplesmente acontecesse.

Começo a fazer figas e o meu estômago ronca. Reviro os olhos e pulo da cama indo para a cozinha para pegar alguma coisa do que comer. A minha ansiedade é tanta que nem consigo ficar nem 2 minutos sentada que vou logo correndo de volta ao quarto para verificar o e-mail e tenho uma resposta.

O meu coração começa a palpitar forte e prendo a respiração ao perceber que acabava de obter resposta deste recém anúncio. E havia sido seleccionada para uma entrevista essa tarde.

Dou pulos de alegria e canto a música da vitória, mas logo paro, porque preciso me apressar ou vou atrasar e isso é péssimo. Pois na dúvida sou logo excluída por conta do atraso.

- VOU A ENTREVISTA! - grito eufórica indo para o banho.

~*~

A entrevista estava marcada para as 15 horas e estou agora diante esse edifício majestoso encarando as letras grandes da "Grey House". Respirando fundo decido entrar ultrapassando essas portas giratórias. A atendente no balcão era a mesma da última vez e meio que me sorri reconhecendo.

- Boa tarde, venho para uma entrevista! - falo traçando uma mecha atrás da orelha e recomponho melhor a alça da bolsa azul.

- É no vigésimo andar! - indica ela apontando o elevador.

Faço um sorriso simpático para ela e quando percebo que tenho que enfrentar um elevador meio que fico nervosa. Não tenha medo, ele não vai avariar, a minha voz interior tranquiliza.

Quando as portas se abrem, saio apressadamente e meio que fico constrangida, pois elas deviam ter percebido esse meu embaraço.

Ai que vergonha.

- Boa tarde, posso ajudá-la? - uma loira bem bonita me aborda e tento disfarçar ao máximo.

- Sim... - apanho os cabelos num rabo de cavalo. - Venho para uma entrevista!

Ela assente sorrindo e pega o telefone. Talvez fosse para informar o superior da minha presença. Aguardo um pouco de braços cruzados e ela logo pousa o aparelho saindo de trás do balcão e acena para a acompanhar.

- A senhorita Grey irá recebê-la agora! - informa ela ao me encaminhar por um longo corredor cheio de quadros abstractos. - Só um minuto! - pede.

Travo logo de imediato ficando a um metro da porta que ela entra para me anunciar e sai abrindo mais o caminho para mim. Sorrio lascivo para a simpatia da moça e entro observando tudo com deslumbre.

- Olá muito boa tarde! - a voz feminina que ecoa.

Ela está de costas, parece absorta observando a paisagem da cidade.

- Oi... quer dizer boa tarde.... ai... - atrapalho um pouco e logo as minhas bochechas ficam rubras.

- Nervosa? - ela perguntando ao se virar lentamente e caminhando em cima de uns louboutin pretos lindos e me dirige o olhar com um espanto visível. - Olivia???? - ela pergunta. Fico de olhos esbugalhados e terrivelmente perdida.

Quem é Olivia? E porque ela está me chamando Olivia?

- O meu nome é Anastacia Steele! - respondo cuidada com as palavras para não parecer grosseira.

Ela passa as mãos nos cabelos afastando umas mexas que se atravessam na frente do rosto luminoso. E senta na cadeira de executivo de frente para mim.

- Peço desculpa, mas se parece tanto com uma pessoa que eu conhecia... não importa... vamos direto ao ponto! Sente por favor... - pede ela com um gesto cordial.

Aproveito a cadeira atrás da secretária e sento de perna traçada e bolsa sobre o colo. Começo a encarar o rosto bonito e jovem da moça que me vai entrevistar. Ela é capaz de não ter mais que a minha idade. Arriscaria a dizer que tenha uns 23 anos.

- Tem sempre alguém que confunde as pessoas, sei como é.... - comento na inocência. - Bom eu vi li no anúncio que estão recrutando alguém para trabalhar na GEH e quero dizer que não tenho experiência muito árdua na área, só fiz um estágio numa pequena empresa durante uns dois meses.... - mas ela interrompe.

- Peço desculpa em não ter me especificado no anúncio, mas é que na verdade eu ando à procura de uma pessoa com responsabilidade e capacidade para cuidar de duas crianças menores! - o meu sorriso entusiasta desaparece. - Eles perderam a mãe recentemente e precisam urgentemente de um adulto para cuidar dele. O meu irmão é um homem bem ocupado nos negócios, mal tem tempo para a família.

O quê? Eu respondi a um anúncio para babyssiter de crianças? Alguém me belisque, porque ainda não estou acreditando nisso.

- Uma babá, então... - ela assente positivo com um sorriso curvo nos lábios.

- Você aceita pelo menos conhecer as crianças? 1 dia de experiência? - ela esfrega as mãos ansiosa enquanto me olha cheia de expectativa.

Definitivamente não estava nos meus planos nada assim, mas tendo em conta que não tenho mais nada, porque não aceitar o desafio. Afinal são crianças, até podem ser adoráveis e eu amo crianças. 
Eu cuidei durante muito tempo da filha da vizinha do 1 andar quando vivia em New York.

- Aceito, sim! - respondo.

Ela começa a bater palmas feliz e parece mesmo que tirei um peso de cima os seus ombros.

- Que bom, Anastacia! Posso tratá-la assim, certo? - ela pergunta e assinto positivo. A moça logo me vem abraçar e fico verdadeiramente perdida nos seus braços. - Os meus sobrinhos vão adorá-la, tenho a certeza. Há e antes que esqueça meu nome é Mia Grey... mas me chame de Mia, afinal temos praticamente a mesma idade.

Ela me pareceu bem simpática e gostei de caras dela. Algo me diz que é gente boa e que essa família ao estou prestes a conhecer vai me acolher bem.

~*~

Chego com Mia no edifício onde vive o irmão e os filhos do qual vou cuidar. O edifício é tão longo e majestoso e tem o nome de Escala. Ela logo me puxa pela mão me fazendo entrar numas portas grandes de vidro. Um senhor na portaria a cumprimenta e vejo logo na minha frente o elevador. 

Travo por impulso.

- O que foi? - ela pergunta após carregar no botão digital para chamar o elevador.

- Não tem escada aqui? - pergunto e logo as bochechas começam ficando rubras.

Oh não a minha fobia com espaços fechados.

- Meu irmão vive na cobertura. Você ia morrer ter que subir isso tudo para lá chegar! - explica ela me olhando de olhos bem abertos. - Mas na confiança, esses elevadores são bem seguros e se preocupe, a manutenção desse prédio é cuidada ao mais alto pormenor.

Assim sendo não vejo outra saída que não entrar e encostar na parede enquanto o elevador começa subindo. Concentro o olhar nos números que decaem na tela digital. Os números são tão grandes que me perco observando e quando dou por mim, estão as portas abrindo e engulo em seco com a visão de uma sala larga e cheia de luxo. Tudo muito bem organizado. Peças escolhidas a dedo por melhores designer de interiores.

- Uau....

- Senhorita Mia! - uma mulher com roupa de empregada aparece com os cabelos arrumados num rabo de cavalo. - Não... Doutora Olivia???

Os seus olhos se arregalam em mim e novamente me sinto estranha. Mas o que tenho de tão semelhante a essa mulher que tanto me confundem?

- Gail, essa é a Anastacia Steele! Ela é a babá que contratei à experiência para cuidar das crianças! - 
Mia se apressa a falar. - Eles já chegaram do colégio?

A mulher logo se recompõe passando as costas da mão no rosto, limpando uma lágrima e suspira pesado ao se virar para Mia. Oh não, eu fiz ela chorar? Não era a minha intenção. Longe de mim. Sou uma pessoa cheia de tormentos.

- Os meninos já chegaram sim, estão lá em cima! Quer que vá chamá-los, senhorita Mia?

Ela nega com um aceno de mão e indica para que eu acompanhe. E enquanto começo a subir as escadas na sua companhia, olho um outra vez por cima do ombro. Essa tal de Gail ainda está me encarando com uns olhos tristes e parece que me olha como se me conhecesse. Mas certamente que o faz, por me confundir com essa pessoa que ela chamou.

Passo por um corredor largo atrás da morena que vai tagarelando algumas coisas que entram e saem por meu ouvido, já que estou distraída observando esses retratos nas paredes e do nada paro focando o olhar numa foto de uma mulher idêntica a mim. Os olhos, o cabelo, o jeito da boca. Não, espera! Ela é igual???

- Anastacia? - chamam por mim e viro atenção no sentido e onde vem a voz. - Tudo bem? - assinto que sim. Mas Mia percebe o motivo do meu travão.

Ela vem até mim e passa a mão no ombro afável e começa encarando o retrato com um suspiro ligeiro saindo dos seus lábios.

- Foi por isso que confundi você mais cedo.... - explica com pesar, a sua voz está triste. - Você é praticamente idêntica a mãe dessas crianças aqui! - aponta para a outra foto e vejo duas crianças sorrindo felizes. - Mas vem, eles vão adorar você!

Mia estende a mão para mim que entrego a minha para ela me deixando ser guiada por sua astucia até a porta entreaberta do quarto. Ao abri-la encontro duas crianças ocupadas. A menina que está brincando de princesa com as bonecas e o menino verdadeiramente focado no jogo de vídeo game no computador.

- Oi gente! Sabem quem chegou? - pergunta ela de mãos nos quadris encarando os sobrinhos.

- Mais uma babá para a gente detonar! - responde o menino sem levantar os olhos da tela. - Eu já disse que a gente não quer ninguém no lugar da mamãe!

Me deixo ficar mais atrás de braços cruzados. Mas tem um fato de que assim que concentro o olhar na menina que parece tão absorta brincando com a boneca, é que decido aproximar dela sem assustar. 

Agacho um pouco à sua altura e sorrio breve acariciando o vestido azul da boneca. Os seus olhos mal se viram para mim ficam terrivelmente brilhantes me encarando. Duas safiras luminosas brilhando num oceano.

- Mamãe? - ela pergunta abrindo os braços e me abraça de forma inesperada. Fico sem saber o que de que modo reagir. - Mamãe senti tanto sua falta! - ela enterra mais a cabecinha no meu peito. - Não deixa o papai do céu te levar, não! Eu preciso de você aqui comigo. - ela me aperta mais um pouco e e afago com carinho os seus cabelos.

- Mamãe? - o menino se vira e para nós e os seus olhos cinza se arregalam na minha direção. - Mamãe! - vem correndo para me abraçar também.

Mia nos encara de lágrimas nos olhos e está fungando com esse momento de carinho. Simplesmente me deixo ficar assim com eles, eu sei que eles só estão carentes de um calor maternal. E apesar de não ser a mãe deles, eu já os amo como se fossem meus filhos. 


Gostaram?
O que tem a dizer do encontro de Anastacia com Mia? Com Gail?
E o misto de surpresa da nossa linda Ana ao se ver num retrato, que no fundo é a Olivia que ela desconhece?
E esse encontro emocionante com as crianças? Alguém tem forças suficientes para acenar a mão como uma sobrevivente?
Emocionante, não? Então comentem, pois quero saber o que acharam, okay? Super importante para mim.
Fantasmas apareçam também, terei todo o gosto em recebê-los, nem que seja num simples gostei ou olá que será legal e fará uma autora feliz.
Até ao próximo capítulo, Lucy  

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