Herança do Amor - Capítulo 7
Pov. Chistian Grey
Meu dia está correndo
nada bem e estou com uma terrível dor de cabeça. Não vejo a hora de
chegar em casa, comer alguma coisa gostosa e poder pelo menos ver como
estão os meus filhos. Saber se eles não aprontaram de novo para cima da
nova babá que a minha irmã avisou que havia encontrado finalmente.
Na verdade me sinto
ansioso e estou louco para resolver essa situação de uma vez, de modo a
poder garantir a segurança dos meus filhos, até à altura que terei que
viajar para Marselha em negócios.
Olho o meu relógio Omega
e percebo que já são 18 horas, então decido levantar de trás da
secretária e dar por encerrado o meu dia de expediente. Ao sair da minha
sala passo por Andrea que me olha prestável.
— Andrea vou indo já, se surgir alguma coisa importante deixe anotado, que amanhã bem cedo,
resolvo! - ela assente sentando no seu lugar.
Dirijo para o elevador,
carrego no botão o chamando e de novo volto a olhar as horas no meu
relógio. Não sei porque me sinto tão ansioso em voltar para casa que ao
contrário de muitas outras vezes evito voltar cedo, só para não encarar
os olhos tristes dos meus filhos e me culminar ferozmente na dor da
perda. Mas hoje em particular sinto que devo ir rapidamente.
As portas se abrem e
entro encostando na parede do fundo. Observo os números na tela e nem
uns 2 minutos já estou de novo saindo. Taylor me aguarda na entrada de
mãos sobre os punhos, os apertando.
— Taylor! - o cumprimento
— Senhor Grey! - e rapidamente começa se dirigindo para porta giratória.
No lado de fora o Audi
R8 está parado me aguardando. O meu segurança abre a porta traseira para
mim e entro me instalando de novo com o olhar ansioso na hora. O meu
coração está bem palpitante e apesar de continuar com dor de cabeça,
sinto uma ansiedade muito anormal.
Taylor fecha a porta e
dá a volta ao carro entrando no seu lugar na frente do volante e
rapidamente manobra de forma a irmos para o Escala sem delongas. O
caminho decorre em maior silêncio, nem um pio de rádio se escuta e me
deixo apenas pela observação da avenida movimentada olhando por esses
vidros fumados.
Chegando no Escala a
primeira coisa que faço é sair do carro e apressar o passo até às portas
do elevador, digitar o código de acesso e ignoro o cumprimento
simpático do porteiro. Taylor somente me segue em silêncio não fazendo
perguntas para a minha pressa. Ele nisso é sigiloso e respeitador.
Apanho o elevador até à
cobertura e quando saio encontro Gail disfarçadamente a limpar lágrimas
do rosto com as costas da mão. Fico logo apreensivo e logo me vem ao
pensamento que pudesse ter acontecido alguma coisa de grave com os meus
filhos. E que ninguém por aqui estaria tendo coragem suficiente para me o
dizer de vez.
Oh céus como odeio quando alguém tenta me enrolar.
— Gail? - a chamo e ela disfarça forçosamente na minha frente. - Está tudo bem? - pergunto como quem não quer a coisa.
— Senhor... quer dizer... Christian desculpe, foi um cisco! - ela se corrige para mim.
Franzo o olhar e sei
perfeitamente que está mentindo, Gail não é mulher de mentir para mim.
Eu a conheço à anos e sei que se passa alguma coisa que ela não me quer
contar.
— A minha imã está? Os meus filhos?
— Estão lá em cima com a nova babá! - informa ela me dando as costas e volta rapidamente para a cozinha como se fugisse de mim.
Encaro o alto da escada
pensativo e respirando fundo decido subir até ao primeiro andar e
caminho por esse corredor calmamente até ouvir a minha filha falar. Paro
uns passos atrás da porta e fico escutando. Ela parece feliz, eu não
lembro de ouvir April tão entusiasmada como hoje. Na verdade as minhas
últimas lembranças são de uma filha triste, que não tem vontade de ir no
colégio para encarar os amigos e falar que não tem mais mãe, que chora
fácil mesmo ninguém lhe tendo feito mal algum e porque está sempre
chamando pela mãe de noite, pois a escuto sempre que viro em uma insónia
terrível e vagueio pelo apartamento tal como um zombie.
A porta começa se
abrindo e tento parecer distraído admirando os quadros na parede
adjacente. Mas percebo pelo canto do olho que é Mia saindo de mãos sobre
o rosto limpando lágrimas. Mas o que se passa nesse apartamento hoje
que está toda a gente a chorar? Primeiro Gail no andar inferior e agora a
minha irmã?
Não eu vou tirar esta história a limpo e é já ou eu não me chamo Christian Grey.
— Mia! - cumprimento a
minha irmã dando um beijo inesperado na sua bochecha rosada. - O que
foi? - pergunto arqueando a sobrancelha mantendo o meu instinto curioso
bem ativo.
Ela me puxa pela mão
para as escadas e fico ainda mais intrigado. Mia começa mexendo
impaciente nos cabelos e ela só faz isso quando está nervosa.
Ok, o assunto é mesmo delicado.
— Eu encontrei uma babá para os seus filhos... - começa ela e sorrio, pois é uma boa noticia.
Contudo, ainda continuo sem entender o que isso tem haver com o fato de estar chorando.
— Ótimo, então vou conhecê-la, afinal vou ser eu a pagar o salário dela...
Decido por fim ao começa
andar para o corredor na direção do quarto. Só que Mia se coloca na
minha frente mãos no alto me impedindo. Travo e bufo baixo a olhando com
ar intimidador.
No entanto a porta se
abre novamente e minha filha sai puxando a mão de alguém, que deduzi ser
a babá e assim que o rosto dessa mulher aparece diante os meus olhos
cinza, fico em estado de choque olhando ela que fica surpresa com a
minha reação.
NÃO!
— OLÍVIA? - a pergunta
me sai num grito sonoro e nem quero acreditar no que os meu olhos estão
vendo. Eu juro que não estou louco, eu estou vendo ela. - Olívia? -
empurro a minha irmã para o lado e vou até a essa mulher. - Olivia é
você meu amor... - enterro as mãos automaticamente no rosto dela, os
meus polegares roçam com suavidade a sua pele macia. Os meus olhos decaem concentrados nos lábios delineados e carnudos dela e os beijo
sem pensar duas vezes.
A sua boca fica imóvel
inicialmente como se tivesse sido apanhada de surpresa, mas logo sinto
que está cedendo qualquer coisa, no entanto, o beijo cessa
drasticamente e me afasta com a mão livre concentrada no meu peito lugar
esse onde nunca nenhuma pessoa tocou tirando Olivia ou os meus filhos.
Encaro relutante os seus olhos, mas ela está assustada. Eu a assustei.
— Eu não sou Olivia, meu nome é Anastacia! - ela responde já com os olhos marejados e sai correndo.
Olho para trás e está
descendo as escadas a correr, tento ir atrás dela, mas Mia me trava se
colocando na minha frente como se impedisse de fazer alguma burrada que
sei que necessito de esclarecer, pois isto é tudo muito confuso para
mim.
— Eu ia avisá-lo, mas você é cabeça dura, não é irmão? - ela bufa baixo.
Olho
para o lado e tenho April e Theodore de cada lado a mim, com as mãos
seguras nas minhas calças me olhando ambos muito preocupados.
— Papai vai buscar a mamãe! - pede April com uma voz baixa e chorosa.
Agacho e a pego no colo
acaricio o seu rosto com carinho. Dou um beijo na sua bochecha rosada e
Theodore logo me solta a calça para voltar a entrar no quarto e fechar a
porta com força desnecessária.
— Deixe, eu cuido dele... vá tentar se desculpar com a moça! - ordena a minha irmã meio brava com a minha atitude impulsiva.
Ok, talvez tenha agido
por impulso, as emoções falam mais alto nessas horas e confesso, é
estranho olhar ela e saber que não é descreve a pessoa que eu perdi.
— A tia está chateada! -
diz a pequena brincando com os meus cabelos rebeldes enquanto me dirijo
para as escadas e as começo descendo na sua companhia ainda em meu
colo. - A mamãe foi boa comigo, ela está diferente. Já sentia falta
dela. - olho algumas vezes para a minha filha e parece realmente feliz
falando dessa mulher. - Ela vai ficar aqui com a gente? Dormir com o
senhor e vão me dar mais um irmãozinho? Eu quero, porque o Theodore é
chato e é mais velho. Eu quero um mais novo que eu para brincar de mamãe
e assim você ia ser vovô de mentira.
Paro de descer as
escadas a meio e dou um pigarro ligeiro, porque minha filha está me
apanhando de um modo bem desprevenido e fico sem saber que responder
numa situação como essa. Na verdade podia ser direto, mas com crianças
não resulta muito bem e depois estou lidando com April que aparentemente
forte, é a pessoa mais frágil dessa família.
— Meu amor... - coço a
região anterior da nuca. - Aquela moça não é a sua mãe, apesar da
fisionomia muito semelhante, mas se ela quiser pode ficar aqui com vocês
e sobre o resto quem sabe... vou pedir para a cegonha fazer encomenda
do seu irmãozinho, sim? - beijo o topo da sua nuca e ela sorri batendo
palmas satisfeita, mas não para por ai.
— Então se ela não é a
minha mamãe, porque ela é tão igualzinha a ela? Será que é irmã? - os
olhinhos azuis dela se arregalam com tal dedução.
E dada altura podia
realmente aceitar essa razão, mas para isso era necessário Olivia ter
irmãos e até onde sei, ela perdeu a mãe no parto e a família que adotou
nunca falou em história alguma de irmãos.
Então deve ser simplesmente coincidência, afinal existem sósias pelo mundo inteiro e esse pode ser o
caso, pelo menos é a coisa mais coerente que me passa na cabeça como
explicação a essas semelhanças todas.
— Então porque alguém pediu para a cegonha uma cópia de alguém. - tento enrolar a minha filha.
Por vezes é necessário
usar uma mentirinha branca, porque crianças não entendem muito bem o jogo
dos adultos. Já para não falar que fico sem saber o que responder,
então o melhor jeito é não desiludir e entrar pelo jogo da inocência de
forma a nunca denegrir a imagem de ninguém em sua cabeça.
— Então quer dizer que
os pais da moça que não é a mamãe copiaram a mamãe. - assinto que sim
coçando a região anterior. - Mas posso chamá-la de mamãe? É que ela é
tão... - mas a interrompo.
— Você até pode falar
com ela para chamá-la de mamãe, mas só irá confundir as coisas em sua
cabeça. - ela baixa a cabeça pensativa.
Ao chegar no andar
inferior pouso April no chão que sai correndo até onde está essa mulher
que diz se chamar Anastacia, mas que continua sendo muito semelhante a
Olivia. Elas se abraçam como se conhecessem à anos e tem um fato de que a
minha filha está com uma fantasia na cabeça que não vai sair tão cedo.
Mas olhando bem para
ela, eu fico completamente embebido pela mesma fantasia, pois só me
apetece chegar nela e beijá-la compulsivamente, tomá-la em meus braços,
mas é errado. Eu sei.
Ela não é a Olívia. A
Olivia morreu, caramba. Eu preciso encaixar essa coisa toda em minha
cabeça o quanto antes ou vou enlouquecer de vez e ai cometendo um erro,
John Flynn terá todos os argumentos suficientes para afirmar minha
inconsciência e serei enviado para uma ala psiquiátrica do onde nunca
mais irei sair. E pior irei lidar com loucos de verdade.
Caramba Olívia, não sei
se é crueldade ou bondade, mas você me deixou bem perdido agora ao me
presentear com essa mulher em nossas vidas. Isto é um sinal seu de que
está cuidando de nós? Que quer nos ver a todos felizes?
Porquê ela? Algum motivo especial?
O que é que estou fazendo? Agora dei para ter pensamentos com almas do outro mundo?
Gostaram?
Essa ansiedade toda de Christian já devia ser um sinal, não? Será que a força gravítica o estaria puxando para o escala? Será o espírito de Olivia a dar um empurrãozinho? ai ai pode ser tanta coisa....
Enfim, o que tem a dizer desse encontro?
O beijo inesperado? A reacção dele?
Até ao próximo capítulo, Lucy.
Essa ansiedade toda de Christian já devia ser um sinal, não? Será que a força gravítica o estaria puxando para o escala? Será o espírito de Olivia a dar um empurrãozinho? ai ai pode ser tanta coisa....
Enfim, o que tem a dizer desse encontro?
O beijo inesperado? A reacção dele?
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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