Start Again a New Chance for Love - Capítlo 7

Acordei devido ao barulho de fundo que mais parecia com aspirador, provavelmente a senhora do apartamento de cima estaria em faxinas. Era sábado, dia de cuidar da casa. Dou uma olhada no despertador e percebo que era já tarde, passava do meio dia e tinha uma entrevista marcada para as duas e meia da tarde. Sim, em pleno sábado também tem quem faça entrevistas. O tempo não para só porque estou cama.

Ainda meio sonolenta e porque queria era ficar mais algumas horas embrulhada em meus deliciosos e quentes lençóis, espreito a tela do meu aparelho, para ver se por acaso tinha alguma coisa. Mentira, tinha uma mensagem. Era daquele homem que me fizera sonhar toda a noite com ele. Uns sonhos bem estranhos e ousados, diria.


Bom dia Srta. Steele!

Acredito que a essa hora da manhã ainda esteja dormindo
tenha um bom dia
— Christian Grey

Pisquei algumas vezes os olhos, não sei se era confusão minha ou se ainda estava recuperando do sono. A mensagem de Christian havia sido enviada às oito e vinte cinco da manhã. "Como é possível alguém depois de uma noite como a de ontem em que ficamos nos falando até tão tarde podia estar enviando mensagem? Se fosse eu estaria dormindo" pensei coçando ligeiramente a nuca um pouco perdida.

Bom dia Sr. Grey!
Acabei de acordar, mas estou com muito sono
Só que preciso levantar, tenho uma entrevista hoje
— Anastacia Steele

Espreguiço e quando levanto da cama para puder alongar melhor todo o meu corpo percebo pelo barulho do meu celular, uma nova mensagem cair. Me castigo mentalmente para não olhar de imediato, mas em vão, porque nem mesmo meu corpo me obedece e quando dou por mim estou lendo a droga da SMS dele completamente hipnotizada. Odeio me sentir assim, traída por meu próprio senso curioso.

Se tivesse feito o que mandei, agora estaria melhor
A entervista é de quê?
Onde?
— Christian Grey

Reviro os olhos quando o leio "mandei" e bufo. Mas quem ele pensa que é para me ditar ordens? Meu big boss? Não mesmo, porque em mim ele não manda. Não sou cachorrinho para obedecer meu dono. Era o que me faltava agora. Além que não gosto nem um pouco quando a pessoa agarra na oportunidade para dizer "eu bem te avisei".

Abro a porta do quarto e olho o corredor bem silencioso. Vou no quarto de Kate que ainda continuava escuro, ela estava dormindo. Entrei em bicos de pés e procurei por minhas roupas largadas lá do dia anterior, já que nossa saída fora tão às pressas que nem tivera tempo de arrumar nada direito. Com o mesmo cuidado para não fazer barulho retorno ao quarto, largando minhas peças em cima da cama e olhar aquela mensagem. Agora o meu lema central é se devia ou não contar. Mas pensando cá com os meus botões, ele está se demonstrando muito controlador e não sei se devido a esse comportamento merece.

"Claro que deve! Ele está afim de você" o meu subconsciente engraçadinho tentou me dar a volta, mas seu argumento não me convenceu. Ainda assim acabei cedendo um pouco, mais que queria, porque iria dar um belo de um vácuo para ele aprender a esperar como todo mundo, ou não meter tanto o nariz na vida privada dos outros. Acabei por fazê-lo por minha própria vontade que fique claro. A minha deusa parecia confiante, apesar de sonolenta, pois parecia muito bela adormecida bocejando nesse momento.

Para assistente
É numa editora aqui em Seattle, a SIP
— Anastacia Steele

Respirei fundo e me concentrei no que ia vestir. Precisava vestir uma roupa apresentável. Talvez uma saia travada e uma blusa fossem uma boa opção. Kate se estivesse aqui, diria que mostrar as pernas é meio caminho andado para uma contrato bem sucedido. Começo a rir comigo mesma, era difícil evitar. Conhecia minha amiga melhor que ninguém. Talvez até melhor que o senhor e a senhora Kavanagh. Só eu conheço seus segredos.

Entro dentro do closet e começo a fazer alguns ensaios de roupa, apesar de sempre achar que tudo fica bem, desde que não estivesse desconfortável e ficasse a parecer respeitável. Gostando do meu figurino, simples e franzino. Regresso ao quarto para sentar na frente da penteadeira. Encaro o espelho com ar sério, estava com umas terríveis olheiras. "Que horror, Anastacia" o meu subconsciente aponta fazendo cara feia. "Não esqueça de colocar um pouco de cor, está parecendo sem sal" reviro os olhos pegando a escova e passá-la sobre os cabelos cheios de jeitos devido ao fato de ter adormecido com eles presos num rabo de cavalo.

Indo na cozinha vou direto à geladeira, queria saber o que tinha havia para poder preparar de forma rápida. Além claro, que não podia ser uma comida demasiado pesada, já que estava de estômago vazio e não iria cair bem. Decido preparar uns ovos mexidos, mas não sem antes colocar o rádio da sala ativo, num volume baixo é claro, porque Kate estava dormindo. Cozinhar com música é sempre outra coisa. Então enquanto bato os ovos numa tigela, danço de um lado ao outro rodopiando entre o balcão de centro e o fogão com uma frigideira com óleo aquecendo.

Esperando com a tigela na mão, vou até ao celular, mas não tinha mais mensagem nenhuma. Estava estranhando, mas logo esse meu pensamento vazou. "Ele pode estar ocupado! Ou então tirou um cochilo ou simplesmente me havia deixado em paz?" dou comigo a pensar vendo todas essas hipóteses bem viáveis. Finalmente, me deu espaço.

Sentando no balcão de centro para começar a comer, vejo que o relógio da cozinha marcar uma e vinte cinto e faço uma careta porque ainda estava atrasada. Tinha que comer, escovar dentes, descer e chamar um táxi, já que minha amiga falara para não levar o meu velho carocha a cair em pedaços, ainda que bem conservado, porque sabia cuidar dele. Ray, meu pai, me ensinara muito bem. E isso era tudo coisa da sua cabeça loira só para me deixar mais irritada. Na verdade, ela só queria que usasse o seu BMW, mas não gosto de sair por ai dirigindo o carro dos outros. E se acontece alguma coisa? Tem sempre aquele lance do "e se".

— Já comendo? - escuto uma voz que me faz pular do banco, embora literalmente, se bem que a essa hora estaria no chão se fosse verdade. - Não sei como consegue ter estômago para ovos! - Kate fala aparecendo na cozinha com o cabelo todo desgrenhado. Essa era a minha amiga logo depois de acordar e de um belo porre, porque podia ver eu suas expressões faciais o quanto estava de ressaca.

— É... - digo encolhendo os ombros ao tomar um gole de suco de laranja. - Tenho entrevista daqui a pouco, lembra? - faço olhinhos na direcção dela. Kate dá de ombros nem ai para a minha entrevista. - Ninguém mandou ficar a noite toda num maior porre! - aviso, sabendo que depois disso ia sobrar para mim escutar os seus resmungos matinais.

— Esqueci! - ela abre a porta da geladeira tirando umas uvas de dentro. Encosta no balcão me olhando. Ergo logo a sobrancelha afiando minha língua. - Vais assim? - aponta com o indicador. Desço os olhos à minha roupa.

— O que tem? - pergunto inocentemente. - Gosto! - digo levando o prato e copo para a pia.

— Nada, nada... - ela come um bago de uva. - Só não esqueça que a gente ainda tem aquele assunto para falar, sim? - reviro os olhos passando a água nas mãos. - Ana, eu vi isso! - Kate cucuta os seus dedos sobre o meu ombro. - Boa sorte para a entrevista!

~*~

Pov. Christian

Depois de uma ida na academia do qual tinha minhas aulas com o Bastille, meu personal treiner, voltei para a Grey House na companhia de Taylor. Ao subir ao apartamento é que pude lembrar que não havia enviado e-mail à minha mãe avisando que não iria jantar. Ela certamente estaria esperando uma resposta minha, mas como sempre iria adiar a minha visita, pois estava com outros planos em mente. E iria colocá-los em prática mais tarde.

Na verdade, o motivo que me levava a negar um jantar em família, se devia a Anastacia. Queria estar com ela, levá-la a jantar e poder conhecê-la um pouco melhor, já que pelo pouco que havia conhecido de si, me havia deixado inteiramente interessado na sua pessoa. Principalmente por conta do seu jeito desajeitado e teimoso que nem uma porta. Não falando da forma tentadora de como me deixa realmente excitado na sua presença. Só aquela bunda redonda e durinha me fazia querer oferecer uns bons tapas e vê-la coradinha. "Oh Anastacia o que estás fazendo comigo" penso ao entrar dentro do meu escritório, me trancando no lado de dentro, pois não queria ser incomodado.

Nesse momento decido ligar para minha mãe, afinal um e-mail iria resultar em muitos outros, ou chamada certamente. Então porque não escutar sua voz de uma vez? Depois posso não puder atender suas ligações. Primo no botão "call" e logo escuto a voz ansiosa de senhora Grey.

— Filho! - recosto as costas largas na cadeira de couro negra de frente para o meu notebook de tapa levemente aberta e que a elevando agora um pouco melhor, a primeira coisa que conseguia ver no visor era uma imagem de Anastacia, com um mesmo sorriso inocente. O mesmo sorriso que me cativa na noite anterior. - Não disse nada ontem, fiquei preocupada! Ia ligar agora mesmo! - balanço a nuca escutando o discurso habitual. Já nada daquilo era novidade para mim. - Então, já decidiu se vem ou não? Se posso contar com sua presença para avisar Matilda?

— Em relação ao jantar, mãe... - mordo o lábio procurando as palavras certas. - não irei poder ir, desculpe! - franzo o cenho me preparando para escutar um monte de coisas, pois sabia que a senhora Grace ia ficar bem chateada e protestar até me convencer do contrário.

— Christian! Mia vai chegar hoje, ela quer estar contigo! - escuto um suspiro pesado. - Pelo menos vá pegar sua caçula no aeroporto! Ela vai adorar a surpresa! - pede. Pondero a hipótese, mas teria que falar com Anastacia primeiro.

— Mas o pai não ficou de ir pegá-la lá? - tento ver se havia outra saída.

Aquilo podia furar um pouco meus planos. Mia sempre daria um jeito para que eu passasse mais um tempo na sua companhia, me faria convencer de que devia ir jantar com eles. Iria deixar Anastacia plantada e isso era coisa que não queria. Não sou género de homem que foge de compromissos por causa de família. Além disso queria estar com ela. E isso era algo que claramente estava bem decidido em minha cabeça. E não seria agora só porque Mia estava chegando que ia mudar. Por muito que tivesse um coração mole por aquela caçula, pelo qual tenho um amor incondicional desde o primeiro dia em que a havia visto entrar nos braços de minha mãe, naquela manhã fria de Novembro.

— O pai está viajando, volta só no final da tarde! Por favor, Christian! - implora minha mãe, podia sentir seus olhos queimar em mim se estivesse me encarando em algum porta retratos.

— Mas e Elliot? - precisei perguntar. Tinha que jogar o baralho todo.

— Seu irmão chegou bem tarde essa noite... - "a loira que acompanhava Anastacia, é claro" penso. - é bem provável que fique o dia todo na cama. - bufo sabendo que quanto mais soluções tentava arrumar, mais sabia que ia sobrar para mim. Não podia contar com ninguém nessas horas.

— Tudo bem, eu pego Mia no aeroporto! Mas não vou jantar, estou avisando! - escuto um gritinho de felicidade do outro lado da linha. Minha mãe estava radiante. Sorrio fraco com isso. - Que horas chega? - precisava saber, nem que fosse só para controlar meu horário.

— 15:30! - responde ela. - Tchau, filho! - encerro a ligação encarando da janela a estrada pouco movimentada.

"Droga" penso comigo mesmo voltando as costas à vista. Me pego enviando uma mensagem para Anastacia.

Gostava de voltar a vê-la
Acha que nos podemos encontrar mais tarde?
Jantar?
— Christian Grey

Deixo o iPhone sobre a secretária e olho o relógio do canto inferior direito do notebook, ainda eram pelo menos umas duas e vinte. Ela ainda não havia entrado para entrevista.

Já tenho planos para esse final de semana 
— Anastacia Steele

Franzo o cenho ao ver meu pedido negado. É, Anastacia me negando companhia? Mas o que ela pensa que está fazendo? Ninguém nega nada para um Grey. E se ela pensa que vou desistir e aceitar sua rejeição está bem enganada.

Não aceito não como resposta
Irei pegá-la às 8 em ponto
— Christian Grey

Ia deixá-la sem saída, ela tinha que vir, eu ia pegá-la e não tinha mais por onde sair, Dessa forma escolhi um lugar discreto onde pudéssemos desfrutar de um bom jantar. É ai que lembro de escolher o Salty's on Alki, onde se comia uma deliciosa comida sem desperdícios. Certamente que ela nunca lá havia jantado, então seria um estreia para Anastacia. Um ótimo lugar para a surpreender. "Eu vou surpreender" penso arqueando um sorriso travesso nos lábios confiante sobre minhas qualidades sedutoras.

Após enviar a mensagem, lembro que devia sair logo do apartamento ou iria deixar Mia me esperando no check-out e não seria nada legal. Pois iria ter que aguentar todo o seu mau humor, porque conhecia muito bem aquela caçula para saber o quanto conseguia irritante e teimosa sempre que as coisas não saiam do seu jeito. Taylor estava totalmente pronto do lado da porta do elevador, já com o dedo primindo.

— Senhor Grey! - fala em cumprimento. Assinto com a cabeça.

— Taylor me leve ao aeroporto! - ele assente, as portas do elevador se abrem para nós. - Depois irmos deixar Mia na casa dos meus pais! - passo a informar os planos dessa tarde. - Há... - lembro passando as mãos sobre os cabelos acobreados na frente de uma parede espelhada. - Não esqueça de fazer reserva para duas pessoas no restaurante Salty's on Alki para... - tento pensar em uma hora concreta. - marque para as 9 horas!

— Com certeza, senhor!


Gostaram? 
Acham que Anastacia devia ter respondido à SMS de Christian e dando mais outro fora? Ou acham que ela deve realmente ir nesse jantar, conhecer esse enigmático homem?
Vá, toca a deitar para fora o que estão pensando.
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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