Start Again a New Chance for Love - Capítulo 3
Pov. Anastacia Steele
Regressando no
apartamento pude perceber que pelo silêncio convidativo, Kate
provavelmente havia saído, consequentemente Ethan também. Suspirei de
alivio, gostava tanto de quando estava sozinha. Sem ninguém a melgar no
meu ouvido o tempo inteiro só para dizer o que devo ou não fazer. Ok,
tudo bem, sei que eles se preocupam comigo, que só me querem ver bem.
Mas, puxa eu sou feliz, do meu jeito, é certo. Mas sou uma garota feliz,
sem dividas, sem preconceitos, sem namorado e solteira da vida e boa
garota.
Faço um beicinho igual
ao que fazia em criança ao sentar no sofá e puxar um travesseiro
decorativo do canto e usá-lo como suporte para a minha cabeça. Ligo a tv
e com o comando remoto passo os canais à velocidade da luz. "Nossa,
isso foi exagerado" penso comigo mesma ao parar finalmente no canal
Hollywood, onde por incrível que pudesse parecer, talvez coincidência,
ou não, estava começando um dos meus filmes favoritos, "My Best Friend's
Wedding", um clássico, diria.
Não sei quantas vezes
assisti esse filme, apenas lembro que havia rido e chorado em todas
elas, com minha mãe, a senhora Carla Steele. Agora assistindo pela
milésima vez, já preparava o meu lencinho. Só lamento o fato de Kate ter
derretido toda a reserva de pipoca que havia no armário da dispensa,
porque se não, já estaria aqui na minha frente me fazendo companhia
acalmando o meu ego ferido.
— Não! - reclamo comigo mesma ao ir na cozinha para pegar um copo de água.
Observando pela janela
nem dou conta à chegada de Kate, que logo vem cantando Beyonce, com o
seu famoso tema "crazy in love". Me viro momentaneamente para ela assim
que a encontro a repousar uma sacola de compras sobre o balcão de
centro. Katherine Kavanagh fazendo compras.
Aquilo era a cena mais
épica. "Onde está a minha máquina digital nessas horas?" me pergunto
mentalmente a observando estarrecida.
— Ana! - ela parecia
surpresa em me ver por ali. - Nem sabes as promoções que encontrei! -
diz ela começando a tirar alguns produtos e deixá-los expostos, para que
dessa forma pudesse analisar o que havia pego.
— Katherine Kavanagh às
compras? Devia ter assistido a esse momento memorável! - digo em ar de
piada, pois sabia que a minha amiga logo iria protestar fácil.
— Até parece que não
faço compras para a cozinha, Ana! - ela responde circundando o balcão e
levar umas latas de conserva para a dispensa. - Mas e tu? Por onde
andaste? - ela pergunta. Roubo uma maçã verde da fruteira.
— Andei por ai, lendo um
dos meus romances favoritos! - digo dando uma mordida na maçã e puxo
por um folheto de promoções que ela havia pego certamente na superfície
comercial.
A minha melhor amiga
volta para a cozinha me encarando de alto a baixo como quem começa a uma
vistoria confinada. Ela já estaria pensando certamente no modo de como
eu teria ido para a rua.
"Relaxa, Kate! Eu não fui assim" penso comigo
mesma fazendo olhinhos assim que os levanto do folheto.
— Antes que digas alguma
coisa, eu não sai assim vestida na rua, ok? - ela encolhe os ombros
rendida, certamente lhe havia roubado de deixa, as palavras de sua boca.
Tendo as compras
completamente arrumadas nos seus diversos lugares, Kate me acompanhou
até à sala. Sentamos juntas no sofá, ela estava bem animada para alguém
que havia saído só para umas compras. Só que se tratando da minha amiga,
sempre tem mais alguma coisa. Alguma coisa interessante que pudesse
partilhar.
— Ethan me contou na
saída que lhe deste um fora! - diz ela mostrando a sua língua ali no
canto do lábio. Franzo ligeiramente o cenho a olhando com um biquinho. -
Devias ter arranjado uma desculpa melhor! - ela puxa um travesseiro
para si, enquanto encolhe as pernas em forma de chinês.
— Há, lamento se não sou boa a procurar soluções rápidas! - digo num revirar de olhos começando a ficar emborrada.
— Não sei do que tens
medo, Ana! - Kate pende a nuca assentando no encosto do sofá. Acompanho
no mesmo jeito repetindo todos os seus movimentos como naquele jogo de mímica. - És uma garota linda! Tens um corpo fantástico, sem celulite!
Não precisas de dietas, porque podes comer de tudo sem engordar! Ficas
linda em qualquer roupa, pois parece que todas foram desenhadas a pensar
em ti!
Os teus cabelos te caiem na perfeição nesse teu rosto oval! Os
teus olhos parecem pedras preciosas saídas das maiores profundezas do
oceano! - arregalo os olhos ao escutá-la mencionar os múltiplos
traços
favoráveis que existiam em mim.
— Uau! - é a única coisa que consigo responder.
— Acho que é hora de
pegar em ti e levar para curtir uma noite na boate! Tenho a certeza que
vão chover rapazes a querer dançar contigo, amiga! - cruzo os braços
nada confiante. - É isso mesmo! - confirma com os seus olhos brilhando.
Aquele brilho, eu o conhecia muito bem. - Hoje vamos na boate! Cair numa
balada e conhecer uns gatinhos! - cerro os meus dentes, fechando os
lábios com cola tudo.
Ela parecia mais
empolgada que eu. Porque sempre que as nossas conversam recaiam sobre
mim?
Sempre fico com a sensação de que ela parece mais desesperada em me
ver logo com alguém, do que eu. Como se isso fosse um problema seu,
quando não o era, mas sei perfeitamente que se for agir por meu próprio
pé, demoro um milénio até arranjar um namorado. Mas quantas vezes terei
que repetir que não quero ninguém, que me sinto bem feliz assim?
Provavelmente todas as vezes necessárias, já que Kate tem uma cabeça
muito dura, raras são as vezes em que entra alguma coisa. E quando mete
algo em mente, difícil é convencer do contrário. E quem perde depois a
aposta? Eu, claro, não é? Sem chance para mim. "Ana és um desastre"
penso comigo mesma.
— Não vou para uma
boate! - digo relutante ao atirar o travesseiro para o sofá livre, pois
até a minha pontaria era fraca e desastrosa. - E não quero ninguém na
minha vida! Mete isso na tua cabeça loira! - toco os meus dedos sobre o
alto da sua nuca.
Por outro lado, Kate
franze o olhar como se tivesse falando alguma coisa que não devia. Até
parecia a senhora dona Carla para me castigar sempre que fazia alguma
coisa de errado. O que era uma coisa rara de acontecer, já que era uma
garota certa demais para a idade. E de todas as garotas que conheço,
nenhuma é menos fresca. Por outras palavras, são todas atiradiças e
despachadas. "Pois é Anastacia! Pelo andar da carruagem ficas para tia"
penso fazendo aquele bico desleixado.
— Oh Ana deixa de ser
cortes! - ela pende a nuca para o outro lado puxando umas quantas mexas
desengonçadas. O cabelo fica todo bagunçado. - Uma noite! - ela faz um
gesto com o dedo indicando. - Uma única noite! - faz aquele ar pidão.
"Não faças isso comigo,
Kate!" penso começando a ficar totalmente rendida. Esse era o meu maior
defeito, é que eu sempre acabo cedendo aos pedidos da minha melhor
amiga. E depois sempre cabe a mim fazer o meu melhor sorriso para a
foto.
— Boa! - ela sorri toda
satisfeita percebendo que pela milésima vez cedia aos seus pedidos um
tanto caprichosos. - Vem... - ela levanta me puxando pela mão.
— Onde? - pergunto meio confusa, mas era óbvio que como em todas as outras vezes, Kate ia me oferecer um banho de moda.
— O meu closet! - responde ela me puxando de arrastão atrás de si para o seu quarto.
Não sei quantas peças
ela atirou na minha frente para eu experimentar, só sei que todas elas
me pareciam demasiado curtas e apertadas. Nada daquilo era a minha cara.
Aliás sempre adorei um belo jeans, ou uma saia travada, camisetas com
pequenos decotes. O meu corpo naquelas roupas ia ficar todo adelgaçado e
depois não me ia sentir muito bem, porque sempre iria arrumar um jeito
de puxar uma parte aqui para esconder a nádega, ou empurrar a copa do
sutiã para dentro, porque o decote em "V" é grande demais e tem os seios
que ficam demasiado saídos.
Como é de calcular, Kate
nunca gostava de me escutar resmungando na frente do espelho, ela
sempre arrumava um jeito de falar de o que é bom, é para se ver. E que
só tinha que usar, porque era a moda. E porque tinha que andar na moda
se queria destaque entre o sexo oposto.
— Kate, este vestido
está demasiado curto! - reclamo puxando a bainha da saia mais para
baixo. Ela estava ali sentada no sofá de canto beije me observando com
maior ar de gracinha tilintando os dedos sobre os lábios.
— Azul é mesmo a tua
cor! - comenta levando uns dois dedos ao queixo pensativa não ligando
nem um pouco ao que acabara de falar anteriormente. - Talvez um blazer
marron ai ficasse legal! - reviro os olhos levando os dedos atrás da
minha nuca procurando a porra do zíper para descer logo aquele fecho,
pois estava morrendo de vontade de me libertar logo do vestido. - Ana! -
Kate se coloca de pé tapeando as minhas mãozinhas atrevidas do qual
acabo ficando vermelha sem perceber.
— Importas? - pergunto batendo o pé descalço contra o pequeno tapete branco no chão.
— Ainda não terminei! - diz ela entrando no closet e voltar logo depois com uns saltos agulha de 12 centímetros.
É isso mesmo, 12
centímetros mais alta, daqui a pouco até as nuvens podia tocar. "Não
viajes tanto, olha que a queda é grande!" o meu subconsciente logo tinha
de vir, até estranho parecia se ele não opinasse. A minha deusa
interior por outro lado estava completamente maravilhada me observando
com olhos em forma de coração.
— Isso é alto demais
para mim! - fico aflita encarando os sapatos na minha frente como se
fossem algum bicho do qual tenho a maior fobia.
Mas o meu desconforto
não estava no sapato em si. Estava na verdade no andar que teria em cima
daquela altura escandalosa. "Deixa de ser medrosa, Ana! Vai-te a eles!"
o meu subconsciente ataca, era como se tivesse sentido um empurrão
inexistente nas minhas costas.
— Sem reclamar! - ela me
aponta o dedo fazendo uma cara feia. Suspiro rendida e os acabo
calçando de vez por todas calando todos.
Quando finalmente me
vejo completamente vestida dos pés à cabeça, é que Kate bate palmas me
permitindo a despir. Só sei que o fato de me libertar daquele vestido,
soltar aqueles sapatos altos é que pude me jogar na cama e sentir
verdadeiramente livre. "Como é delicioso estar nua" pensei fazendo uma
careta enquanto observo o candeeiro ali no tecto. Kate logo veio se
jogando no meu lado ficando de bruços com os pés a dançar no ar. Olhei
para a minha amiga.
— Tenho mesmo que levar
aquela roupa? - perguntei como se por alguma razão existisse uma
alternativa. Mas com Katherine Kavanagh nunca se sabe o que se pode
esperar.
— Aquela roupa fica
lindamente em ti! Vais dar muito nas vistas e não dou nem mais que essa
noite para teres ai um novo admirador. - ela fala em sorrisinhos ao qual
me vejo obrigada a dar um tapa no seu ombro assim que me viro.
— Só tu para me colocares numa situação constrangedora como essa, Kate!
— Até parece! - ela se
levanta ficando de joelhos e armando um coque em seus cabelos com as
mãos habilidosas. - Na hora que estiveres com o teu mais que tudo, ainda
vais agradecer aqui a mim por isso! - abro a boca num "O" para tamanho
convencimento da sua parte. - E não faças essa cara linda, porque eu te
conheço muito bem, Anastacia Steele! - reviro os olhos.
— Claro! - encolho os ombros puxando o travesseiro abaixo da minha nuca para esconder o meu rosto.
— Nem penses em te
esconder! - Kate protesta tirando o travesseiro de cima do meu rosto. -
Aliás, que tal a gente ir cuidar do jantar? É que depois tem a coisa do
banho, maquiagem, roupa, cabelo... -
a interrompo do seu estresse do
momento cansada de a escutar.
— Posso pelo menos ter
um minuto de paz e tranquilidade? - ela me olha fazendo um beicinho
ofendido com a minha ousadia. - Obrigado! - agradeço sendo irónica,
sempre sabia como arruinar o clima.
Gostaram?
Do que
estão esperando para falar o que acham que vai rolar?
Será que ela vai
encontrar o todo poderoso CG numa boate? Acham mesmo?
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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