Start Again a New Chance for Love - Capítulo 9
Faltavam 5 minutos para
as oito em ponto, Christian devia estar chegando. Mas como? Levo um dedo
ao queixo ali me encarando na frente do espelho daquela gelataria meio
requintada. Não conseguia lembrar o momento em que havia repassado meu
endereço, só que puxando um pouco mais por minha massa cinzenta, pude
perceber que até o contato ele fora habilidoso para achar. Então, é só
um pouco mais Ana, só um pouco mais. Ele consegue tudo, mas de mim não.
Quando voltei para a
mesa José estava me esperando com a sua bebida pela metade. Sorri
olhando para ele ao sentar e pegar o canudo do meu sorvete de
morango&banana tomando um golinho.
— Está perfeita, Ana! -
fala José de mãos sobre o longo copo de cerveja. - Tem a certeza que não
quer ir jantar a algum lugar? - sorrio fraco.
O convite era tentador,
mas tinha outros planos. Planos esses que envolviam Christian Grey e sua
mania de conseguir tudo o que quer facilmente.
José encolhe os ombros
tomando o resto da sua bebida e acena a uma garçonete de uniforme rosa
muito justo e curto. Rio quando a vejo ajeitar a bainha da saia.
No outro lado da rua,
meu amigo me oferece o seu braço até ao carro. O caminho se faz pouco
entre conversas paralelas sobre fotografia e esse trabalho que ele anda
todo entusiasmado em expor, mas que ainda não tem data agendada.
Ao chegar no bairro onde
vivo, vejo um carro parado na berma, um audi negro, o meu coração
aperta um pouco, muito embora tento mostrar um ar impassível, não fosse
meu amigo perceber minha preocupação. "Descontrai, Ana" avisa meu
subconsciente, logo respiro fundo.
Assim sendo, talvez um
pouco nervosa demais, saio na companhia de José, eu queria que me
acompanhasse até à porta do edifício. Mesmo para que Christian me veja
ali, que não me tem na sua mão como tanto julga. Assim que recebo um
beijo em minha bochecha, sinto meu rosto corar espontaneamente e aceno
um "tchau". Contudo, não fico só por muito tempo, pois pelo reflexo do
vidro, vejo aquela porta abrir e de lá sair um homem extremamente
elegante. "Porra, ele é poderoso... ele é tão... tão... perfeito" digo
para mim mesma pensativa. "Não seja boba! Fique quieta e não dê na vista
que parece demasiado ansiosa!" o meu subconsciente aconselha. Pela
primeira vez um conselho que eu realmente aprovo. A minha deusa estava
palpitante, de coração nas mãos, literalmente.
— Boa noite srta.
Steele! - me viro lentamente para o encarar, mordendo meu lábio inferior
procurando guardar de volta a chave. Porque Christian provoca esse tipo
de coisa em mim. Ele me intimida. Intimada demais, mas não posso ceder,
só que minhas bochechas me entregam numa queimação impossível de
controlar. "Suas invejosas! Sempre me entregando para o inimigo" penso. -
Está deslumbrante, até demais para ter saído com aquele babaca
insignificante!
— Boa noite, sr. Grey! -
retribuo educadamente o mesmo cumprimento, muito embora meu desejo
fosse virar as costas por sua grosseria ao se referir a José. -
Obrigado! E José não é um babaca insignificante que fique claro... -
digo alçando melhor a bolsa no meu antebraço.
— Anastacia, vi como ele estava se derretendo para si! - reviro os olhos.
— Esses olhos, não os
revire para mim! - sorrio em deboche. Queria era mais provocá-lo. Não é
só ele todo certinho que pode mostrar que manda. Voltei a revirar os
olhos novamente. - Não volto avisar! - usa um tom ameaçador que me
excita de alguma forma.
"Ena, isto está me
saindo melhor que o esperado" penso gostando do resultado interessante
de como ele fica totalmente descontrolado em me ver o desafiando. Só que
é ai que lembro novamente que tinhas algumas coisas para lhe perguntar.
— Como ficou sabendo meu endereço?
— Sei tudo sobre toda a
gente, Anastacia! - diz ele sem rodeios aproximando de mim com uma certa
tensão na voz, eu pude perceber. Me encolhi ligeiramente e sem dar
conta mordia o meu lábio inferior. - Esse lábio de novo, que droga... -
diz ele olhando meus olhos claros, eu olhei direto nos seus.
— Que se foda tudo!
Fico sem perceber o que
ele queria dizer com aquilo, até então ter meus braços erguidos por suas
mãos rápidas, meus lábios tomados nos seus. Apenas sei que era uma
sensação gostosa e que rapidamente precisei de retribuir com a mesma
urgência. A sua língua enroscou a minha mais envolvente, pois mais
parecia um par numa dança sensual e quente. Tentei em vão soltar minhas
mãos presas nas suas, diante aquela porta de vidro e fria. Ele foi
intensificando as investidas de sua língua em minha boca, eu comecei
logo a ofegar procurando em vão buscar ar. "Cara ele é demais" penso
revirando os olhos totalmente ofegante e perdida. Contudo, me sentia
sendo traída, eu não posso simplesmente ceder assim tão fácil. Ele não
pode chegar e pegar tudo como se fosse seu. Como seu eu fosse uma
propriedade sua, mas ele mexe comigo, mexe, sim.
— Deliciosa! - sussurra
baixo soltando ligeiramente seus lábios dos meus, mas por escassos
segundos, pois os podia sentir novamente em minha boca, repuxando meu
lábio inferior para si. -
Esse lábio... - fala, passo a língua entre os
dentes sorrindo em provocação. Estava me divertindo com aquilo.
Porém, quando achei que
ele ia me voltar a beijar, porque estava completamente pronta para o
continuar provocando, ele simplesmente me soltou recompondo em seu lugar
novamente de frente para mim. A porta ao meu lado abre, um casal na
meia idade sai nos olhando estranho. "Não, espera... ele sabia?" penso
confusa. "Claro que sabia, ele os viu". Me viro para o lado só para me
encarar um pouco melhor no reflexo do vidro, mas até minhas bochechas
estavam bem mais coradas. "Culpa sua Christian" penso passando dois
dedos sobre os cabelos desfeitos os deixando mais recatados.
Envolvendo minha mão na
dele saímos na direcção ao carro. Era uma Audi Q5, novo em folha. Ele
abriu a porta do pendura para mim de forma tão carvalheira que me senti
uma dama. Assim que me instalei, ele fechou a porta dando a volta pelo
lado traseiro do carro entrando no seu lugar ao meu lado.
— Sente-se bem? - pergunta me olhando enquanto puxa o cinto e toca ali no botão da ignição, porque até isso era digital. "Wow"
— Sim, muito bem! - respondo prendendo o meu cinto. Ele sorri para mim ligando o volume do rádio.
Tocava uma sinfonia que
pude presumir ser de Beethoven, pois os seus acordes eram tanto
melancólicos e fiquei logo com uma impressão um tanto diferente desse
homem diante meus olhos que dirigia uma estrada fora muito concentrado.
Christian não era dado a grande falas, disso tinha a plena certeza.
— Onde vai me levar? -
perguntei, mais que não fosse para quebrar aquele silêncio de palavras.
Ele lançou um olhar quente na minha direcção, meus pêlos se eriçaram
todos, e até me senti molhadinha. Incrível como ele provoca essa
sensação em mim.
— Salty's on Alki, um restaurante na marina! - responde ele sorrindo de lado. Um sorriso meio torto, cheio de sombras.
Cada vez mais quero
conhecer esse homem. Ele tem alguma coisa que me fala que não é tudo só
vista. Ele tem alguma coisa que me atrai imenso nele. Pude sentir isso
desde o primeiro encontro, um atracção física muito forte. E depois
aquela pegada na entrada do prédio, aquilo só esclarecia muito o que
estava passando em minha cabeça confusa e relutante. Confusa porque
entrava num mundo de estreias, sensações novas, e relutante porque não
quero ceder se dar luta. Quero vê-lo comer em minha mão um pouco.
Mostrar que o sexo forte nem sempre é o oposto.
— Gosta, não é? - senti
preocupação na sua voz, o olhei de impulso e lá estava aquele olhar
quente em mim, no meu decote. "Oh não, o decote! Kate sua espertinha"
penso baixando o olhar aos meus seios empinados.
— Sim... - aquilo foi o
que ocorreu para responder. - Christian... - ele volta o olhar
concentrado na estrada, até cair com ele em mim instantes novamente.
Ergo a nuca confiante. - Na noite passada perguntou se frequento com
regularidade aquele lugar, eu respondi que não... - ele assente com a
cabeça. Continuou. - mas não tenho a certeza se perguntei se frequentava também... - ele ri livremente. Teria eu contado alguma
piada sem saber? "Engraçadinho" franzo ligeiramente um dos olhos ao
pensar.
— Anastacia ontem foi
uma irregularidade! - responde, pisco os olhos algumas vezes.
"irregularidade, como assim?" - Não sou o tipo de cara que sai numa
balada! Não o tipo de cara que possa estar à espera. - meu coração
palpitante cai em pleno chão frio, do que ele estaria falando?! - Sou
muito diferente! - ele roda a cabeça de encontro à estrada que pega como
atalho, já que podia ter uma bela vista do cais. Ver aqueles barcos ancorados na marina com a lua banhando as ondas trémulas.
Não consegui abrir a
boca naquele momento, Christian estava se revelando, não tanto quanto
esperei, é certo. No entanto, esse não era o motivo que me fazia ficar estarrecida com suas palavras, mas o fato dele concluir com a plena
convicção de que não me podia dar aquilo que eu espero. De que forma ele
sabe o que espero?
Ao sair do carro ele me
veio segurar a porta para que eu saísse, até isso era completamente
estranho e contradizia todas as suas palavras. O arrumador logo vem para
pegar as chaves de Christian e guardar o carro numa vaga devida. Ele me
oferece a mão, por um segundo penso em recusá-la, mas era um jantar, íamos entrar num lugar cheio de olhos curiosos. Juntos entramos no
restaurante esplendoroso.
Estava cheio, podia deslumbrar de todos os
cantos com as melhores vistas para o mar. Algumas pessoas
consequentemente nos observavam, em murmúrios, é certo. Mas me senti
bem, me sentia eu mesma ao lado de um homem elegante e gostoso.
— Anastacia o que está
pensando? - ele pergunta me tirando do transe de pensamentos. Podia
simplesmente responder de forma direta às suas palavras curiosas, mas
decidi não o fazer, não agora na frente da moça. - Tem uma reserva em
nome de Christian Grey para duas pessoas! - dessa vez dirige a palavra a
uma senhorita de preto e rabo de cavalo impecável.
— Por aqui! - ela indica.
É então que subindo ao
primeiro andar percebo a diferença de uma sala cheia para uma sala
vazia. Aquela se muito não me engano só tinha cenário para duas pessoas.
"Para tudo" penso confusa quase travando o meu passo. Ele falou que não
é do tipo romântico, porém isso vai muito contra o que havia frisado.
Será que só eu estou entendendo isso? Christian não é certo das ideias.
A mulher nos deixa à
vontade. Christian puxa a cadeira para mim com um sorriso nos lábios,
sento empinando a bunda ligeiramente, mostrando charme. Ele procura
sentar na sua na minha frente sempre em pouse elegante. "Você não cansa
de ser perfeito?" penso mordendo o lábios e lembrando. Não Ana, agora
não é hora de deixar a mascara cair. Não dês a impressão de que ele está
no caminho certo. Continua o teu jogo, tortura esse homem. Continue
cozinhando em banho Maria.
— Eu vi isso... - ele
comenta baixo num sussurro tocando meu pé com o seu. Sorrio em desafio,
mostrando minha confiança feminina ao máximo.
A mesma mulher nos deixa
dois cardápios. Passo desde logo os olhos pela vasta lista de comidas
deliciosas e fico indecisa. Algumas vezes olho por cima para ver se ele
sentia a mesma insegurança, todavia, tudo me sairá um pouco ao lado. Ele
era muito confiante, pois estava fechando o cardápio e entregando à
mulher. Ena, ele é tão rápido.
— Já decidiu Anastacia? - perguntou com aquela voz que me fez ter um impulso de responder "sim, mil vezes sim", só que não.
— Estou um pouco
indecisa! - digo olhando entre um menu e o outro. Ambos eram
completamente diferentes, mas saborosos. - Entre um Foie gras e Orgia
Marina. - fecho o cardápio entregando para a mulher que se derretia para
Christian, pois não tirava os olhos de cima dele.
Fiquei até com um ciúme
básico. "Porquê?" me perguntei mentalmente porque estava com esta
sensação. Ele não merece, não, ele definitivamente não merece.
— Escolha Orgia Marina! -
aconselha ele fazendo olhos para mim. Retribuo sorrindo torto, pois era
insinuação. Pude perceber perfeitamente. "Seu safado".
— Para beber, um
Sancerre! - ela assente nos deixando simplesmente sozinhos. - Espero que
esteja desfrutando, porque eu com certeza estou adorando! - diz ele
queimando seu olhar me mim, desço logo o meu olhar à sua mão na minha,
pois seu polegar acariciava a minha pele. Quanta ousadia, meu senhor.
— Estou gostando, sim! -
digo. - Só não entendo porque escolheu uma sala isolada! - precisei
abrir boca, não deu mais para calar. - Qual é o propósito de tanta
privacidade? - precisei questionar. Se tem coisa que não consigo domar é
minha curiosidade instigadora.
— É muito simples,
Anastacia! - aprendi toda atenção que tinha nele e em sua explicação. -
Eu quero poder conhecê-la sem nenhuma interrupção! - um sorriso
malicioso surge nos meus lábios, aceito a justificação. - Então sem
rodeios, me fale um pouco de si! - pede.
Inspiro profundamente
enquanto faço uma pesquisa rápida sobre os meus pensamentos. Afinal
queria só contar as coisas mais relevantes, não os detalhes desastrosos.
— O meu nome é Anastacia
Steele, vivo com a minha melhor amiga, Katherine Kavanagh desde os meus
18 anos! Me formei em Literatura Inglesa na WSU (Washington State
University Vancouver). Meus pais vivem em Savannah! - conto tentando não
esquecer de detalhe algum, embora os tivesse falando por livre vontade,
não porque os estava pedindo. - Me mudei para Seattle tem 2 meses,
ainda estou me adaptando, é certo... - dou uma risada baixa, franzindo
brevemente os olhos. - Mas com isso tudo estou confiante que vou
conseguir um lugar na editora da SIP. - ele não havia soltado a minha
mão desde que começara o meu churrilho de palavras, pelo contrário
continuamente havia continuado ali acariciando-a. - É isso, acho que
falei tudo da minha vida, mas e tu?
Christian começa a rir,
como se estivesse tão na cara. "Oh Anastacia!" o meu subconsciente me
repreende mentalmente como se fosse tão óbvio. A minha deusa estava
fazendo um beicinho.
— O que querer conhecer
de mim, senhorita Steele? Presumo que as páginas da Internet já tenham
falado tudo a meu respeito... - deduz ele ao soltar sua mão que estava
tão gostosa em cima da minha.
— Sinto muito se não sou
uma pessoa muito curiosa para saltar de página em página procurando
bons artigos. Mas tenho uma amiga, ela é jornalista e me mencionou uma
vez que existia um CEO influente em Seattle, e agora sei que esse alguém
é você porque o sobrenome era Grey! - ele balança a cabeça com a minha
dedução breve e resumida.
Um empregado chega nos
servindo o vinho que ele havia escolhido. Christian agita o liquido no
copo ao erguê-lo da mesa e toma um gole em ar apreciador. Ele devia ser
um bom entendido em vinhos, pois ostentava uma pouse irresistível. Me
senti até mal na sua frente, porque para mim vinhos são todos iguais.
— Por um momento achei
que fosse falar que eu era gay... - escutar a palavra "gay" me aperta o
coração. - Não Anastacia, eu não sou gay. - esclarece sem eu ter pedido
explicações, até nisso ele me surpreendia. - O fato de não aparecer em
público acompanhado de mulheres, não quer dizer que não goste do sexo
oposto. Muito pelo contrário, sou apenas reservado. - tomo outro gole,
só para conseguir entender melhor tudo aquilo. Era demasiada informação
para uma noite apenas.
— Entendo! - reviro os
olhos tomando um outro gole. Os pratos nos são servidos e cheirando
aquele aroma delicioso me cresce logo água na boca. - E sua família?
— Meus pais são pessoas
ocupadas com o trabalho, em parte aprendi a dar valor a isso desde bem
cedo. E tenho dois irmãos, Elliot e Mia! - sorrio ao lembrar de Elliot o
cara da Kate. - O acabou por ver na noite anterior, ele meio que ficou
ocupado com sua amiga. - rio lembrando o sumiço. - Anastacia... - ergo o
olhar do prato a ele quando escuto chamar por meu nome completo. Porque
ele simplesmente não o encurtava como todo mundo?
— Pode chamar de Ana... - o relembro.
— Anastacia... - repete
ele com um sorriso nos lábios pegando o garfo. - gosto do modo como o
seu nome soa na minha cabeça. - sorrio humedecendo os lábios. Ele toma um
gole de vinho me olhando intensamente. Me sinto tensa nesse instante,
uma adrenalina invulgar corre desde o meu umbigo até ao meu sexo. -
Aliás, esse jantar tem outro propósito também, não apenas o fato de a
querer conhecer... - ergo ambas as sobrancelhas passando o guardanapo
nos lábios para tirar o excesso de batom. - gostaria de lhe fazer uma
proposta!
— Uma proposta?
"Proposta?" o meu subconsciente repete comigo tão absorto quanto eu. A minha deusa estava tensa de olhar pregado na gente.
Gostaram? Querem mais?
Hoje tem maratona de 3 capítulos!
ANSIOSOS?!
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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