Start Again a New Chance for Love - Capítulo 15
Pov. Anastacia Steele
Kate não havia parado o
resto da tarde com a história de ter recebido um presente de Christian.
Afirmando o tempo todo que ele estava realmente interessado em mim, que
devia realmente presentear com uma oportunidade a esse Deus grego e
lindo de morrer. Claro que ignorei todos esses conselhos. Ela não ia
pensar a mesma coisa se conhecesse os segredos que conheço e que sei
esconde, aquele seu lado obscuro, peculiar e cheio de sombras que me dá
arrepio na pele só de lembrar.
Aliás, mulher alguma em
sã consciência aceita proposta alguma que venha daquele homem. Onde é
que já se viu, isso? "Não seja exagerada" o meu subconsciente repreende,
reviro os olhos consequentemente não dando a mínima se ele estava
contra mim e a favor daquele sádico. A minha deusa interior parecia
desiludida, talvez por ver a sua protagonista no chão. Literalmente no
chão, só que não. Estou bem, só não quero entrar por caminhos apertados,
que sei que posso não superar mais tarde.
E se eu me apaixonar por
aquele homem? Como é que vou acabar? Não quero ter o mesmo final triste
que todas as suas outras submissas em suas mãos. Um troféu que possa
exibir para o mundo e se vangloriar por ter uma mulher. Uma mulher para
fazer o que quer e bem entender. Não quero ser só mais uma que ele possa
ser usada e descartada quando não o satisfizer mais.
E sempre irá me perseguir, esteja onde eu
estiver. Continuamente darei provas de que ele terá que se esforçar
muito mais para conseguir me conquistar por inteiro. Que terá que mudar
um pouco, nem que não seja no fato de valorizar mais o sexo oposto.
Deixar de ser um machista predador que usa a mulher como objeto sexual.
— Estou entre a espada e
a parede! - digo para mim mesma num murmúrio tão baixo pegando na caixa
e a arrumando dentro do cómodo de madeira branca.
Porém as minhas mãos
acabam me traindo novamente ao abrir a gaveta e tirar o BlackBerry para
fora. Dou comigo a encarar aquele aparelho de celular tão bonito, de
cheiro a novo e tão caro. Apesar de tudo, tinha que dar razão a ele, o
meu celular está velho, assim como muitas coisas que tenho aqui, que
vieram comigo desde que sai de casa para estudar fora e começar a minha
vida do zero, em busca de ser alguém mais independente e melhor.
Desde cedo que aprendei o
verdadeiro valor da poupança e o que isso representa. Por isso mesmo,
nunca me dera a grandes luxos, pois antes de mim, tem sempre um monte de
pendências para deixar liquidadas. Raramente sobra alguma coisa que
seja para uns mimos. Afinal nunca me senti tão bem como agora, tão dona
do meu próprio nariz. No entanto, a ideia de receber presentes caros e
se sustentada por um homem é algo pavoroso. Para ser sincera, isso me
deixa assustada. Me faz sentir pequena e desprotegida e é de longe o meu
objetivo, pois quero ser uma mulher livre, independente e forte. É isso
que quero para mim. Será que ele ainda não percebeu isso? Há, claro!
Christian Grey só pensa nele e no seu super ego. Se acha sempre superior
a tudo e todos, negando aceitar a vontade dos
outros. Só que comigo
isso não pega.
— Vem, Ana! - Kate surge
na ombreira da porta de meu quarto me olhando intrigada. - José está
nos esperando lá em baixo! - diz aproximando de mim e pousar sua mão em
meu ombro. - Há, espero que não se importe por eu ter convidado Elliot,
sabe como é, não quero ficar lá de vela... - ela fala em tom de
brincadeira.
— Kate! - a repreendo.
Entre mim e José nunca aconteceu nada e nem ia acontecer apesar de saber
suas intenções comigo. Éramos amigos desde a época do colegial e tinha
um imenso carinho por ele. Por isso só lhe devia respeito. - Tudo bem,
tem ideia de onde vamos jantar, então? - pergunto pegando minha bolsa e o
celular antigo, pois ainda não sinto que é hora para inovar, pelo
menos, não agora, se bem que não aceitei de caras esse presente e só não
o mando devolver agora, porque estou de saída, pois por outro lado já
estaria a caminho da Grey House.
— Estava pensando em
irmos no The Melting Pot, o que acha? - Kate pergunta ao pegar a chave
do apartamento no chaveiro do hall da entrada. Visto meu casaco
impermeável caramelo acenando positivo à sua proposta. - Eles servem os
melhores fondue de Seattle, vais adorar, Ana! - encolho os ombros
sentindo meu estômago quase revirar.
Descendo do elevador ali
no térreo, saio na frente de Kate e avistando meu amigo no lado de fora
nos esperando, corro para o cumprimentar. Não via José desde o dia em
que tomamos aquele lanchinho gostoso na lanchonete. Ele continuava
igual, mas também não se passou assim tanto tempo. "Ana foco! Foco, Ana"
o meu subconsciente adora mesmo me tirar dos meus devaneios. A minha
deusa estava muito matreira, provavelmente armando alguma coisa ilícita.
— Ana! - José me
cumprimenta dando um abraço. - Estás linda! - elogia. Sorrio corando
involuntariamente. - Olá, Kate! - cumprimenta Kate ao me soltar dos seus
braços.
— Olá, José! - falo em uníssono com a minha amiga e rimos com isso. - Já não morremos hoje! - digo ainda em risos.
— Estão prontas? -
pergunta ele dando a volta pelo lado traseiro. - Sabem onde vamos? -
pergunta olhando de mim para Kate que foge para os brancos traseiro
assim que abre a porta de trás. Ia caber a mim ir ao lado de José.
"Espertinha" penso franzindo os olhos ao olhá-la de canto. "Me pega"
penso novamente não contendo um sorriso.
— The Melting Pot, José!
- indica a minha amiga se debruçando na cabeça do meu banco. Tive
vontade de morder a sua mão por ser tão safada e provocadora.
Todos instalados, fomos
diretos pegando a interestadual no sentido norte-sul, pois o tal
restaurante ficava para lá. Durante todo o caminho Kate não perdeu tempo
em questionar José sobre os progressos da nova exposição que ia
realizar em Portland. Por acaso tinha alguma curiosidade em ver essa
bendita exposição, pois meu amigo sempre fora um excelente fotografo.
Ele é muito criativo, tem bom foco, sempre capta todos os pormenores que
ninguém está à espera.
— Tenho fotos tuas para expor! - diz ele me deixando embaraçada no momento.
— Aproveitei que estavas distraída e fotografei, já que se te pedisse, não ia ceder. - ele ri.
Kate me faz olhinhos ao olhá-la. "Sua atrevida" penso querendo dar um
tapa no ombro dela.
— Quero ver essas fotos! - digo enchendo o peito de ar ao olhá-lo. Ele tira os olhos da estrada por uns segundos e sorri.
— Só se fores ver a exposição no dia 7 de Junho! - faço uma careta com essa resposta. Estou me sentindo desapontada agora.
"Aprende a esperar como
todo mundo" o meu subconsciente me lembra de um mero detalhe. Estava
reconhecendo essa celebre frase. Há, sim eu a usará para castigar
Christian. Como esquecer.
~*~
Sentados na mesa
esperando a comida vir, Elliot chega e beija Kate em maior clima de
romance. Ergo ambas as sobrancelhas e desvio meu olhar a José que
parecia os olhando do mesmo modo que eu.
Acabamos rindo com toda a cena,
nos sentindo a mais.
— Hey! - cumprimenta
Elliot por alto. - Olá, Anastacia! - sinto um ênfase em meu nome. Teria o
irmão safado falado de mim? "Grey" penso revirando os olhos ao encher
meu copo com vinho. "O que pensar dessa família" penso novamente ao
pegar no copo e levar de encontro aos meus lábios tomando assim um
golinho.
O entusiasmo levanta de
vento em poupa quando, Kate aproveita a ocasião para falar sobre
jornalismo e do quanto estava empolgada trabalhando na redacção de
Seattle, mesmo sendo uma mera estagiária. Elliot segura a mão dela
acariciando com a pontinha dos seus dedos. Os meus pensamentos voam às
mãos voláteis de Christian e que elas eram bem capazes de fazer em mim.
"Oh porra, Ana" me repreendo mentalmente não querendo pensar nele,
definitivamente não querendo mesmo. Então tomo um gole de vinho, excedendo a minha cota de saturação alcoólica. Mas e dai?
Ele está está
aqui para dizer o que devo ou não fazer. Além que não é meu pai para me
atribuir suas ordens. Não esquecendo o fato de que não sou propriedade,
muito menos de ninguém. Sou livre e desimpedida. E acarto todas as
escolhas que achar certas para mim, da forma que bem entender.
Passando do jantar ao
digestivos, aceito a proposta de José e tomar um drink no balcão. Afinal
nem eu, nem ele estávamos com vontade de segurar a vela ao casal na
mesa, já que Kate e Elliot se tinham esquecido de nós, definitivamente.
"Okay, foi bom enquanto durou" encolho os ombros pensando.
— Nunca pensei ver Kate
tão entusiasmada com um namorado! - comenta ele debruçando no balcão.
Rio olhando eles mesmo por cima do ombro.
— Até as pessoas mais
loucas conseguem ser felizes, sabe? - concordo sorrindo de lado e a
bargirl nos servir um daiquiri para mim e um whisky para José. -
Obrigado! - tento ser gentil, apesar de saber que aquele era o seu
trabalho e que o dever como empregada era ser gentil com os clientes.
Tomo um gole através da
palha vermelha e franzo os olhos sentindo aquele toque agre do álcool,
mas para o disfarçar em minha boca mordo o morango. José estava me
olhando enquanto toma sua bebida. Mordi a palha entre meus dentes,
aquilo estava saindo divertindo. Muito embora esse meu divertimento
tivesse um nome, álcool, mas não apenas.
Mesmo no canto existia
uma pista com alguns casais dançando improvisado. Aproveitei a deixa
para soltar a mulher que tem dentro de mim, dançando desinibida e
animada naquele lugar cheio de pessoas. Não demorei muito para na
sequência disso a sentir um vibrar junto à minha virilha. "Hein?" penso
ficando confusa. "Tem alguém me ligando" constato em pensamento me
afastando do barulho que sai das caixas de som nos cantos do
restaurante.
Entro num lugar que
identifico como sendo o banheiro feminino e puxo o celular do bolso
olhando o visor e revirar os olhos ao perceber de quem se trata. Uma
parte de mim ansiava por desligar o celular e esquecer que ele existia,
mas a outra parte queria provocação, muita provocação. Assim sendo
atendo.
— O que queres? -
pergunto com uma voz altiva tapando um ouvido para não ecoar muito
barulho confuso para a minha cabeça, ou nem que apenas fosse para
disfarçar o lugar onde estava, pois não queria dar satisfações da minha
vida, apesar de não lhe dar tamanha liberdade para o fazer.
— Anastacia está bêbada?
- pergunta, vejo me obrigada a olhar no espelho. Mas como ele sabia
isso se nem sequer está aqui? Só então é que pensando melhor é que
deduzo de onde tenha partido o boato. "Elliot" penso cerro os dentes com
uma raiva. "Mato aqueles dois" penso novamente. - Vá imediatamente para
casa! - fala numa voz quase gritante e fria. Aquilo me arrepiou, mas em
vez de o temer, só ri, era tão divertido contrariar o senhor
controlador.
— Não é meu pai para me
obrigar, sr. Grey! - falei em entoação humorada. - Agora me deixe em
paz! - mordo o lábio encarando o espelho e fazer uma careta divertida.
— Anastacia não me faça
perder a cabeça! - volto a rir com a sua voz fria e tão séria. Podia até
imaginar aquela sua pouse enfurecida, ver aquele fumo sair de sua
cabeça de tanto descontrole.
— Ou que me acontece? -
pergunto desafiadora. Minha língua hoje em particular está bem afiada.
Hum, tenho que tomar mais uns drinks daquele. Mordo o lábio me
divertindo muito. - Tchauzinho... - começo a cantarolar baixo ignorando
seu papo furado.
— Vá já para casa ou eu
não respondo por mim! Não vou voltar a repetir! - reviro os olhos
afastando o aparelho do ouvido. Fazendo algumas caretas, porque
Christian estava merecendo isso e muito mais, consequentemente
aumentando as minhas cantadas na frente do espelho. - Não revire os
olhos, ANASTACIA! NÃO CANTE, ESTOU FALANDO SÉRIO! - levo a mão à boca
fingindo medo. Rio novamente desligando a ligação.
"Ups" penso rindo mais ainda.
— Ligação caiu, senhor
controlador! - falo num sussurro encarando o aparelho o desligado
definitivamente para não ser mais perturbada e o guardo dentro do bolso
como se nada tivesse acontecido.
Em resultado a isso,
continuo ignorando o que havia falado, ignorando o seu tom ameaçador,
mas a mim ele não mete medo e nem sequer dá ordens.
Continuo animada
me divertindo. José até me perguntou porque havia demorado tanto, mas
não dei explicações em relação a nada e tomei mais uns drinks. Se tem
coisa que gosto é de curtir e quando já estou para lá o normal, a
animação é a minha contaminação.
Começo a dançar com José
umas músicas muito mexidas e de me deixar extasiada, querendo mais
alguma dose de bebida para aliviar aquela sede incontrolada que invade
minha garganta. Um tempo depois de tantos passos de dança os calores
começam a subir, começa a ficar insuportável estar ali dentro, naquele
lugar fechado e cheio de pessoa.
— Vamos sair daqui! - falo no ouvido dele o puxando comigo para fora do restaurante.
Na rua estava uma brisa
refrescante que me dei ao luxo de respirar profundamente e alongar um
pouco o pescoço. José começou logo a fazer uma massagem relaxante entre
os ombros, comecei a fechar os olhos encostando minha cabeça em seu
peito, já que ele era um pouco mais alto que eu.
Contudo, quando sinto
que vou relaxar mais, eis que me sinto a cair. Pois José se desencostará
de mim de forma brusca me deixando querendo mais. Abro os olhos confusa
com o que estou vendo. Mas espera lá, aquele é...?
— CHRISTIAN? - falo numa
voz gritante. Mas o que ele pensa que está fazendo? O olho incrédula
ele estava socando José ali no chão. Os dois no chão. - Não! - vou atrás
dele, nem que seja para o impedir de socar mais uma vez o meu amigo. -
LARGUE, JOSÉ! - grito dando tapas nas costas dele com toda a força que
tenho, mas quando encontro aquele olhar furioso em mim me arrependo e
dou dois passos involuntários para trás.
Nunca o tinha visto
daquela maneira, parecia um outro homem. Um animal disfarçado de gente.
Completamente violento, louco e aceso de uma ira descontrolada e brutal.
Consequentemente senti meu estômago revirar às voltas. Me encostei numa
árvore daquele imenso jardim no lado ao restaurante e vazei o que tinha
dentro de mim. Christian logo veio a meu encontro, eu o podia ver a
baixo das minhas longas pestanas. Eu estava bêbada, não cega. Ele
segurou os meus cabelos os prendendo para me ajudar. Mas o que ele pensa
que está fazendo? "Se afaste de mim, é um orgo" penso.
— Avisei para tomar
cuidado! Mas como sempre nunca me dá ouvidos! - alerta, mas é como se
estivesse a falar lá no fundo da rua. - Anastacia? - ele chama meu nome,
mas só lembro de escutar tudo muito mais distante, ver tudo ficar
escuro e desabar de forma involuntária apagando.
Gostaram?
Sei que andavam querendo que Anastacia tivesse outro foco ai, então decidi colocar José, afinal eles são amigos e até se divertem bem juntos.
Kate e Elliot o casalinho! Mas o que acham do que esse Grey mais novo fez?
E a reacção de Christian?
Até ao próximo capítulo, Lucy.
Sei que andavam querendo que Anastacia tivesse outro foco ai, então decidi colocar José, afinal eles são amigos e até se divertem bem juntos.
Kate e Elliot o casalinho! Mas o que acham do que esse Grey mais novo fez?
E a reacção de Christian?
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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