Start Again a New Chance for Love - Capítulo 6

Pov. Christian Grey

Toda a vez em que Anastacia mordia aquele maldito lábio, me acendia mais a vontade espancá-la ali mesmo. Era muito irresistível olhar sem poder tocá-la, fazê-la implorar por parar minha tortura gostosa. Escutar os seus gemidos, que para mim só são mais que prazer.

Desta vez tinha mais certezas que nunca. Queria aquela mulher para ser minha, minha submissa. 
Queria dominá-la ao máximo. Pois sua ousada personalidade me fazia ficar louco de vontade de punir toda a vez que me contrariava. Era teimosa até no modo de como agia comigo. Da maneira de como simplesmente se recusara aceitar a minha carona para casa, mesmo depois de alertar para os riscos perigosos que seria andar por ai numa noite desacompanhada. "Anastacia nem imaginas a vontade que tenho de te punir" penso comigo mesmo ao chegar no carro, logo depois de perdê-la de vista entrando no táxi rompendo na noite.

Antes de partir rumo ao edifício Escala, decidi colocar os meus instintos perseguidores em prática. Queria saber tudo sobre essa mulher que me deixara completamente perdido de instintos predadores ativos numa noite. Queria saber tudo, até ao mais pequeno e insignificante detalhe. Saber o que fazia, com quem se relacionava, se teria algum tipo de relacionamento, preferências sexuais. Em suma queria um relatório de sua vida pessoal completo em um dossier. E só uma pessoa da minha inteira confiança podia prepará-lo rapidamente sem questionar.
Foi então que pegando em meu iPhone banhado pela luz dos altos candeeiros da rua, liguei para Warren e pedi com máxima urgência uma investigação detalhada sobre Anastacia Steele e que enviasse todo o relatório para o meu e-mail até ao amanhecer. Assim sendo a minha próxima etapa seria bem complicada de lidar. Leila era o meu outro problema. O problema que deixara prolongar para resolver na madrugada, já que a evitara o dia inteiro.

Subindo à Grey House, a primeira pessoa que vislumbrei da entrada, foi justamente a minha submissa, entregue a um vestido ousado, curto e verde que sobressaía em sua pele pálida. Leila ali continuamente de pé me olhava como quem exige explicações, mas o que não sabia é que eu não dou qualquer tipo de esclarecimento para pessoa alguma. (Regra número 5 - Não dou satisfações da minha vida). Muito menos quando essa pessoa era uma submissa do qual apenas me serve para os meus momentos de prazer selvagem. Aliás, mulher para mim não passa de um objecto sexual.

— Demorou para chegar senhor! - ela comenta aproximando de mim em passos sensuais. - O que se passa? - exige saber tocando em meus ombros com suas mãos pequenas.

— Leila! - falo seu nome com uma voz séria retirando suas mãos de mim, já que não me permito a tocarem em determinados sítios, sendo que são meus limites intransponíveis. - Sabe que não posso corresponder os teus sentimentos! - digo sendo direto, pois essa coisa de rodeios deixava para "elas". - Isso é o que se passa, Leila! - esclareço virando as costas para ela e caminho para o centro da sala deslumbrando da vista que tinha para os outros arranha-céus de Seattle em plena madrugada banhados por tonalidades roxo e cinza.

— Mas senhor... - ela volta a insistir tocando novamente no mesmo ponto. - Porque não pode me dar um pouco mais?

Nesse momento sem olhá-la engesso toda a linha do meu corpo e lembro de todas as regras impostas por mim naquele contrato. Podia simplesmente recordar cada alínea, cada item esclarecedor que se a memória não falha, havia até frisado em itálico/negrito que se tratava de um contrato de Dom/sub, então nunca podia acontecer outro tipo de relação entre nós.

— Leila o que falei lá no inicio? - viro para fitá-la direto nos olhos, pois sabia que ela me estaria olhando e consequentemente assim que nosso olhar colidisse, seria obrigada a descer o olhar em respeito. - O propósito fundamental do regente contrato era simplesmente para explorar sensualidade e limites de forma segura. - ela desce mais a cabeça como uma súbdita perante um rei. - Nunca foi referenciado em alínea alguma a existência de algum tipo de afecto entre ambas as partes. - ela continua igual, sem se mover, quieta como no quarto dos jogos. A única diferença é que não estava nua e com as mãos presas. - Desta forma e porque assim não me serve mais, terei que suspender nosso contrato mais cedo que o previsto. Não me serves mais! - passo lado a lado a ela, não preocupado com a sua reacção, pois raramente voltava atrás com minhas decisões. Palavra, essa, eu só tinha uma. - Se não te importares, antes de sair fecha a porta!

Depois do lamentável desfecho, entregue aos meus pensamentos deitado sobre a minha cama do quarto, onde a única luz existente se resumia à do meu aparelho telefónico e a luz da lua passando o vidro da janela, recebo um bendito e-mail de Warren com os dados de Anastacia Steele. A primeira coisa que lembro de fazer é guardar o seu contato telefónico, pois tinha muita vontade de enviar uma mensagem para ela. Saber como estava, se estaria bem.

Boa noite, srta. Steele!
Como está? Já chegou em casa?
Por favor diga alguma coisa
— Christian Grey

Repouso o iPhone no criado mudo e me levantando num impulso vou até ao andar inferior para buscar meu notebook que se encontrava no escritório. Afinal queria ler esse relatório até ao fim, enquanto esperaria ela simplesmente me responder. No momento em que preparava para abrir a tampa do notebook, foi quando vi uma mensagem cair na caixa de entrada, já que a própria luz led se acendera.

Boa noite, Sr. Grey!
Estou muito bem! Cheguei tem algum tempo e o senhor?
— Anastacia Steele

Sorrio torto ao ler sua mensagem que logo procuro puxar por algum assunto continuando a ter sua atenção integral para mim.

Cheguei agora à pouco
Já está na cama? Vai dormir sozinha?
Não durma tarde
— Christian Grey

As minhas perguntas saiam muito que por instinto impulsivo e sem controle. Mas uma coisa é verdade, sou um possessivo, controlo tudo até ao mais pequeno pormenor. Neste momento queria controlar toda a vida de Anastacia. Porque ela tinha que ser minha. Não ia desistir sem a ter para mim. Nem que tivesse que correr o mundo inteiro só para a voltar a encontrar. Uma coisa tinha toda a certeza, desistir era algo que estava fora dos meus planos definitivamente.

Como ela não respondia e porque já começava a ficar com a mão numa grande coceira, porque conseguia imaginá-la mordendo o lábio irresistível, me torturando sensivelmente, voltei a pegar a merda do meu iPhone, enviando uma outra mensagem.

Porque não me fala?
Adormeceu?
— Christian Grey

Minutos se passaram, os meus olhos só pestanejavam no mesmo acompanhamento do tic tac do relógio no cimo do criado mudo. Anastacia estava brincando comigo, só podia. Pois em duas mensagem nem me havia respondido. "Caramba, onde ela se meteu? O que está fazendo que é mais importante que me responder?" penso começando a ficar nervoso com tamanha ausência de resposta. Revirando na cama a luz do iPhone acende, uma mensagem havia caído. Era de Anastacia.

Calma, estava trocando de roupa
Vou deitar agora, estou muito cansada
— Anastacia Steele

~*~

Pov. Anastacia

Receber aquelas mensagem no meio da madrugada era estranho. Me fazia pensar em um monte de coisas. Primeiro, gostava de saber como ela havia chegado no meu contato. Afinal até onde recordo e porque tenho a plena certeza de que não estava bêbada, muito menos havia ido no banheiro e deixar minha bolsa com ele, não o havíamos trocado. Segundo, ele era muito manda chuva, o que só me faz lembrar o meu pai, senhor Ray Steele, com aquele seu ar preocupado e mandão avisando constantemente para tomar cuidado antes de sair para a faculdade, ou quando me encontrava virando madrugadas estudando para as provas de final de semestre, alegando que devia dormir as oito horas corretas para ter uma cabeça mais fresca e pensadora na manhã seguinte.

Por sorte o apartamento estava todo por minha conta, então podia fazer o que bem entendesse, sem Kate para fazer o seu número de interrogatório de esquadra de policia só para saber o que havia rolado entre mim e Christian. Na verdade entre a gente não rolou nada. Apesar de ser um cara todo bonitão, interessante, irresistível, intimidador. Não ia rolar, não quero homens na minha vida. "Não queres?!" o meu subconsciente acorda nesse momento, reviro os olhos. "Como sabes? Essas coisas não se controlam, elas simplesmente acontecem e cá entre nós dois que ninguém nos escuta, está mexida que eu bem percebi" volto a revirar os olhos e cair na cama. A minha deusa estivera o tempo todo tão animada que agora dormia de conchinha. Provavelmente sonhando com corações de são Valentim.

Pronta para puxar o meu edredom para dormir, vi a luz do meu aparelho telefónico acender novamente. Mordi o lábio involuntariamente, até isso ele arrancava de mim vezes sem conta e abri a mensagem que por acaso era de dele, novamente.

Melhor dormir, está tarde Anastacia
— Christian Grey

Franzo os olhos ao seu ar mandão de novo. Me ajeito em meio aos lençóis devidamente, pois queria saber mais alguma coisa dele, nem que fosse o modo de como ele havia simplesmente chegado no meu número. Volto a digitar rapidamente sobre o teclado do meu aparelho que mais parecia um celular de geração da pedra de tão desactualizado e lento. "Talvez devesse mudar de celular" penso fazendo uma careta.

Sr. Grey
se não for pedir muito, como chegou no meu contato?
— Anastacia Steele

Deixei o aparelho sobre o meu peito, já que tomara a decisão de dormir de barriga para o ar. Fecho os olhos por uns meros segundos, até claro, a luz acender. Rapidamente elevo a tampa do aparelho para ver a mensagem que só podia ser de Christian. Pois até isso me deixava cada vez mais ansiosa.

Srta. Steele
Tenho os meus meios, não revelo as minhas fontes
— Christian Grey

Faço um bico ainda maior, aquilo só me deixava cada vez mais intrigada. Christian não me ia facilitar em nada a tarefa. Certamente que devia estar se vangloriando nesse momento, pois sabia que ia ficar assim, com certeza. Quando preparava para digitar uma resposta, já uma outra mensagem dele caiam na minha caixa de entrada. Ele sabia como me deixar sem argumentos, porque olhando bem para o meu relógio em forma de despertador antigo, oferecido por minha mãe em meu aniversário de 18 anos, via que passava das quatro e vinte da manhã. Era realmente muito tarde e Kate ainda nem havia aparecido.

Anastacia vá dormir
— Christian Grey

Acabei não fazendo nada do que ele mandou, ia contrariar só um pouco mais, porque em mim ninguém mandava. Levantei da cama e deixei o aparelho ali, indo até à cozinha para preparar uns cereais, já que me estava dando uma fome muito devoradora. Procurei tirar uma taça e a enche-la com leite e cereais. Enquanto ela ficava aquecendo voltei no quarto só para checar se havia caído mais alguma mensagem. Christian estava silencioso demais. Deixei ficar assim por mais algum tempo, já que não lhe dera resposta alguma.

Voltei à cozinha, peguei a taça e fui para a sala como se nada tivesse rolando comigo. Liguei a tv para ficar assistindo aqueles momentos de propaganda e escutei barulho na porta. Tomei um susto pousando a taça na mesinha de centro e correr para de trás do sofá. "Será Christian?" pensei me encolhendo atrás do sofá e espreitar com a cabeça de fora muito discretamente. Era Kate, muito animada se despedindo do tal cara com quem sumira. Eles estavam se beijando, eu assistindo. "Err" fiz cara de nojo e revirei os olhos voltando a minha cabeça para dentro. A porta fechou, Kate suspirou. Sai do esconderijo.

— Caramba, Ana! - Kate parecia assustada com a minha súbita saida do esconderijo. - Estava ai à muito tempo? - pergunta como se não fosse tão óbvio. - Então me viu beijando Elliot! - encolhe os ombros entendendo que sim.

— Elliot, então? - retomo meu lugar no sofá e pego a taça voltando a enterrar a colher com mais uma porção para levar à boca.

— E você com o outro cara! - ela muda radicalmente de assunto. - Ele era bem gato, Ana! - cucuta o meu braço. - Me fala, o que rolou entre vocês dois! - ela se senta ao meu lado toda enérgica mordendo o dedo ansiosa para uma boa história com direito a final feliz.

— É, ele é bonito! - digo sem ênfase, minha amiga ia ficar irritada com isso. - Não rolou nada! - pendo a nuca para o lado oposto ao dela.

— Só isso... - ela parecia desiludida. - "É, ele é bonito"... - balanço a cabeça confirmando. - Está na cara que não queres entrar com detalhes! - conclui. - Mas tudo bem, eu entendo... assim não vou contar o que rolou entre eu e Elliot! - encolhe os ombros fazendo seu joguinho. Ela sabia muito bem como mexer comigo.

— Há, Kate... agora não. - dou um bocejo teatral, apesar de não sentir sono de verdade.
A minha cabeça estava a mil. Só conseguia pensar em Christian, Christian Grey o tempo todo.

— Aceito que esteja com sono, mas amanhã não me escapa a um belo questionário e se sair bem sucedida, vejo se conto ou não, o que aconteceu comigo essa noite. - dou de ombros voltando para a cozinha achando aquilo bem justo.

Depois de despedir de minha amiga pude finalmente voltar no quarto. Caindo na cama pude ficar mais surpresa que nunca ao ver tantas mensagens e duas chamadas perdidas de Christian. "Oh meu deus" pensei abrindo os SMS e lê-los.

Não brinque comigo, sei que está acorda
Vá dormir
— Christian Grey

Anastacia já está dormindo?
— Christian Grey

Já percebi que adormeceu
Durma bem
— Christian Grey

Por ver que ele havia percebido que a minha falta de resposta se devia a ter caído no sono, acabei tentando dormir.


Gostaram? Esse Christian está muito controlador, não acham?
E Anastacia? Acham que ela está ficando interessada nele? O que acham dessa posição dela?
Até ao próximo capítulo, Lucy. 

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