Herança do Amor - Capítulo 17

Pov. Christian Grey

No dia seguinte...

A caminho da GEH vou olhando a lista telefónica no iPhone pensando se devo ou não ligar para casa e saber como tudo está correndo, mas acabo não o fazendo, pois não quero parecer que estou controlando tudo. E depois Anastacia está chateada comigo e tudo por conta de não aceitar que os meus filhos tenham uma mascote. Não tenho nada contra pobres animais de quatro patas, mas acho que um apartamento não é o lugar indicado para os manter, estarei assim tão errado? Terei que ser condenado por não querer pisar em cocó de cachorro ao acordar? Ou encontrar meus sapatos cheios de urina?

Isto tem que parar, não vou aguentar este clima entre nós, parecemos dois estranhos dentro de um apartamento e depois eu quero me dar bem com Anastacia, não quero parecer um pai que é rude e que não ama os filhos ou que tem má relação com os empregados só por termos opiniões divergentes.
Okay, admito que quero conhecê-la melhor e que por vezes ponho as mãos pelos pés e só me atrapalho todo com a minha aproximação.

— Senhor Grey chegamos! - Taylor informa ao me tirar de um devaneio e saio do audi batendo a porta atrás de mim enquanto sigo para a Grey House.

Na porta giratória acabo cruzando com o meu irmão Elliot e confesso que não o esperava tão cedo na minha empresa, já que ele desde que começou aquele novo projecto anda muito ocupado, sempre em constantes viagens de ida e volta em um misto relâmpago.
 — É bom te ver irmão! - confirma ele com um tapa nas minhas costas ao me abraçar todo em modo urso desleixado. - Como você está? - pergunta enquanto me acompanha para o elevador.

— Bem e você? Fazendo uma pausa ou veio falar com as minhas arquitectas? - pergunto em gracejo.
Com Elliot consigo despir a pele de CEO frio, até porque sempre que nos juntamos me vejo voltando a ser aquele adolescente que vivia de balada em uma curtição plena para a idade.

— Por acaso vim encontrar com Claire, mas é discussão de trabalho, não se preocupe que não tenciono ter um caso com uma das suas profissionais! - vem logo justificando e encolho os ombros.

As portas se abrem para nós e continuamos a nossa conversa de malucos dentro do elevador. Elliot me conta os avanços que está tendo nesse projecto que pode ser alvo de um prémio e sinceramente fico todo orgulhoso em ver que meu irmão apesar de ter passado tanto tempo na faculdade a bancar o veterano, havia tomado jeito e gosto pela área.

Saindo no trigésimo andar, Elliot continua atrás de mim. Cumprimento Andrea com um aceno de cabeça e vejo um mínimo flerte de olhares entre esses dois. De imediato repreendo meu irmão com um olhar, pois não gosto que ele fique de gracinha com os meus funcionários. Não é ético e nessa empresa de grande prestigio, a ética é tudo.

— Só estava tentando ser simpático! - apressa a se desculpar ao entrar comigo na minha sala. - E meus sobrinhos como tem se portado com a nova babá? Mia não para de elogiar o trabalho dela e até falou que eles estão bem calminhos, terão eles finalmente tomado juízo? E será que ela é gostosa para eu dar uns pegas, hein?

Sento na cadeira de executivo ajeitando o paletó, mas assim que escuto as gracinhas de Elliot em relação a Anastacia, fico logo com um olhar frio e sério na sua direcção. Não sei porquê, ele ativa meu lado possessivo falando desse modo da babá dos meus filhos. E depois um certo ciúme começa a roer interiormente, porque ela não me dá atenção como gostaria, parece distante e isso me consome, pois estava gostando da sua aproximação, lenta, mas gostava. E nós parecíamos a começar nos dar bem, só que pronto o negócio das quatro patas me ferrou inteiro e ela voltou a se afastar de mim. Por isso nem tive coragem de a encarar nem mais um segundo. Acabei voltando para a GEH e passei umas horas vagueando por pelas ruas de Seattle até entrar naquele pub que tem próximo do escala e bebi uns dois whisky puros.

— April e Theodore estão muito bem e você fosse visitá-los mais vezes ira perceber! Mas não inventa de ficar de gracinha com a babá, entendeu? - deixo o aviso ao apontar o dedo para ele. - Já foi complicado achar uma, quanto mais perdê-la agora. - a última parte sai mais para mim do que para ele.

— Ocupado com o meu trabalho, sabe como é vida não é mole... - coça a nuca me olhando todo moleque. - Nossa já vi que a moça te agradou, não é irmão? Para você já estar defendendo ela assim, é porque tem algo ai... - ele muda de posição se debruçando sobre o corpo todo camarada na minha frente mostrando a expressão de pivete de sempre. - Agora é que tenho que conhecê-la mesmo! Qual o nome dela, hein?

Respiro fundo e penso comigo mesmo que não posso ser grosseiro com o meu irmão. Não posso levar tão sério as suas piadas sem humor.

Elliot só está testando seu temperamento, Grey, informa a minha voz interior.

— Anastacia! Anastacia Steele! - respondo sem emoção. - E fique longe, dela! Essa mulher não é para o seu status de pagador, irmão! - a minha ameaça fica implícita no ar.

— Hm... nome forte, aposto que é bonita! - comenta balançando a cabeça para os lados. - Ena já vi que está marcada por você... tranquilo, não vou roubá-la. Não roubei Olivia que era uma gata, não irei roubar esta.

Elliot quando quer consegue ser muito provocador e se não fosse meu irmão, ou se não o conhecesse minimamente acho que já teria partido para cima dele em um passo de guerra, porque odeio quando alguém fica marcando cerrado em cima de uma pessoa que me está suscitando interesse.

— Você não tinha que ir encontrar Claire, não? - tento expulsá-lo literalmente da minha sala.

— Tinha... - ele confirma levantando num pulo da cadeira. - Aliás, eu ligo depois a confirmar um jantar, no seu apartamento está bom? - pendo a nuca estreitando o olhar cinza. - Não faz essa cara, não irmão. Só quero conhecer a Anastacia! Sabe que tenho que aprovar! - começa levantando do lugar no seu estilo bad boy. - Além que está na hora de começar a pensar em superar da Olivia. Você é jovem e tem muito para curtir dessa vida do que ficar ai sentado atrás dessa mesa de trabalho e viver fechando contratos e morrer todos os dias um pouco mais ao se entupir no álcool igual um velho de 60 anos, porque ficou sem a sua companhia.

— Elliot sai! - ordeno já cheio de o escutar, capaz de atirar todas as canecas do pote nele.

~*~

Mais papéis, mais uma reunião em que não consigo ficar 100% focado, porque a minha cabeça está em outro mundo, um mundo não tão longe quanto parece, na verdade bem mais perto e sempre a pensar. A pensar na conversa com Elliot me deixou ligeiramente perturbado. Será que agora meu irmão é uma ameaça para mim? E porque estou me sentindo assim? Ou será que ele está certo em relação a preencher a minha vida vazia de emoções fortes? Não eu não posso estar bom da cabeça para estar a dar razão a Elliot Grey?

Eu realmente desejo chegar no escala o quanto antes, encontrá-la livre e puxá-la para conversar. Mas pensando melhor o que vou dizer? Que estou aborrecido por não ter minutos da sua atenção com antes? Por deixar de ter sua companhia em risadas no sofá onde ela me conta como os miúdos se comportaram depois de chegar no colégio? Ou de como foi engraçado ser interrompida pelo mau feitio de Theodore que ama silêncio quando está em uma leitura de banda desenhada? Do quanto April sai pidona na calada da noite pedindo leite para dormir melhor? Ou para que Anastacia conte histórias às 4:00 da manhã? De novo para voltarmos a brigar por conta de uma mascote? Uma coisa que tem patas e anda?

Há merda, merda! Porque que ela me afeta tanto assim? Porque não consigo sentir que ela possa ser indiferente para mim? Porque isso, meu Deus? Olivia foi você que enviou essa mulher para o meu caminho? 

Acha certo isso tudo me irritar tanto?

Qual a graça, hein?

— Senhor Grey? - abro os olhos repentinamente e olho Ross me encarando por cima dos óculos da giordani. - Escutou alguma coisa do que acabei de falar sobre os chineses?

— Sim... - na verdade a minha cabeça está tudo menos focada no trabalho.

— Ótimo porque agora pode reportar tudo o que acabei de falar! - fala convicta não parando de encarar meus olhos cinza esbugalhados e de fato agora estou perdido. - Pois, eu percebi. Mas se me permite o que se passa? Nunca o vi tão distraído ainda mais ao lidar com assuntos tão sérios. Me fale!
Ross pende a nuca me encarando de semblante preocupado. Eu sei que ela é o meu braço direito aqui na GEH, mas também é alguém que confio e ao longo do meu percurso como empresário, ela sempre fora um pilar sustentável nos negócios. Outras vezes a minha ouvinte em algumas frustrações pessoais. Apesar de presar muito o profissionalismo e usar apologia de que o estatuto pessoal fica de lá à porta, mas com ela as coisas acabam diferenciando um pouco.

Primeiro a Ross é das poucas pessoas em que confio e depois do que houve comigo, acho que nunca fiquei tão receptivo em fazer amizades, tirando algumas pessoas, membros da minha família. E depois ela sempre desabafou comigo as suas frustrações com a namorada, agora esposa, porque conseguiram oficializar a união. Sim, a minha vice-presidente é lésbica e por isso me sinto muito à vontade com ela, pois sei que nunca me vai olhar com uns olhos de "quero te comer". Não que tenha algum problema em encarar uma mulher heterossexual, porque não tenho. Sei muito bem separar as coisas e não sou nenhum adultero que cai de boca em qualquer rabo de saia, ou que pensa no que tem entre as pernas.

— Há Ross, eu nem sei por onde começar, mas sabe...! - assento as costas no estufado da cadeira, mãos sobre as abraçadeiras e rodo ora para um lado, ora para o outro.

— E eu posso saber o que é que está deixando Christian Grey nesse estado? Digo essa causa tem nome? - ela atreve a questionar ao sentar melhor na minha frente.

— Promete não faz julgamentos?

Ross arqueia ambas as sobrancelhas para mim e isso meio que me deixa constrangido. Só que respirando fundo decido abrir o jogo de uma vez indo direto ao ponto. Começo a contar da babá dos meus filhos ser semelhante a Olivia, do fato de a ter beijado no primeiro encontro e a as sensações que senti e que embora estranhas, continuam mais fortes tendo passado quase um mês e meio depois. Que de novo tive outras recaídas, mas que ela está afastada de mim, só porque ambos não aceitamos alguns pontos de vista e à conta disso parecemos dois estranhos. Ainda mais essa manhã que cruzei com ela na cozinha e que ela mal me dirigiu um bom dia, como se eu fosse um estranho qualquer que ela vê pela primeira vez ao cruzar a esquina. Do quanto isso me deixa afectado e por último lhe contei das investidas predadoras de Elliot em querer conhecer Anastacia.

— Olha, talvez você esteja realmente interessado nessa moça, sabe? E os seus filhos?

— April e Theodore a adoram! Ela é uma espécie de um anjo da guarda... - ela sorri breve. - Eles tem a perfeita noção de que ela não é a mãe, mas gostam muito dela ainda assim. E Anastacia cuida bem deles com uma ternura tão forte, tão maternal, tão defensora que sinto que é como se eles já se conhecesse... - ela interrompe.

— Uma ligação?

— Mais ou menos isso... será isso errado? - arqueio a sobrancelha esperançoso por um sim sonoro.

— Sinceramente? - pergunta e assinto com a cabeça que sim. - Não! Você está passando a fase da superação do seu luto e essa moça está sendo a chave disso, apesar de como você falou evitá-lo, mas talvez ela o esteja fazendo para se defender, já imaginou? Talvez ela tenha medo de se entregar aos impulsos... e o fato de terem brigado por conta de uma mascote tenha sido só uma forma de escape para ficar longe de você... - baixo o olhar e encaro minhas mãos pensativo. - Se coloque no lugar dela. Não é fácil para uma mulher ser olhada por um homem que pode estar olhando não ela, mas a falecida esposa só por uma questão de semelhanças físicas! - arqueio ambas as sobrancelhas. - Não digo que é o seu caso, mas do mesmo jeito que você está balançado, ela pode também estar e deve ir com calma...

— É, essa pode ser a razão... - concordo juntando ambas as mãos sobre o maxilar pensativo. - vamos trabalhar, Ross!
~*~

No final da tarde decido terminar com o trabalho e pego no pouco que sobra para cuidar pessoalmente através de casa, já que seria um belo modo de manter ocupado. Mas antes e porque voltei a pensar no assunto da mascote, pedi a Taylor para me levar numa pet shop, apesar de desejar que os meus filhos façam a própria escolha da sua própria mascote, mas assim já iria saber quais as raças disponíveis e descartar aquelas que a meu ver são perigosas.

Okay, nunca fui dado afectos com coisas de quatro patas, mas se esse é um preço a pagar, acho que tenho que fazer um esforço e depois April e Theodore realmente merecem uma companhia como compensação a todos os danos causados no após-morte da mãe e à minha ausência. Não tenho sido o pai que eles merecem!

— Taylor me leve para o escala! - ordeno ao sair da loja já cansado de escutar tanto latido.
Acho que nunca me vou habituar a isso.

Uns minutos depois de chegar no escala, de apanhar o elevador até à cobertura, as portas se abrem para mim. Encontro Gail com um sorriso jovial nos lábios como não recordo de ver em tantos dias. Vou direto a ela que me cumprimenta solenemente.

— Boa tarde Gail! - cumprimento de volta pousando a pasta do escritório sobre o sofá e começo afrouxar a gravata apertada demais para mim. - Os meus filhos já chegaram? - pergunto a olhando de canto.

— Sim, senhor Grey... quer dizer Christian! - se corrige automaticamente. - A Anastacia foi quem os pegou no colégio e a menina April vinha tão contente, devia ter visto os olhinhos da sua filha.

Ao escutar ela dizer que Anastacia havia pegado meus filhos no colégio me deixou abismado, pois Taylor é quem devia fazer esse trabalho, mas respiro fundo não repreendendo ninguém. Afinal é bom ela manter maior contato com eles, assim fico mais tranquilo ao saber que estão se dando bem.

— Vou tomar um banho e quando voltar quero os meus filhos e a babá cá em baixo porque quero jantar com todos! - informo e Gail assente virando as costas para a cozinha.
Sigo para o meu quarto de mãos sobre a gravata pensativo e assim que entro nele vou direto para o banheiro me despindo para tomar o banho que me tiraria dessa desconcentração desconexa que essa mulher causa em mim, mesmo que indiretamente.

Uns 20 minutos depois, estou regressando à sala e encontro Anastacia com as crianças na mesa. O seu olhar desvia de mim sempre que se cruza com o meu. Sento no meu lugar na cabeceira da mesa e olho para ela algumas vezes recompondo o guardanapo sobre o colo. April começa falando pelos cotovelos contando como foi seu dia no colégio e quando Gail surge com o jantar, Theodore é quem começa se servindo. Ainda escuto Gail alertar meu filho do quanto a comida está quente e para tomar cuidado, mas acontece que a minha atenção está bem longe e tão perto ao mesmo tempo contemplando Anastacia e seu mistério interior.

O que eu dava para saber o que vai no seu pensamento.

— Papai? - ao me escutar chamarem saio desse transe hipnotizante e olho minha filha rapidamente. - O senhor quer que eu o sirva? - ela pergunta estendendo a mão para pegar meu prato e sorrio para ela.

— Claro que sim, meu amor... aliás eu tenho uma notícia para vos dar!
April que serve meu prato com uma quantidade generosa de comida para para me encarar curiosa. Os seus olhinhos azuis já brilhando muito reluzentes.

— É uma coisa boa? - Theodore em quem questiona.

— Eu fiquei pensando na nossa conversa de ontem... - os meus olhos receiam em Anastacia porque em certa parte a minha decisão mudara à conta da sua chamada de atenção. - e antes de chegar em casa dei um pulo na pet shop local... - April larga o prato para começar a se mexer muito na cadeira cheia de bichos carpinteiros na bunda. - e vi uns animais que parecem muito dóceis e que vocês vão gostar deles.

— SÉRIO??? - falam os três em uníssono e quase que encolho na cadeira.

Um olhar penetrante em mim é muito, três é demais.

— Sim e queria combinar com vocês de amanhã a gente ir escolher o cachorro que desejam adotar! O que dizem?

April se vira para Theodore e trocam olhares confidentes. Estariam agora os meus filhos em algum reunião de negócios mental? Elevo o olhar a Anastacia que me observa com orgulho e parece que estou caindo de novo nas suas boas graças.

Graças a Deus, alguém acendeu uma vela para mim!

 — Sim, sim... amanhã pegamos um Olaf!

— Olaf? - questiono estarrecido. - Mas esse não é o nome daquele boneco que você tem no quarto que parece uma bola gigante de neve?

— Sim! - responde April mostrando os dentes de leite para mim. - Olaf será o nome do nosso cachorro e vou passeá-lo na rua! Vou cuidar dele muito bem, papai!

— Não, não vai... - reclama o meu filho. - Olaf é nome feio e de menina... ele vai ser menino terá que se chamar de Ollie!

— Olaf? Ollie? Então em que ficamos? - pergunto confuso. - Anastacia desempate é sua vez! - peço pidão.

Ela sorri doce para os meus filhos e olhando brevemente para mim dá o veredicto final ao qual Ollie vence a luta.

— Okay, fica Ollie e não se fala mais nisso!


Gostaram?
O que acharam desse encontro de Elliot e Christian?
Do ciúme que Christian sentiu ao ver o irmão falar com malicia da babá?
Quem aqui ficou feliz com o fato de Christian ceder? Bota o dedo no ar, ok? 
Quero vossas opiniões, ok? Super importante deixar uma autora toda feliz aqui, sim?
Maratona de 4 capítulos hoje de Herança, alguém ai ansioso? ♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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