Herança do Amor - Capítulo 18

Pov. Anastacia Steele

Terminando o jantar, April e Theodore levantaram da mesa mais satisfeitos que nunca. Na verdade eles pareciam tão felizes que até eu me sentia assim. Pelo menos de alguma coisa havia servido brigar com Christian Grey. E creio que terei que o fazer mais vezes, talvez assim ele comece a se moldar ainda mais aos filhos e se tornar um pai exemplar.

— Anastacia! - aquela voz sexy me chama e travo no mesmo lugar, somente rodando a cabeça por cima do ombro para encará-lo com a pilha de pratos sujos entre as mãos. - Obrigado por me ter chamado à razão, eu acho que mereci... - afirma ele.

— Só fiz o que a minha consciência ditou e sou muito honesta quando acho que alguma coisa está errada...

Pego os pratos da sua mão e os pouso sobre o balcão. Nossos dedos se tocam e uma carga eletrica me inunda as veias me deixam inundando de boas energias. Energias positivas que recargam meu corpo cansado e tenso.

— Admiro a sua honestidade, Anastacia... de fato às vezes é que sou muito cabeça dura e por favor pode me perdoar? Me dar assim uma chance? É que a gente estava se dando tão bem... - os nossos olhares se cruzam, é um troca de faíscas intensa. - Juro que estou tentando ser um melhor pai para os meus filhos.
Abro a porta da máquina de lavar louça e respirando fundo volto os meus olhos a ele. No fundo eu queria dizer que sim, que estou disposta a reatar a nossa breve amizade, mas outra parte de mim deseja que não seja tão receptiva com ele, que me devo manter firme como rocha. Só que não é esse o sinal que o meu coração batendo feito louco deseja. Na verdade ele me trai e me empurra para os braços de Christian Grey. O homem que parece honesto, sincero comigo, que me olha com um olhar doce e delicado, sem malícia, perversidade ou sequer ousadia. Porque em outro momento ele poderia pegar em mim e fazer coisas perversas misturando tudo, falando palavras bonitas de ficar no ouvido e me iludir como um verdadeiro canalha. Ele não o faz, isso me deixa cada vez mais perdida, mais indecisa e eu não sei, mas gosto. Gosto dessa sensação de que estou sendo olhada como uma outra mulher, uma mulher de verdade. Alguém que apareceu não para substituir um fantasma ou para reacender memórias que foram roubadas pelo tempo, mas para viver uma história com páginas iniciais de um filme que ambos podemos criar sendo realizadores da nossa própria vida a dois.

— Acho que podemos sim, além de que fica estranho ficar nesse impasse com uma pessoa que tem sido tão legal, apesar dos pequenos incidentes. - ele larga um sorriso nos seus lábios.

Meu Deus, ele está a sorrir para mim e é tão lindo. Ai o que eu estou a pensar? Merda, onde fica o respeito pela alma de José? Aposto que está se revirando no túmulo agora e furioso.

— Espero que não se importe em oferecer uma ajuda. - fala meio brincalhão.

Mas olha, ele tem humor. Agora comecei a gostar dessa reaproximação, algo me diz que dessa vez as coisas podem melhorar a 200%.

Volto para a sala e pego os apoios dos pratos, Christian os copos restantes e de novo mais uma troca de olhares e sorrimos um para o outro. Parecemos até dois adolescentes redescobrindo algumas sensações novas da vida. Será isso possível?

— Bom, obrigado pela ajuda! - agradeço sendo simpática. Gail até nos olha impressionada ao surgir na cozinha quando achei que já teria se recolhido ao seu quarto. - Vou ver se eles já lavaram os dentes! - apresso a dizer, mas ele me impede com a sua mão na minha.

As minhas bochechas traidoras logo começam ficando rubras, é um formigar de sensações ativas correndo todos os terminais do meu corpo. Desço o olhar à sua mão que aperta calmamente a minha e ele a solta lentamente assim que dá conta do que fez.

— Claro que sim, Anastacia! - ele me vira as costas e sai do meu campo de visão.

Olho para Gail que sorri cúmplice para mim e fico com vontade de jogar o pano da louça nela, por estar por ai fazendo algum filme na sua cabeça que não existe. Pois Christian e eu só nos damos bem, é bom ter uma relação saudável com o patrão.

— Vou ver das crianças antes que comece a revolução! - digo deixando o pano dobrado sobre o balcão.

Subo os primeiros degraus da escada e lanço um olhar breve à porta fechada do escritório. Christian de novo vai virar a noite no trabalho e suspiro pensando que talvez seja hora de ir até lá arrancá-lo por uns minutos dos negócios e pelo menos apelar ao bom senso de se despedir dos filhos, pois precisam dele. Já para não falar que fica lindo quando se relaciona com os pequenos.

Munida de coragem e de mãos sobre os quadris pronta a mostrar quem é a Anastacia de verdade, trilho para a direcção da porta e bato nela que nem demora muito para se abrir. Encontro o cinza do seu olhar caído no mar dos meus olhos.

— Algum problema Anastacia? - questiona de sobrancelha arqueada, expressão ligeiramente preocupada.

— Não, na verdade eu só o vinha chamar para se despedir dos seus filhos. - ele me olha concentrado. Parece que analisa o meu semblante com pormenor para esculpi-lo em alguma pedra preciosa. - É que a pequena April pede tanto e as últimas vezes que os visitou, já ambos dormiam.

Christian suspira voltando atrás e fecha a tampa do macbook sem rebater. Um ponto para mim que sou uma ótima mulher com persuasão de palavras.

— Vamos, então?

Ele fecha a porta atrás das suas costas e sigo na frente, me arrependendo uns minutos depois e abrandar o ritmo, ficando lado a lado a ele, pois não gosto da sensação de que alguém está observando a forma de como a minha bunda balança e fico constrangida, porque sei que ele está a olhar. Nós mulheres temos esse 6 sentido. Não que me sinta bem em ser observada, mas incomoda e sou tímida.

Chegamos no quarto de April e decido deixar uma batida leve na porta. Coloco a cabeça dentro e vou entrando.

— Surpresa para a minha princesa! - digo ao ter deixado Christian no lado de lá à espera do seu momento. - O rei veio fazer uma visita para a princesa! - segredo baixo.

Os olhinhos de April começam brilhando intensamente e é visível a emoção de encontrar o pai entrando pelo quarto. Quanto tempo ele não faz isso com os filhos? Me pergunto se alguma vez o fez? Fico observando ambos eles se abraçarem. Os observo de braços cruzados e os meus olhos ficam rasos d'água.

Oh não, lá vem as lágrimas.

— Papai te amo! - April se declara para o pai.

Christian me olha e desvio o olhar de imediato para que ele não me veja já chorando com esse momento de ternura paternal entre pai e filha, uma vez que sou sensível com essas coisas. Tudo mexe comigo.

— Também te amo muito, meu amor!

Ele a pego no colo e acariciando os cabelos, a leva para a cama que rapidamente abro para que a possa deitar direitinho. Aconchego e April se vira para nós que estamos cada um de cada lado à sua beira.

— Você faria um par muito bonito com o meu papai e assim eu te chamaria de mamãe, mesmo você já sendo do coração. - uma lágrima rola do meu olho sem conseguir controlar.

Deixo um beijo na sua bochecha rosada e quando ergo o olhar, Christian me encara absorto em pensamentos e limpo as lágrimas com as costas da mão rapidamente para esconder todos os vestígios de emoção que transborda do meu coração ao imaginar tal futuro para mim.

— Boa noite princesa! - despeço com um beijo na sua bochecha rosada.

Saio na frente de Christian que se mantém em silêncio, talvez pensativo e vou no quarto de Theodore. 

Ele já se encontra dentro dos lençóis lendo um livro de banda desenhada com os herói do DC.

— Hora de dormir, Teddy! - afirmo ao aproximar da sua cama.

— Vou já dormir, só estou terminando aqui. - informa e o seu olhar se mostra surpreso. - Papai? O senhor aqui?

— É, vim desejar boa noite ao meu filho campeão!

— Oba, senhor nunca sobe para vir nos desejar boa noite! - ele fala largando o livro em cima dos lençóis e estende os braços para receber o pai.
 ~*~

Ao descer as escadas até meio, Christian me surpreende chamando minha atenção e na tentativa de olhá-lo desequilibro ao escorregar o pé que faz com que o meu corpo seja projectado graviticamente para o chão. A arestas de cada degrau passam por meu corpo me criando ardor, sensação de impacto profundo contra as minhas costelas. Da minha boca saem arquejos de dor e logo uma voz agonizada grita meu nome correndo as escadas em desespero. Mas confesso que escuto tudo como se estivesse dentro de um túnel profundo.

Alguém me chama, mas é confuso, parece que essa voz está tão longe, que estou num espaço incancável. A minha cabeça está ligeiramente confusa, a latejar com a queda e só pisco os olhos algumas vezes para ter a certeza se isso é real ou um sonho ruim. Christian logo aparece na minha frente, os seus olhos cinza me encarando cheios de preocupação e eu aqui caída no chão igual um tordo, não sabendo o que dizer, porque me sinto confusa, dormente e só quero chorar, porque meu corpo queima na região onde embateu. Me sinto mal, por ser uma desastrada.

— Anastacia fale comigo! - implora ele com uma voz suplicante.

Os meus olhos oscilam confusos encarando ele, movo um pouco o corpo querendo levantar, mas uma dor aguda se atravessa ao cumprido na minha coluna me fazendo ficar inerte neste chão frio e lágrimas vertem dos meus olhos como resposta a dor que rompe em mim.

— Não se mova, pode piorar! - ordena gentil, mas ainda assim me olhando preocupado. Uma preocupação que me faz sentir mal. - Só fale comigo para ter a certeza que está bem! - oscilo a cabeça um pouco e abro os lábios para deixar a minha boca se expressar.

— Estou... bem... - sussurro não tão certa quanto esperaria, mas isso o tranquilizaria.

Sinto o meu corpo se mover do chão, é Christian me carregando em seus braços fortes e fecho e abro os olhos encarando a sua expressão continuamente preocupada que me agoniza, porque não quero que sinta pena ou preocupação excessiva sobre mim. Sou pousada sobre uma superfície plana, macia e olhando o cenário em volta, percebo que estou deitada no sofá da sala. Christian acaricia a minha mão com um toque tão suave que faz lágrimas rolarem da minha face livremente. Estou cheia de vergonha, ele vai me achar estúpida depois desse episódio desastroso.

— Está com dor? - ele pergunta enrugando a testa ao secar as minhas lágrimas com o polegar. - Quer que chame um médico? Se quiser eu a levo num hospital! - mas nego com um aceno de cabeça e selo o meu dedo indicador nos seus lábios não sabendo bem porque o fiz.

Christian toca o meu dedo com a suavidade dos seus lábios. Fechando seus lindos olhos acaricia o meu rosto com delicadeza, afasta uma maldita mecha.

— Preciso preparar o leite ou April não vai dormir... - afirmo.

Levantando de forma brusca e sou terrivelmente atacada por uma forte dor agonizante que me paralisa até a respiração. Os meus olhos se arregalam e o meu coração parece que perde a batida e as mãos de Christian tomam os meus ombros, me segurando com firmeza de quem impede que faça mais algum movimento em falso que me possa prejudicar. Ele os empurra para que deite de novo na posição adequada para repousar.

— Por favor me deixe pelo menos ir pegar analgésico para a dor! - pede gentil ao levantar. - Prometa que não levanta dai, ou eu vou me aborrecer, Anastacia! - reviro os olhos para essa atitude tão autoritária.

Mas ele nem nessa hora perde esse feitio de eu quero posso e mando?

Christian abandona a sala e fico observando tudo a meia luz do candeeiro de pé junto à cabeceira do sofá. Segundos depois logo aparece com um comprimido e água ao qual tomo da sua mão sem fazer grandes manifestos.

— Agora fique aqui enquanto vou na cozinha preparar o leite! - informa tomando o copo da minha mão.

— Mas você entende alguma coisa de cozinha? - a pergunta me sai automática e tapo a boca com a mão.

Ele dá meio sorriso para mim. Okay, isso o divertiu, pois Christian vem aproximando de mim lentamente até sentar na beira do sofá. Os meus olhos cruzam com os seus e fica uma troca de cinza no azul. Azul no cinza. As suas mãos circundando a cintura com delicadeza, o contato do seu corpo próximo do meu cria uma certa onda de calor intenso de me deixar ofegando com as nossas cabeças demasiado próximas, diria perigosamente próximas, agora que ele debruça sobre mim cuidadoso, como se eu fosse um corpo frágil que ao mínimo movimento possa quebrar.

Fico encarando os seus lábios de forma de como ele encara os meus e ele vem aproximando lentamente os tocando com suavidade. Fecho os olhos com a sensação suave do seu toque aveludado e começo cedendo ao beijo que inicia calmo com a sua boca se moldando lenta contra a minha parecendo duas crianças brincando. Ele começa abrindo uma passagem para deixar a sua língua entrar e logo sinto uma invasão quente no interior da minha boca, um revirar de cada cantinho. A sua língua bombeia numa procura incansável pela minha para se tocarem e envolverem de forma eloquente.

As minhas mãos sobem migratórias ao encontro do seu rosto para se infiltrarem entre os seus cabelos rebeldes. Christian me aperta um pouco mais contra seu corpo de forma protetora, um arquejo mínimo sai da minha boca, mas não é o suficiente para nos travar. A minha respiração se acelera, começando a ficar dificultosa devido à falta de entrada de oxigénio que sua boca teima em bloquear ao manter a minha selada. Quando o beijo cessa, abro os olhos lentamente e o ar entra em meus pulmões rasgando absolutamente louco. Christian sorri libertando lentamente as suas mãos da minha cintura e eu desço as minhas com vergonha sabendo que estou rubra, porque meu rosto queima. O meu corpo inteiro queima, não por somente dor, mas por desejo.

— Você precisa pegar o leite da April, lembra? - levo a mãos ao lábios na tentativa de os esconder, mas a verdade é que não sinto arrependimento do que acabou de acontecer, apesar do incidente desastroso, esse realmente dispenso lembrar.

Apresso a desviar atenção dele para que não perceba que o observo se afastar e fecho os olhos tentando regular essa respiração descompassada, porém ele volta atrás e só começa dificultando.

— Anastacia... - a sua voz sensual que mexe comigo. Mexe mais que alguma vez imaginei. - O que acabou de acontecer... - mas o interrompo.

— Está tudo bem. - tranquilizo com um sorriso bobo e levo a mão ao alto da cabeça desejando esconder em algum buraco.

Sozinha contorno os lábios com a ponta dos dedos e balanço a cabeça fechando os olhos por uns segundos ao relembrar o beijo. Ao me recompor nesse sofá ao qual faço um esforço sentando, as dores parecem não ser tão intensas como no primeiro impacto, mas ainda assim um pique de dor ou outro me faz reter um movimento. Christian logo surge com o copo de leite na sala e me faz cara feia ao me ver desobedecer a suas instruções anteriormente impostas.

— Devia continuar imóvel por mais umas horas, sabia?

— E quem vai dar leite para April? - questiono atrevida. Sou teimosa demais para sair vencida. - Vou levantar daqui e andar que você vai ver!

— Anastacia! - ele repreende usando tom autoritário novamente. - Nem ouse!

— Nem ouse você bancar a autoridade! Se digo que estou melhor, é porque estou!

— Não seja teimosa, mulher!

Ignoro os seus avisos e cantando até três mentalmente levanto com ambas as mãos apoiadas lado a lado ao meu corpo. É certo que me arrependo no mesmo segundo que me vejo de pé, porque meu corpo vacila e de novo Christian vem me salvando com a suas mãos apoiadas em minha cintura impedindo de cair redonda nesse chão.

— Se me desse mais ouvidos, iria perceber que é um erro se levantar! - reviro os olhos para o aviso dele. - Deixe que ajudo a ir para cima!
~*~

Acordo ao som do despertador, são 9:00 e dou quase dou um pulo da cama, mas o retenho ao sentir aquele ardor no baixo nível da coluna. Tudo isso me faz lembrar o que aconteceu na noite anterior, da queda, do beijo, da minha teimosia sem tamanho, do fato de ter sentido o contato dele sobre meu corpo mesmo que sem malícia, porque ele cuidou de mim, sem me olhar com aquele desejo perverso.

Em passo normal vou para o banho com energia para começar o meu dia. Não sei porquê de tanta boa vontade, só sei que a minha noite de sono fora bem tranquila que agora me sinto um pouco melhor, tirando esses focos de dor que são ocasionais, mas que tomando a dose certa de analgésico ficarão adormecidos e nem assim irão arruinar o meu dia.

Tomado o banho vou enrolada na toalha para o closet e escolho umas leggins de estampa pretas, uma regata de botões branca e umas botas de cano curto rasas e saio em direcção aos quartos dos pequenos para o despertar, pois mais um final de semana havia chegado e eles sempre dizem que querem começar o dia cedo. Theodore logo levanta com um entusiasmo formidável. Já quando chega a vez de April, a fico achando meio mole que o normal, não aquela típica garotinha que começa o dia aos pulos e bagunçando tudo procurando o que vestir só porque quer andar na moda infantil.

— O que se passa princesa? - pergunto passando a ponta dos dedos com ternura sobre a sua barriga. - Fala para mim...

— Dói a barriga... - forma um beicinho e semicerro lembrando dos chocolate que ela havia comido ontem, pois venho à dias achando umas cascas perdidas abaixo da cama.

— Essa dor de barriga por acaso não tem um nome? - franzo o olhar tentando parecer pensativa na sua frente. - Chocolate? - ela mostra uma careta e rio da sua gula. - Faremos assim, vou pedir para a Gail preparar um chá milagroso e você vai ficar melhor, sim? - ela assente e levanto deixando um beijo no alto da sua cabeça.

Pelo corredor balanço meio a cabeça para os lados, as minhas mãos mãos vão concentradas na região onde teima latejar e desço as escadas em passo concentrado e logo vejo pai e filho na mesa tomando café da manhã. Ambos cúmplices me olhando como se fosse alvo da sua cobiça.

— Cadê a April? - Theodore questiona barrando doce na sua torrada.

Christian me olha concentrado e aquele olhar sobre mim só me faz lembrar rapidamente do que aconteceu na noite anterior e do quanto apesar embaraçoso, foi ótimo e que continuo não sentindo arrependimento.

— Ela vai descer daqui a pouco, está mais demorada... - tento enrolá-los, pois se Christian ficar sabendo que a filha está com dor de barriga à conta de chocolate, é bem capaz de repreender a menina e já chega o que a pobrezinha está sentindo.

— Como você se sente? - a pergunta sai automática da sua boca e estreito os olhos, pois Theodore nos olha como se perdesse parte do filme. - Filho, Anastacia teve um acidente ontem e ajudei ela... - Christian se explica rapidamente ao dirigir o olhar o filho.

— É, e sim... me sinto um pouco melhor. Obrigado pela preocupação. - sorrio meio que não dando a mínima. - Vocês tem pressa? Me dêem 10 ou 15 minutos e descemos a duas para ir na pet shop?

— Não vai dar para ir já, preciso de passar primeiro na GEH. - tanto eu como Theodore o olhamos de imediato para ele. - Apareceu um assunto de última hora e preciso ir resolver e Anastacia a sessão de fotos para a campanha está agendada para segunda-feira às 10:00.

— Mas nunca mais falamos sobre isso e nem dei uma reposta definitiva?

— Por favor vá ou eu vou morrer nas mãos da minha vice-presidente, porque já disse que tinha uma pessoa para o lugar. - e começa a curvar os lábios num sorriso tímido.

Juro que queria matá-lo por antecipar uma resposta que nem sequer dei, melhor eu nunca mais pensei nesse assunto, mas respirando fundo penso nas crianças, no quanto andaram fazendo pressão para eu ajudar o pais deles. Afinal não os posso desiludir.

— Tudo bem, segunda então... - reviro os olhos.

~*~

Depois de tomar o chá, April começou a pelo menos reagir um pouco melhor, o banho é certo que também ajudou a fazê-la despertar um pouco mais e agora complicado era fazê-la parar quieta, ainda mais comigo não tão apta a malabarismos para acompanhá-la, pois Christian falou que logo chegaria e que nós 4 iríamos na tal pet shop adquirir ao novo membro da família Grey que como Theodore fala é um irmãozinho novo.

— Princesa você tem que sossegar ou o papai não vai pegar o Ollie para você! - aviso ao agachar na frente dela e arredar as mexas do seu rosto.

— Papai vai demorar muito? - pergunta meio que formando um bico lindo nos lábios tão delineados.

— Não e sabe porquê? - ela nega com um aceno de cabeça. - Porque você e eu vamos pedir muito para a fada madrinha para trazer ele de volta bem rapidinho, sim?

April começa dando pulos inocentes no chão e é tão bom vê-la assim. A inocência de uma criança é a coisa mais genuína que se pode ver. Então ela me oferece as suas mãos e as aperto contra as minhas. Ele fecha os olhos e eu acabo fazendo exatamente a mesma coisa e nem 5 minutos passam que já está alguém batendo na porta nos tirando dessa pequena fantasia.

— Tio Elliot!

A pequena corre para o adulto que assim que viro fico a encará-lo com espanto e ele a mim como se já me conhecesse. Apesar da sua cara não me ser estranha e acho que já o havia visto antes na lanchonete onde Kate trabalha, mas muito de relance. Não, será que ele é o tal cara que Kate andou balançada nessa últimas vezes?

Não, talvez não seja ele.

— Agora já entendi de onde vem tanto apresso... - comenta ele me olhando de alto a baixo. Odeio quando me fazem isso, é tão incomodo. - Você deve ser a... - o interrompo.

— Anastacia! Anastacia Steele!

April larga dos braços do tio e vem o puxando pela mão até mim. A verdade é que ele me olha de um jeito que me deixa incomodada, porque não gosto de olhares deslumbrados na minha pessoa e depois aposto que ele está tentando tirar diferenças lá com a falecida o que só me incomoda mais ainda.

— Anastacia esse é o tio Elliot, irmão do papai como a tia Mia... - apresenta a pequena toda sabida. - Tio Elliot essa é a nossa babá e se parece muito com a mamãe, mas não é ela, está bom? Então não faz confusão!

Rio discretamente do jeito de como April se apressa a explicar as coisas, em parte agradeço mentalmente por não ser confundida, acho que não ia suportar mais um trocadilho. Mas pensando bem, ainda vou ter alguns ao longo da vida até as pessoas se habituarem a mim.


Gostaram?
O que tem a dizer sobre essa aproximação de Anastacia e Christian? Sobre o fato dela ter tirá-lo dele do trabalho para fazer uma aparição junto aos filhos? Do fato dele cuidar de Anastacia?
E Elliot? O que acharam dessa surpresa matinal?
Até ao próximo capítulo, Lucy.

Comentários