Herança do Amor - Capítulo 21

Pov. Christian Grey

Não faço a menor ideia de que horas sejam, só sei que acabei adormecendo com Anastacia aqui ao meu lado tão solitária num sono profundo. Cubro o seu corpo com uma toalha e vou pegando a minha cueca box e calça do chão as vestindo, mas sempre de olhos postos na sua forma branda, pois continua perfeita ainda assim inocente. Uma parte de mim estava bem satisfeita por esse progresso, pois tem dias que não paro de sonhar com ela, com o dia em que tomaria Anastacia em meus braços, faria dela a mulher realizada, única e especialmente minha, mas a outra parte teme que depois de hoje ela me possa olhar de uma forma diferente, que me afaste por alguma arrependimento ou que venha me alertando de que nunca mais poderei tocá-la como tanto desejo. Sem dúvida isso mexe comigo, me deixa com medo, inseguro e temendo que rasgue uma nova ferida que estou curando continuamente.

Que tal não pensa nisso? incita a minha voz interior.

Eu mereço uma segunda chance. Mereço uma oportunidade para amar e ser amado. Amar uma mulher que me tire da escuridão todos dias e me faça ser homem de verdade. Que me faça acreditar que consigo ser um pai mais presente para os meus filhos. Que me faça vencer minhas dificuldades e enfrentar meus fantasmas de forma sóbria e sem medo, porque o álcool não é amigo para ninguém. Que me encoraje a seguir em frente esse caminho longo que tenho para trilhar e guardar de bom o que vivi lá no passado trancado em sete chaves. Que comigo levante quando sentir que vou cair, ou que fique ao meu lado quando sentir que não tenho mais forças para levantar.
Eu preciso dela, eu preciso mesmo de Anastacia.

Vestindo a camisa vou até à entrada e quando rodo a maçaneta, percebo que não está mais trancada. Vou correndo de volta para onde Anastacia está no intuito de acordá-la, pois assim poderíamos sair e regressar à mansão sem causar intriga ou perguntas desnecessárias. Balanço o seu corpo com cuidado e ela começa abrindo os seus lindos olhos lentamente ainda que sonolenta.
— Acorde, Anastacia...

— Meu Deus o que foi? Está tudo ardendo? - ela resmunga mesmo sexy e me arregala os olhos escondendo seu corpo na toalha por instinto. - Não me olha com esses olhos esbugalhados! - ela fica tão rubra.

Suas bochechas acendendo no vermelho que é verdadeiramente apaixonante. Uma tonalidade que realça a sua beleza feminina, se é que ainda é possível ser mais bela do que já.

— Não entendo porque ainda esconde, vi tudo isso... e se me permite seu corpo é uma dádiva de Deus!

— Eu lhe digo se é uma dádiva de Deus! - e me lança um travesseiro direto para o meu rosto.

— A porta está destrancada, podemos sair!

Ela mostra um sorriso formidável e levanta da cama feliz, mas assim que desce o olhar ao chão e encontra a calcinha desfeita, o seu sorriso luminoso se desfaz e me dá um tapa contundente no meu ombro.

Porra que ela tem mão pesada.

— Agora quero só ver como vou sair daqui, Christian! Ai que vergonha! - ela se enrola na toalha e anda de um lado para o outro impaciente.

Anastacia fica tão sexy com cara de preocupação.

— Suas leggins estão intactas e a regata também, só não tem sutiã e calcinha...

Ela bufa pegando esses trapos do chão e os atira para mim ao qual os pego cheirando meio safado. Quando volto os olhos a ela, Anastacia está de bunda para mim deixando a toalha do seu corpo escorregar para o chão e meu corpo todo reage a essa imagem ficando duro, tenso e com o meu membro vibrando dentro das minhas roupas inquieto, uma inquietação que não tem forma de cessar. Anastacia acaba se trocando e agora que vejo seu corpo moldado a essas roupas, não consigo não reparar no quanto sua bunda está mais delineada sem o revestimento da calcinha. Do quanto fica perfeitamente moldada, redonda e tesa.

Meu deus, os tapas que dava naquelas bochechas.

— Podemos ir ou vai virar o resto do tempo admirando minha bunda, hein?

— Oi? Quem está encarando a sua bunda?

Tento parecer despreocupando coçando a nuca ao caminhar lado a lado com ela. Abro a porta por gentileza e saio nessa escura madrugada, somente iluminada por pequenas luzes de presença e ao som de grilos cantarolando nas ervas escondidos. Guio Anastacia para as portas traseiras, para não sermos apanhados no pulo e depois pessoas podem fazer interpretações variadas do nosso sumiço. Isto se alguém continuar acordado a essa hora o que duvido, pois se bem conheço a minha família, já tudo deitou. No caso de Elliot capaz de ter caído numa balada só para variar. Mas meu irmão não é nada preocupante.

— Tenha uma boa noite, Christian! - fala já me dando as costas ao entrarmos pela cozinha totalmente arrumada e às escuras, somente banhada pela claridade da lua que entra sobre esses buracos da janela.

— Ei... e o meu beijo? - questiono atrevido.

— O quê? Você só pode estar a brincar comigo... estou sem calcinha e sutiã por sua causa e está reclamando beijo nesse horário? Há faça me o favor, Christian... - faço uma cara de gato das botas, apesar de só me faltarem as íris azuis, mas o cinza vale na boa intenção. - Não tem beijo coisa nenhuma! - de novo vira as costas para mim.

Olho para um lado, olho para o outro na tentativa de me certificar que estaríamos apenas eu e ela, a puxo de imediato ao qual desequilibra tombando em meus braços, mas ainda assim sorrio, porque agora tenho a desculpa perfeita para saborear essa boca tão carnuda, dançar com essa língua afiada e moldar esses lábios tão chamativos por "Christian me beija" .

A verdade é que acabo unindo a minha boca na sua, moldando cada vez melhor nela que parece agora oferecendo resistência que não prevalece mais que uns míseros segundos, pois logo os lábios de Anastacia cedem abrindo passagem para a minha língua que entra vitoriosa e pronta para envolver a sua de forma bem cativa e quente. Só sei que foi um beijo para durar uns 2 minutos, mas logo precisei desistir com um selinho, porque se continuasse sugando seus lábios com essa ferocidade intensa iria morrer sem oxigénio nesses pobres pulmões que estão gritantes em protesto de resistência cá dentro.

Anastacia se recompõe na minha frente e me olha de mão sobre o peito bem ofegante, na verdade estamos ambos a ofegar bem perdidos.

— Agora sim boa noite, Anastacia! - pisco um olho para ela divertido ao subir os degraus para o primeiro andar.

Batendo palmas entro dentro do meu antigo quarto e me atiro à cama como se tivesse feito a coisa mais sábia do mundo, porque querendo ou não admitir, estou feliz de novo, apesar de ter vezes que acho tudo estranho e absurdo e que talvez nem mereça tanta sorte assim. Não sei explicar o que é isso se passando comigo. Só sei que o meu coração pulsa bem forte, que os meus pulmões travam a respiração quando encontram aqueles par de olhos azuis, ou que descendo um pouco o olhar observo aquela boca carnuda sendo deferida por seus próprios dentes, que o meu sangue ferve queimando minhas veias a um simples toque seu, que meu corpo todo trai cedendo bruto aos impulsos sem comando dando a sensação de não ter mais acção sobre mim mesmo, que sinto uma necessidade louca de abrigá-la em meus braços quando estamos perto um do outro, que me sinto incapaz de respirar o mesmo ar e ser ignorado por sua presença, que necessito continuar a viver essa sensação incrível de fazer-me parecer um verdadeiro adolescente descobrindo o melhor dessa fraternidade.

~*~

Música alta soa junto aos meus ouvidos e acordo num pulo, porque odeio quando esse tipo de coisa acontece comigo, sendo que sempre gosto de ficar tranquilo, acordar nas calmas, porque sei que terei tempo de sobra para cuidar de tudo e depois hoje é domingo.
Por favor me deixem dormir, okay?

No entanto, o meu espanto é que ao abrir os olhos encontro Mia na minha frente de roupa de treino de quem chegou de uma corrida matinal, o celular tocando a sua playlist favorita com volume no máximo pelo que os meus ouvidos podem apurar.

— Bom dia dorminhoco! - ela vem com aquele sorriso amarelo de quem quer tirar uma lasquinha da sua partida do dia anterior. - Dormiu bem? Aposto que renovado e pronto para mais...!

— Foi você, não foi? Mia confesse ou eu juro que puxo você e a asfixio com o travesseiro!

Tento soar ameaçador, para ver se ela confessa, mas às vezes esqueço que estou lidando com Mia Grey que é não mais que uma smart em criar intriga e na hora da verdade fugir com o rabinho entre as pernas para o colo da nossa mãe. Ou não fosse ela a eterna garotinha da família Grey.

— Vou entender isso como dormi como um anjo, obrigado irmãzinha! - sorri toda animada e senta na beira da minha cama batendo a palma da mão sobre a coberta azul turquesa. - Sabe eu vim mais cedo aqui para chamá-lo... sei que adora correr, mas o escutei murmurando Ana... Anastacia... que desisti o deixando continuar a sonhar com a sua musa.

Estreito os olhos nela a querendo matar, pois não acredito que ela teve realmente atrevimento de entrar no meu quarto sem minha permissão e ainda por cima ficar escutando minhas conversas sem nexo do sonho. Que por sinal em contexto bem erótico, já que não tive o habitual pesadelo como é recorrente em outras ocasiões. Porém, desde que Anastacia apareceu em minha vida, parece que tudo levou um pequeno sumiço. Pequeno é certo, porque toda as vezes em que não se mantém "próxima" nessas noites, a minha cabeça me trai e me leva de volta para o fundo dos meus fantasmas e me fico debatendo uma madrugada fora para sobreviver aos pesadelos horríveis do meu passado que me fazem sentir um fraco, um merda e um filho da puta. O que não deixa de ser mentira, Ella era uma viciada prostituta. É, eu sei que é cruel, mas quando acordo e cedo encontro aquele anjo, tudo apaga na minha mente. É uma sensação de plenitude em minha vida.

— Vá para o inferno Mia!

— Há vai me dizer que não fiz um favor ao tê-lo deixado a sós com a babá! Ups! - leva as mãos aos lábios ao qual abro a boca num "O" largo com a sua confissão. - Não, não... a ideia não partiu de mim, que fique bem claro foi o Lelliot que apostou comigo que vocês... enfim... - enrola uma mexa negra do seu cabelo no dedo. - ficariam juntos, pronto falei.

— O Lelliot está nessa também? EU MATO VOCÊS DOIS!

— Mata não, irmãozinho... porque quero que você seja feliz e depois Anastacia apesar de ter aquela aparência semelhante a Olivia, é uma pessoa tão legal. Os seus filhos melhor de tudo a amam e você merece uma segunda chance, ela também merece. Pare de sacrificar sua felicidade!

— Mia não viaja tanto, porque nem eu sei como ela vai me olhar depois disso... - baixo a cabeça envergonhado temendo ser rejeitado por Anastacia.

Insegurança de novo? Depois de tudo o que aconteceu? Esse não é o Grey que eu conheço, afirma a minha voz interior.

— Fala sério Christian... - ela leva as mãos ao quadris ao levantar rapidamente da minha cama. - Está parecendo Maria Madalena querendo chorar no velório! - reviro os olhos. - Levanta dai! Vá tomar uma duche e se faça ao caminho, porque você tem muito para trilhar se quiser mesmo conquistar a babá dos seus filhos por completo, entendido?

— Mas... - ela interrompe puxando lençóis, cobertas, tudo de cima de mim.

— Na minha frente ou eu não me chamo Mia Grey e juro que corro na cozinha para pegar minhas facas, entendeu?

Não tenho saída, estou condenado.
~*~

Depois de uma duche quase que gelada, porque a minha irmã quase nem me deu tempo para um banho em condições, vou descendo com roupa arrumada para a sala. A mesa está praticamente vazia, afinal o relógio de pé avisa que passam das 11:00.

Ena Christian é a primeira vez que acorda tarde, debocha minha voz interior.

Dorotheya aparece e se espanta, pois sabe que nunca fui pessoa de ficar tempo demais venerando uma boa cama, a menos que fosse por doença e mesmo assim, creio que só amarrado é que permaneceria preso a ela.

— Vai desejar alguma coisa do que tomar, menino? - os seus olhos piscam em mim muito maternais.

Passem os anos que passarem, Dorotheya vai continuar me chamando de menino como se estivesse entrando por aquela porta principal pela mão de minha mãe.

— Um café bem forte e uma fatia daquele seu bolo, Dorotheya!

Ela sorri amável ao voltar para a cozinha e sento exasperado na cadeira encarando essa mesa familiar. Mas não por muito tempo, pois escuto passos de corrida e aposto que se contar até três que sei exatamente quem é que está chegando. 1... 2... 3... e viro a cabeça encontrando April com o chachorro latindo em suas mãos. Na verdade não é bem latido esse som que sai da boca dele, mas enfim.

— Filha o que falei sobre correr dentro de casa?

— Papai onde o senhor esteve ontem à noite? - pergunta batendo o pé como quem pede satisfação. - Anastacia também andou desaparecida, o senhor sabe onde ela esteve? Você esteve com ela?

Começo a coçar a nuca não sabendo bem para que lado me virar e juro que se tivesse uma gravata na volta do meu pescoço nesse momento seria o primeiro apertar o nó até faltar o oxigénio.

— Filha... - mas a minha voz falha quando começo a escutar a voz de Anastacia rompendo na sala como salvação.

— April? Ai está você! - ela surge com um macacão bem justo ao corpo que me faz estreitar o olhar como um verdadeiro estilista desenhando as curvas perfeitas da sua musa. - Está na hora de dar leite ao Ollie! - os seus olhos encontram os meus, mas por escassos segundos, pois vão logo desviando.
Oh não, Anastacia não faz isso. É torturante me sentir ignorado.

— Onde você esteve ontem que não dormiu comigo? Senti falta de escutar suas histórias e depois não tive quem pegasse o leitinho para dormir melhor... - April começa formando aquele bico pidão onde só faltam as lágrimas saírem triunfantes dos seus olhos.

Agora o alvo é Anastacia e confesso que sinto curiosidade em saber qual a resposta que ela irá dar para uma criança que só tem 6 anos.

— Eu fui pegar as toalhas no anexo e alguém me trancou no interior... - olha para mim ao qual sorrio em consentimento.

— É isso mesmo... - sublinho, mas April não parece muito convencida.

— Então vocês estiveram juntos? Toda a noite? - oscila os olhos de mim para Anastacia apertando mais o cachorro nos braços, mas já romper ali um sorriso nos lábios. - Então foram falar com a cegonha para pegar um irmãozinho para mim?

Desvio o olhar a Anastacia que me olha de igual modo e acabo engolindo em seco essas últimas palavras.

— Então? - a minha filha se mostra impaciente.

— Princesa, melhor eu levar o Ollie! - Anastacia tenta esquivar ao tirar o cachorro dos braços da minha filha.

April me encara de braços cruzados e começa batendo o pé freneticamente. Dorotheya surge com o café e bolo e a única coisa que se atravessa na minha mente é um modo de aliciar a minha pequena.

— Filha quer bolo? Aqui o papai oferece essa fatia para você. - empurro o pires para ela que não demonstra aquele entusiasmo guloso. - Não quer bolo?

— Quero um irmãozinho! Papai estou cansada de pedir!

— Já falei que terá que escrever carta para o papai noel trazer no natal como presente! - enrolo tomando um gole de café.

— Mas Teddy falou que papai noel não existe e quem deixa os presentes no pinheiro é o vovô Grey disfarçado!

Pouso a xícara no pires e encaro a minha filha com uma expressão dócil e estendendo a mão pego a sua na minha. Aperto os seus dedinhos pequenos nos meus grandes. Os seus olhos azuis mergulham nos meus cinza.

— Você quer mesmo um irmãozinho? - a cabeça da pequena balança positivo algumas vezes. - Então terá que prometer ao papai que irá portar muito bem na escola esse ano e depois logo tento contatar a cegonha, sim?

— Isso quer dizer que você e a Anastacia me vão dar uma irmãozinho para eu brincar?

— Quer dizer que você terá que esperar, só isso. - sorrio para ela que agora feliz devora a fatia de bolo com entusiasmo se lambuzando completamente nesse chocolate guloso.

~*~
 
12:30 e a casa parece praticamente diferente do dia anterior que era uma autêntica euforia por conta de ter a família totalmente reunida, mas domingo quer dizer que Elliot está dormindo até tarde da hora, minha mãe de banco na pediatria cuidando de alguma criança, meu pai no escritório respondendo a mais uns inquérito sobre outro caso importante, Mia dando um apoio a Dorotheya na cozinha com aqueles malabarismos loucos com as facas do qual quero distância e Anastacia bem na minha frente lendo um livro deitada na espreguiçadeira com um chapéu de palha na cabeça enquanto os meus filhos brincam no jardim felizes correndo atrás de Ollie.

Aproximo dela em passos sorrateiro e pouso a mão levemente no ombro. Ela dá um pulo fechando o livro abruptamente e me olha com os olhos cheios de cautela.

— Que susto! Tem noção de quantas pessoas morrem nesse mundo por um toque desses?

— Não faço a menor ideia! - coço a nuca sentando ao seu lado. - Você dormiu bem?

Os olhos de Anastacia sobem para se penetrar nos meus e lá está o cinza no azul. Azul no cinza de novo.

— Dormi sim, obrigado. - aperta o livro junto do colo ao qual com curiosidade o puxo para ver a capa. - É um romance, mas creio que não deve gostar... - mas a interrompo.

— Está brincando comigo? Eu adoro esse livro desde que saiu em primeira edição! - ela ficam absorta me olhando como se eu fosse um homem bem invulgar.

Será que um homem como eu, dono de uma empresa de grande porte não pode ter um lado romântico que gosta de ler? Ser um literário nato de clássicos? Ou romancista de alguns volumes mas intensos e eróticos da história? Okay, talvez possa parecer estranho e escola nunca foi muito o meu forte. Na verdade estudar sempre foi uma seca para mim, já que era garoto de captar lições de ouvido e me baldar às explicações de Toledo que sabia menos que eu, já que resolvia os exercícios melhor que ele que era uma catedrático a matemática.

— Sylvia Day é uma autora muito direta e gosto do jeito espontâneo de como ela escreve seus romances sem medo do preconceito por ousar afundar aquele lado erótico dos personagens e em certa parte as vezes me sinto nessa fantasia, não que eu seja um Gidien Cross, porque sou melhor... - tento me vangloriar.

— Convencido! - ela bate com o livro em mim. - Mas por acaso acho Gidien Cross um homem bem intenso e atraente na história... parece tão real... - ela morde o lábio inferior de um jeito que me faz segurar, por causa dos meus filhos, porque se não lhe mostraria quem é esse Cross perto de mim.

— Há é? - tento parecer indiferente, mas isso está me deixando com uma inveja desse personagem fictício.

Anastacia larga um sorriso que só falta gargalhar na minha cara e confesso que simplesmente deixo o meu sorriso desabrochar em solidariedade.

— Bom mudando de assunto... será que se importa se falarmos sobre o que aconteceu ontem?

Ela se indireita um pouco mais na espreguiçadeira e os seus dedos apertam o volume do livro começando ficando incolores. Uma parte de mim desejava saber da sua boca a real opinião, mas a outra temia que o inevitável fosse falado e confesso que me sinto em pânico se ela me quiser afastar. 
Não sei porque me sinto assim, não há qualquer tipo de explicação, pois a única coisa que sei é que vou lutar, lutar intensamente e desistir não é uma opção.

— Ontem foi... - a interrompo.

— Um erro é isso que vai falar? Porque eu senti que não foi isso que... - mas travo quando os seus olhos se mostram confusos e enrolo a língua fazendo uma careta.

Okay, estou a falar demais. Preciso deixar as pessoas se expressarem até ao fim.

— Eu ia dizer antes de você interromper que adorei a noite de ontem apesar das condições e me sinto atraída por você. - o meu coração palpita animado dentro da caixa torácica, a minha respiração festeja correndo em pulos pelas vias respiratórias, o sangue rola quente chegando a todas as extremadas esquentando e os meus neurónios comunicando entre si através das sinapses do cérebro. - No entanto acho que devemos ir com calma nos conhecer um pouco mais todos os dias, tirar partido de mais momentos em família, porque você tem progredido muito bem. - sorrio orgulhoso dessa mudança positiva em minha vida.

— Também me sinto atraído por você, Anastacia! E sinceramente não tem nada mais que deseje que aproveitar desses momentos para conseguir uma aproximação sincera. - ela larga os lábios num sorriso casto, só sei que queria beijá-la nesse momento, visto que estão ganhando a tonalidade vermelha. - Nós vamos conseguir, tenho a certeza.

Toco a sua mão com a ponta dos dedos e ela me olha com um sorriso de canto.

— A receita como meu pai dizia é a paciência para tudo dar certo! - pisca um olho para mim e num impulso deixo um beijo inocente nos seus lábios e rimos os dois.


Gostaram?
O que acharam dessas primeira impressão depois da noite mágica? Acham que Christian tem motivos para continuar ansioso? Ou deve abrandar a ansiedade e confiar mais no destino?
E o que ficaram achando dessa espontaneidade de Anastacia ao agir tão naturalmente pela manhã? April mimada querendo um irmãozinho? Algo me diz que essa pequena vai encher a paciência do papai até ganhar o que deseja.
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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