Herança do Amor - Capítulo 22
Pov. Anastacia Steele
Depois do almoço na casa
dos Grey, Christian precisava de voltar para o escala já que tinha
alguns assuntos pendentes para cuidar no escritório, no entanto April e
Theodore não pareciam muito dispostos a terminar a tarde de domingo
fechados em casa que foram logo iniciando um churrilho de argumentos ao
exigir ao pai para os levar na feira popular que havia aberto no inicio
desse mês.
— Por favor! - implora a
pequena juntando ambas as mãos pidona e com aquele olhar ternurento
complicado de ser negado por qualquer adulto de coração mole. -
Anastacia convence o papai, por favor! - agora atenção estavam todas
depositadas em mim, incluindo o par de cinzas de Christian que sorria
torto como se gostasse quando os seus filhos apelam a minha bondade para
abduzi-lo a algum plano familiar.
— Meninos, mas eu não
tenho qualquer poder de persuasão! - Theodore faz uma careta nada
contente ao cruzar os braços quase que disposto a usar a chantagem do
burro. - Okay, eu vou tentar!
Respiro fundo e encaro
Christian não havia tirado o olhar de cima de mim nem por um segundo e
isso começava a deixar meu pobre corpo em chamas, porque é fácil de se
deixar aliciar a determinadas sensações prazerosas e a verdade é que já
estou em plena combustão.
— Mas eu faço o dever de casa sempre que chego do colégio, papai! - responde Theodore.
— Nem ao domingo?
Ele estreita o olhar na
minha direcção como se eu estivesse a intrometer o meu nariz numa questão
pessoal, mas e dai? Sou espontânea, não posso mudar esse traço em mim
quando tem vezes que a minha boca é mais rápida que o meu cérebro conectar pensamentos coerentes.
— Infelizmente o mundo dos negócios nunca tem dia de descanso, Anastacia!
— Agora só falta dizer que você é tipo uma bolsa de valores sempre no ativo faça noite aqui ou dia no outro lado do mundo.
Christian encolhe os
ombros se indireitando na frente e começa dando instruções a Taylor que
por uns segundos havia esquecido da sua presença tão silenciosa dentro
do carro. April começa logo dando pulinhos no lugar, porque afinal o pai
ia ceder um pouco e isso realmente me alegrou. Pelo menos ele está
fazendo um esforço para deixar os filhos satisfeitos o que não é mau a
meu ver.
10 minutos depois,
Taylor para o carro numa vaga junto a um aglomerado de carros. Christian
sai e abre a porta para nós que saio atrás dos mais novos que parecem
absortos olhando para o céu, pois bem ali ao lado tem uma roda gigante
girando com pessoas acenando os braçinhos no ar e outras gritando numa
montanha russa mais no lado adjacente onde os cabelos esvoaçam à força
do vento. Uma coisa totalmente arrepiante e de dar medo.
— Papai a gente pode andar naquele? - April aponta o dedo para um carrinho que roda em torno de uma bailarina.
— Não vai sozinha! - ele avisa debruçando sobre o balcão para pagar a entrada.
Seguro a mão de April e a
faço esperar pelo pai. Theodore rejeita a minha mão alegando estar
crescido demais para ter que ser guiado por um adulto e rio, porque ele
realmente se parece tanto com um adulto em miniatura. Assim que
Christian pega os ingressos, a gente vai entrando e é um sonho ver
tantas pessoas andando de um lado para o outro rodeadas de crianças que
gritam eufóricas para usar os brinquedos ou porque querem pipoca que
cheira gostosa saindo da panela.
— Papai posso ir na casa
do Harry Potter? - Theodore atravessa na nossa frente juntando ambas as
mãos ao quadril e com a cabeça aponta para um casa assombrada com
aspecto muito surreal. - É o meu herói favorito e já vi os filmes, li os
livros... por favor!
— Essa coisa dá medo,
papai! - April se encolhe junto as minhas pernas e a acomodo mais a mim
em jeito de a proteger dos "vilões" fantasiados por sua cabeça inocente.
— Você é nova demais não entende nada... só quer ver desenho da barbie ou Cinderela que perde o sapato!
— Meninos! - repreende
Christian olhando sério para ambos e me encolho, porque ele está com
aquele olhar intimidador que dá realmente um medo absoluto. Lá se vai a
minha fantasia. - Se começarem a brigar daqui a pouco é que ninguém vai a
lugar algum! Estamos entendidos? - ambos baixam as cabeças submissos e
fico com dó.
Mas tem um fato de que
se um adulto cede demais aos caprichos dos mais novos, eles vão
simplesmente começar a dominar e depois complicado será controlar uma
situação como essa.
Então para fazer a
vontade a Theodore, Christian segue com o filho para a casa do Harry
Potter afim de irem fazer essa descoberta instigadora. Na verdade não
via Christian Grey entrando numa coisa como essa, mas a parece que até
as pessoas mais improváveis entram na sintonia se revelando verdadeiras
pérolas do oceano.
É, Christian está se saindo melhor do que alguma vez julguei.
— Você queria ir onde mesmo? - pergunto balançando os cabelos para sair desses pensamentos.
April que está com a
ponta dos dedos sobre os lábios, observa os brinquedos disponíveis para
experimentar e aponta para um carrossel com cavalos ao qual sorrio doce
para ela a guiando para lá e ajudá-la a subir. Ao nos instalarmos a
música que começa tocando é bem harmoniosa e um dos clássicos da disney,
o movimento acelera num sobe para cá e desce para lá. Ambas começamos a
dar gargalhadas desinibidas.
Na verdade toda uma
tarde começava a sair melhor do que o previsto, porque Christian
continuara a seguir atrás do filho para experimentar outros brinquedos,
incluindo a montanha russa que achei coisa perigosa demais e não me
atrevi a entrar na aventura, até porque a pequena April tem medo de
alturas que se pela. E a verdade é que amo terra firme abaixo dos meus
lindos pés.
— Quero algodão doce! -
pede ela fazendo um ar pidão, os seus olhinhos brilhando e a língua
passando o contorno os lábios como quem está salivando.
— Está bom!
Segurando sua mão a
guiando para o vendedor e ele lá começa aquele malabarismo todo para
criar uma bola gigante de algodão doce. E assim que o senhor entrega
para nós, April começa logo degustando desinibida, ficando mesmo com a
boca toda suja, porque o algodão se desfaz no contorno dos seus lábios,
os deixando altamente gulosos, bochechas pegajosas e doces. Uma
verdadeira iguaria para mordiscar sem parar.
Entretidas a saborear
esse algodão doce, a puxo para sentarmos num banco, pois meus pés já
estão latejando de andar tanto tempo de pé nessa terra batida que está
deixando as botas num estado lastimável. April parecia completamente nas
nuvens que nem dá a mínima para mim. Ao levantar os olhos começo a
procurar por Christian e Theodore, mas nem sinal deles. Okay, eles vão
demorar.
— Parece que o seu papai
não vai cumprir com as 3 horas hoje! - comento e a pequena sorri
sapeca, já tendo tudo planeado ao pormenor certamente. - Vocês dois
armaram direitinho, não foi?
— Sim, Teddy falou que era infalível!
— Então temos que dar os parabéns ao seu irmão! - concorda sorrindo.
~*~
Algodão doce já havia
desaparecido, agora era a hora de comer umas pipocas doces e quentinhas
acabadas de sair, enquanto assistíamos ao número de Christian o atirador
de dardos em balões, porque April e Theodore queriam ganhar aqueles
bonecos em exposição na parte superior da barraca.
— Vai papai, acerte! - grita April impaciente de mãos sobre os quadris parecendo uma chefia.
— Com força, papai! - apela Theodore instruindo como se fosse treinador de futebol.
Mais atrás levo outra
pipoca à boca e Christian só tem mais uma chance, porque falhou as duas
últimas ao acertar bem ao lado do alvo. Ele me lança um olhar e o
encorajo com um sorriso sincero. Os pequenos ao meu lado roubam pipocas e
assim que o pai acerta no alvo, jogo o balde para o ar e corro com eles
para junto de Christian que sai esmagado com o nosso triplo abraço de
urso.
— VENCEMOS! - gritamos todos juntos parecendo uma família de loucos.
— Aqui os prémios para
os vencedores! - fala o vendedor pegando um adereço para chegar no ponto
alto da barraca e pegar os bonecos de pelúcia. - Esse para a menina
linda e esse para o menino corajoso!
April logo aperta o seu novo brinquedo mostrando a sua felicidade ao mais alto nível, já o irmão ergue o seu e grita viva.
— Vou confessar uma
coisa para você, eu nunca joguei dardos em balões na minha vida. -
segreda Christian junto de mim e dou um tapa no seu ombro.
— Para estreante, nem
que se deu mal! - rio. - Leva jeito com a pontaria, sabe? Mas só ao fim
de três tentativas desastrosas, é claro! - ele que já estava mostrando
um sorriso glorioso, que o desfaz revirando os olhos.
— Eu por acaso falhei lá
naquele lugar? - ele leva as minhas palavras para o lado mais malicioso
e dou um tapa de novo, agora com mais força no seu ombro. - Puxa, mão
pesada!
— Mais respeito, porque é lindo e eu gosto! - finjo de chocada com a sua malícia.
A verdade é que estou
eufórica cá dentro. O meu corpo todo está ardendo em chamas com essas
palavras e se não fossem algumas circunstâncias eu lhe diria quem é a
corajosa que tem pontaria.
— Alguém aqui com fome? O
que me dizem de irmos comer na lanchonete de uma amiga minha? - sugiro
nem olhando para ele, porque sei que vou corar se nosso olhares se
cruzarem por um segundo que seja.
— Oba, eu tenho! - respondem ambos ao mesmo tempo.
— Então vamos para lá!
Dou uma palmada na bunda
de ambos e recebo outra na minha inesperada. Quando olho para trás
Christian está tentando disfarçar com o iPhone na mão assobiando.
~*~
Tal como o calculado
domingo é sinónimo de lanchonete quase vazia, então sempre é simples de
arrumar mesa. Ao entrar sou recebida por Arizona que sorri para mim
quase que amarelo, só que não entendo porquê desse sorriso tão largo,
mas é nesse instante que dou conta de que não sorria para mim, mas para
Christian Grey.
Oh merda, sério isso?
Nos sendo indicada uma
mesa junto à janela vou acomodando no fundo. Arizona se prontifica a
anotar nossos pedidos, mas sempre de olhar grudado em Christian que dá
dó, porque só falta escorrer baba da sua boca ou arrojar o decote para
ver se ele se atrai com os seus atributos sexuais.
— São dois happy Meal,
um bitoque para mim e para você Anastacia o que vai ser? - Christian
questiona me fazendo aterrar com o olhar fulminante nele que arqueia
ambas as sobrancelhas encarando meus traços com pormenor.
Há não! Nem vem com esse olhar de escultor que não vou dar razões.
— Pode ser uma salada de atum!
Arizona termina anotação
e roda nos próprios calcanhares voltando para o seu posto. Kate que
limpa o balcão me acena com um sorriso rasgado e arregalando os olhos
que imagino bem que esteja criando um filme bem erótico na sua cabeça.
Oh meu Deus alguém que pegue essa loira ou ela vai se tornar produtora de cinema porno.
— Um centavo por seus pensamentos? - a voz de Christian me faz dar um pulo no lugar e o olho de imediato.
— Oi?
— Você parece calada demais, alguma coisa errada?
— Nada, só que preciso ir cumprimentar a minha amiga! - levanto da mesa para ir até ao balcão.
Kate logo larga o pano e
me dirige toda atenção do mundo. Olhando uma ou outra vez por cima do
meu ombro para Christian e os seus filhos.
— Aquele é o tal bonitão
do seu chefe? Oh meu Deus, Steele salta em cima dele o quanto antes!
Pede um filho, porque terá sorte... olhe só aquelas crianças? Parecem
obra divina...
— Kavanagh não viaja! -
repreendo dando um tapa na mão de Kate. - E não olha assim, ele pode
perceber que estamos falando dele e depois... - ela interrompe.
— E depois dá uns pegas
em você, aproveite ou está querendo ficar virgem depois de meses? Por
favor, limpe essas teias de aranha, amiga!
— Quem disse que tenho teias de aranha??? - a minha voz sai esganiçada demais e tapo a boca olhando rubra para os lados.
Ai que vergonha agora
está todo mundo me olhando. Fico só com vontade de matar a minha amiga,
porque ela tem cada coisa para falar em determinados momentos que me
fazem desejar cair num buraco.
— Nossa olha só quem acabou de entrar para matar? - Kate debruça sobre o balcão quase babando.
Olho por cima do ombro
curiosa e encontro um homem de cabelo loiro mexendo nos cabelos meio de
lado, vestindo uns jeans surrados, camisa xadrez vermelha e preta. Ele
vai virando lentamente o corpo para a direção do balcão, andando ao
estilo bad boy e elevando um pouco mais o olhar percebo que se trata de
Elliot Grey.
— ELLIOT? - a minha voz sai quase que gritante.
— Você conhece ele?
— Óbvio, é irmão do meu chefe! - informo ao me virar para Kate que deixa cair uma garrafa no chão. - Kavanagh?
Gostaram?
O que acharam dessa
tarde familiar, hein? Acham que Christian está se portando direitinho
com os filhos? Merece pontos de consideração? E essa presença inesperada
de Elliot na lanchonete? Acham que Kate tem chance com esse lindo
rapaz?♥
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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