Herança do Amor - Capítulo 26
Pov. Anastacia Steele
Uma claridade invade o
meu rosto fazendo esfregar os olhos e abri-los para encarar o amanhecer
de um novo dia. Mexendo um pouco na cama, vejo sozinha nesse conforto.
Tento voltar a pegar no sono, mas o ranger da porta me faz virar para o
lado e vejo Christian saindo de calça pijama do banheiro. Os meus olhos
arregalam cheios de questões para o que estaria fazendo a essa hora em
meu quarto, quando achei que teria regressado ao seu, para que os filhos
não o encontrassem ao sair daqui.
— O que ainda está fazendo no meu quarto? Não devia estar aqui, eles podem achar você...
Ele aproxima da cama
sentando na minha beira. Os seus olhos encarando os meus como quem busca
respostas para perguntas silenciosas.
— Para quê preocupar?
Eles vão entender, aliás April irá delirar. - ele ri e reviro os olhos
me sentindo a mais racional dos dois. - Anastacia... - chama por mim ao
juntar sua mão na minha. - Em relação a ontem, quero dizer que você não
precisa ser forçada a me contar o que aconteceu no seu passado...
compreendo se não quiser se abrir, mas também lhe peço para que não
tenha medo ou me julgue. - os meus olhos continuam concentrados no seu
discurso tão assertivo e delineado na escolha de suas palavras. - Não sei
se sabe, mas também tive um passado ruim, fodido na verdade...
— Eu sei, Gail me contou por alto... - sussurro num fio de voz quase inaudível.
— Também julguei que as
pessoas iriam olhar para mim de lado, só porque não tive uma infância
normal como qualquer outra criança, que seria alvo de desprezo ou
descriminação, por ter sido filho de uma prostituta negligente que só
tinha vocação para a venda do seu próprio corpo afim de sustentar o
vício das drogas.
Os meus olhos se
arregalam em horror ao tentar imaginar um pequeno garotinho magro e sem
amor se abrigando num cantinho para se refugiar do desprezo maternal. Só
de pensar nisso começa logo me doendo o peito e a alma, porque crianças
por mais indesejadas que sejam, não devem pagar pelos erros cruéis dos
adultos. Pelo contrário merecem todo o respeito e dedicação. Não a dor agonizante, não o sofrimento insuportável que nos faz desejar a morte.
Agora as palavras de
Gail começam a fazer sentido e realmente começo a perceber o porquê dela
ter falado que Christian tinha um passado complicado e coisas ruins
haviam acontecido com ele.
Nossa se eu tivesse feito essas conexões antes...
Só que o que ela nunca
comentou foi quais as razões, nem quem o havia machucado a ponto de ser
uma criança tão diferente e solitária ou seriam os verdadeiros motivos
para os pesadelos agonizantes que protagonizei uma noite ou outra, mas
que temi tocá-lo por não saber de que modo ele podia simplesmente
reagir.
— Não fazia a menor ideia... julguei que o haviam abandonado!
Ele começa a gargalhar
cheio de ironia, chega a ser uma atitude bem sarcástica da sua parte,
mas o passado de alguém por vezes nos muda. O meu no caso me mudou
demais e é por ele que me sinto uma pessoa vazia por vezes. Que me fecho
na bolha por temer julgamentos de alguém que não sabe o que é ser
vítima de abuso sexual em criança. De alguém que em sua pura inocência é
abduzido a fazer coisas que em sã consciência adulto algum permite. Mas
eu só tinha 10 anos, era uma garota em descobertas. Uma garotinha que
não via malícia num homem que simpático oferecendo chocolates a troco de
uma brincadeira divertida.
FlashBack on
O papai ao fim de
muita insistência deixou eu ir brincar no parque com a minha amiga
Julie. Ambas estávamos pulando alegres e felizes por ir usar os novos
brinquedos e podíamos ir sozinhas já que era mesmo ao lado de casa dela.
Não havia quase
ninguém, só uns dois ou três meninos usando um escorrega em caracol.
Julie me convenceu a ir usar o balanço e confesso que adorei a ideia,
pois nunca andei num sem ser com o meu pai, sempre me empurrando, porque
gosto de quando ele me oferece o balanço necessário para chegar mais
próximas das estrelas literalmente. Me faz sentir a voar igual um
passarinho branco que sempre pousa no peitoril da janela do quarto.
— Vou usar esse aqui! - informa ela correndo em cima das suas sandálias rosa da barbie.
— Está bom eu vou
usar aquele ali. - digo ao afastar dela para um balanço mais escondido
por conta dos longos e largos abetos que causam sombra.
Ao sentar no balanço
começo cantarolando uma música de um filme disney e vou e venho
lentamente sentindo o vento bater contra o meu rosto levemente.
Semicerro os olhos e quando os abro encontro um adulto de sorriso largo
me encarando. Travo os pés na grama molhada e o olho com instinto
curioso.
— Olá minha linda! -
ele fala para mim e pisco os olhos confusa olhando algumas vezes para
os lados e arredo pé reticente formando uma ligeira depressão na grama. -
Não tenha medo, tenho um presente para você.
Aliciada por suas
palavras vou até ao estranho homem, apesar do papai sempre avisar que
não devo falar com estranhos e que devo ficar longe o quanto possível.
Então travo a uns metros dele que me olha intrigado alçando a mão com
chocolates que são a minha perdição.
Eu amo chocolate.
— Quer um chocolate, quer? - pergunta ao agachar um pouco na minha frente. - Vem e eu dou para você se for uma boa menina.
— Papai falou que
não devo falar com estranhos! - digo mexendo o pé inocentemente enquanto
aperto as mãos junto ao quadril tentando mostrar a pouca firmeza que
existe dentro de mim.
— Mas eu não sou um
estranho pequena. Eu quero ser seu amigo! - as palavras dele me abduzem a
aceitar sem malícia e aproximo na boa intenção.
O homem me entrega
um chocolate para mim e viro de costas o abrindo com entusiasmo para
comer, mas quando estou prestes a levá-lo à boca, ele me segura na
cintura com força, me erguendo do chão ao qual começo esperneando os pés
assustada. Fico confusa com tal atitude, olho para os lados procurando a
minha amiga Julie, mas a continuo sem a ver e ele continuamente me
afasta.
— O que o senhor quer? - pergunto tentando rebater um pouco.
Tenho medo do escuro
e ele está me magoando ao me prender desse jeito grosseiro em seus
braços, as suas mãos me apertam demais, pois meu corpo acusa dor, uma
dor crescente que se torna insuportável lentamente.
— Brincar com você, pequena. Só nós dois!
O meu sorriso
alarga, pois sou uma traquinas que adora brincar e logo esqueço aquele
incomodo. Só que no momento em que pousa no chão e ao agacha na minha
frente e começa elevando as suas mãos por baixo do meu vestido é que
começo a ficar intrigada, o olhando com minhas safiras em plena
curiosidade. Pois é uma brincadeira que desconheço e papai nunca a
praticou comigo.
O estranho homem
sorri para mim, mas de um jeito esquisito. Ele desce a minha calcinha e
toca com ponta dos dedos na minha intimidade me deixando com um sensação
estranha e diferente. Algo inovador, uma coisa de criar borboletas
esvoaçando na barriga.
— Você tem que
prometer não vai falar para ninguém o que brincou comigo, sim? - assinto
que sim com a cabeça na inocência apesar de achar estranho isso.
Ele abre os botões
da sua calça e fico muito corada vendo o "pipi" do homem quando nunca vi
o do meu papai e me segura para junto dele me obrigando a ficar de
frente, olhos nos olhos e a sensação seguinte é de um rasgo absurdo que
só queria gritar porque essa brincadeira está machucando muito. Mas ele
abafa os meus gritos tapando a minha boca com sua mão grandiosa e me
continua rasgando continuamente até as lágrimas saltarem dos olhos
copiosas sem parar.
FlashBack off
Sem nem mesmo calcular,
já as minhas lágrimas caiem do meu rosto com essa lembrança dolorosa que
me acompanha todos os dias da minha vida, do mesmo modo de que nunca
contei para ninguém, aliás somente para Kate sobre o que aconteceu
comigo, melhor do que continuo acontecer todos os dias até eu finalmente
abrir a boca para o meu pai e ele agir, apesar de ter imensas vezes que
insistia em ignorar ao alegar que tudo não passava de chamadas de
atenção da minha parte. José nunca soube desse lado negro da minha vida,
senti vergonha demais em confessar que um homem havia abusado de mim, abusado da minha inocência, só porque fui burra achando aquilo nem um
pouco malicioso ou perverso da parte de um homem que era maldoso e que
arruinou todas as fantasias que ao longo da minha infância fui criando
em minha cabeça.
E agora ter Christian na
minha frente me contando do seu passado, lembrar do quanto implorou a
noite passada por saber o que havia acontecido comigo me deixa em
pânico. Eu não sei o que as pessoas pensam, não sei de que modo vão me
olhar ao descobrir essa verdade nua e crua da minha infância. Talvez ele
me odeie por isso, me ache uma má influência para os seus filhos e me
queira longe, longe de todos. Agora não sei se serei suficientemente
capaz de suportar o desprezo, a ausência desse carinho que ao longo de
meses consegui culminar com as crianças. Viver longe do conforto dos
braços de Christian, longe dos seus beijos que almejam calor em meu
coração quase congelado, o obrigando a pulsar mais rápido que nunca.
Para de se julgar pelo que houve com você, ordena a minha voz interior.
— Anastacia? - a voz de
Christian me faz romper de um transe de pensamentos e elevo os olhos,
ele secando as lágrimas com o dorso da mão. - Eu sofri demais na mão do
cafetão da minha mãe, julguei que iria morrer, mas quem acabou morrendo
foi ela de overdose... quer dizer... hoje sei que foi de overdose, mas
naquela altura julguei que ela estivesse dormindo, que fosse cansaço...
essa inocência de criança. - ele balança a cabeça ao passar as mãos
sobre os cabelos rebeldes.
— Eu sinto muito...
— Está tudo bem, já
superei grande parte desses episódios. - traço um sorriso simbólico nos
lábios. -
Isto só para dizer que independentemente do que aconteceu com
você, não faça com que isso a prive de alguma coisa, não julgue ninguém
por não saber o que você passou... não o digo para que se sinta obrigada
a me contar, que como é óbvio não vou forçá-la, mas ficarei muito feliz
se algum dia quiser partilhar essa dor comigo.
— Obrigado.
Agradeço tocando suas
mãos com a ponta dos meus dedos e aproximo a minha nuca da sua a unindo
pelo topo de nossas cabeças, onde fecho os olhos por uns segundos, mas
que vou desgraduando para que nossas bocas se encontrem de novo, para que
elas se moldem lentas e cativas de si mesmas. Christian abre caminho
com os seus lábios moldados nos meus, a minha boca se deixa invadir por
sua língua exercitada e ela entra contaminando todos os cantos frios e
desprotegidos da minha boca dando calor e harmonia. Ambas se envolvem
quentes, ativas e bem sensuais nesse contato de corpo a corpo.
As suas mãos também me
envolvem protegendo em seus braços como se fosse um criança necessitando
de um abrigo, de um consolo adulto. Circundo os braços na volta do seu
pescoço e me deixo unir mais a ele, me puxando continuamente para o seu
corpo que almeja calor e excitação boa. Meu peito se une ao seu e ambos
batem um contra o outro frenéticos, porque nossos corações pedem por
isso, pedem contato, pedem amor.
Ele solta os meus
lábios, os descendo como trilha por meu rosto, até ao pescoço e
continuamente num rastro de beijos molhados que arrepiam toda a pele que
pulsa quente, que rasga querendo esse toque. O meu sangue queima nas
veias, o ar que respiro parece irrespirável e não consigo parar de
ofegar ou sequer gemer.
Christian entra com as
mãos sobre a minha pele, subindo a bainha do pijama de seda por minhas
laterais, gemo baixo revirando os olhos algumas vezes com essa sensação
tão suave, tão desfrutante. O meu corpo todo reage, responde com
espasmos loucos, estou me sentindo cada vez mais próxima de um orgasmo. A
minha intimidade está húmida, ele provoca esse efeito rapidamente em
mim com simples toques, ou um encostar de lábios que faz delirar, porque
nada entre nós é cénico, é tudo natural e espontâneo o que torna tudo
quase como uma primeira vez.
Desenlaço os meus braços
da volta do seu pescoço e eu mesma retiro a camisola pela cabeça
ficando nua da cintura para cima, porque não durmo de sutiã nunca. Os
seus olhos encaram os meus seios que empino provocadora na sua frente,
porque desejo que Christian os tome em sua boca, que faça deles o que
quiser. Aliás eu quero que ele faça o que quiser do meu corpo, porque
nele posso confiar, não tenho medo, porque ele jamais irá me machucar.
— Me satisfaz! - imploro
deferindo os lábios ao me deitar para trás e embater a cabeça
suavemente contra o travesseiro e encarar o seu rosto com essa meia luz
dos raios de sol que infiltram por meu quarto.
Ele sorri de canto e se
debruça sobre meu corpo, ficando entre minhas pernas roçando sua erecção
contra o meu quadril enquanto desce e sobe a sua língua instigadora ali
no vale dos seios como um ensaio prematuro. Arfo um pouco de ar, reviro
não sei quantas vezes os olhos com a essa sensação arrepiante, só sei
que estou fincando as unhas nos lençóis procurando um ponto de
satisfação.
Christian corre continuamente a língua sobre o meu seio, até
tocando no mamilo o chupar com ferocidade, provocando um arquear do meu
corpo abaixo do seu. Os seus dentes mordiscam, puxam e fazem com que o
meu mamilo fique somente mais extensível e duro. Dali migra para o outro
e repete todo o procedimento, de novo outro puxão abaixo do umbigo,
outra sensação de que estou gozando.
— Tão deliciosa... -
sussurra entre dentes descendo os beijos pela minha barriga sarada. -
Tão absolutamente quente... - e para ali entre a bainha da calça de
pijama que enlaçando as mãos sobre as laterais começa as correndo para
baixo. - isso, eleve a bunda só um pouco mais... - ordena gentilmente ao
mostrar o seu sorriso maravilhoso.
Sinto meu corpo ficar
nú, sem calça, sem calcinha, somente cativa de Christian Grey que desce
sem parar esses beijos na minha pele que não para de latejar desejo,
excitação e um continuo ciclo de orgasmos. Acho que perdi a conta a
quantidade de quantos acabei de ter.
A sua língua começa
passando na zona labial do meu sexo, ficando entre os lábios do clitóris
estimulando uma penetração que enriquece meu corpo, me faz contrair
involuntariamente à presença desse contato estranho e invasor, mas que
tudo não passa de prazer e excitação que faz todo o interior dançar numa
festa autêntica de libertação, onde o sangue pulsa com maior fugacidade
chegando a todas as veias lançando esse traço de cor em minha pele
pálida, onde meus pulmões oxigenam eufóricos distribuindo esse ar por
minha corrente e que meu cérebro comanda ordens para responder a certos e
determinados estímulos naturais.
— Não tortura.... - sussurro me sentindo em chamas, minhas bochechas rubras no vermelho.
Estou numa combustão
impossível de controlar que não sei se aguento muito mais tempo vivendo
privada do que esse corpo realmente deseja.
— Geme... - ordena ao
acariciar a minha intimidade com a sua língua seguida de dois dedos que
afundam no canal me fazendo gemer que nem uma louca. - Isso, geme o meu
nome... - ordena de novo contornando a entrada com a língua volátil.
— Oh Christian... -
aprofundo mais a cabeça no travesseiro, é como se ele pudesse me
proteger desse fogo que arde continuamente dentro do meu corpo que está facilmente contaminado pela chama que queima e dói, mas não é uma dor
insuportável.
As minhas pernas se
arqueiam mais entre ele, os meus músculos apostos em estado de alerta se
contraindo em fila, as minhas veias latejando o sangue que corre
furioso para chegar rápido a todos os cantos abastecedor, o meu coração
batendo desenfreado e sem orientação me levando para o abismo, a minha
respiração errática porque o oxigénio é insuficiente para oxigenar nessa
troca interna. E ele afunda o seu membro em mim sem que esteja a
espera, indo forte e feio no interior ao qual me sinto apertar, a querer
mantê-lo refém dentro de mim, porque é a melhor sensação do mundo. É a
sensação de que enquanto ele estiver preso a mim serei só eu e ele. Que
ninguém irá aproximar de nós a ponto de nos machucar.
— Sua boceta aperta
tanto, oh Anastacia! Maravilha! - urra ele que abrindo os meus olhos o
encaro tão corado de excitação erguendo ambas as minhas pernas em suas
mãos lado a lado ao seu corpo que vai e vem dentro de mim intensamente.
— Me faça sua... - mordo
os lábios me sentindo a chegar num outro orgasmo e faço a dançinha do
rebola que sei que sempre resulta e além de dar prazer a nós mulheres,
oferece igualmente aos homens.
Então enquanto ele vai
estocando como se não houvesse amanhã revido rebolando em seu membro que o
faz urrar mais, continuamente urrar meu nome que me deixa numa pura
satisfação. O meu corpo espasma parecendo não aguentar mais. Contrai
completamente e levo as mãos de encontro dos meus mamilos os estimulando
igualmente com ele que vai e vem me afundando cada vez mais, me
rasgando com uma sensação de preenchimento absolutamente intenso.
Quando ambos atingimos
nosso ápice, ele se molda a mim me beijando com volúpia e retribuo
rebolando para cima do seu corpo ganhando assim o merecido comando.
Cubro o seu rosto com os meus cabelos desgrenhados e selo meus lábios
nos seus, os sugando para mim com ferocidade, com aquela necessidade
urgente de beber da sua droga para poder continuar a persistir nessa
vida que sem ele perde qualquer sentido.
— Oh Anastacia... - ele sussurra com dificuldade em minha boca. - Oh minha deusa... - mas alguém bate na porta.
— Christian se esconde! -
ordeno baixo o empurrando para fora da cama. - No banheiro! - ordeno ao
apontar o dedo bem desesperada.
Ele pula da cama andando
nú para o banheiro, mas vejo as calças dele e a a cueca box no chão. Me
beiro na cama e as lanço para ele. Puxo os lençóis para fingir que
estaria dormindo antes de qualquer interrupção e tento vestir
rapidamente a camisola do pijama.
— Já vai! - respondo pulando para o chão e puxar as calças ao qual visto do avesso mesmo não ligando para esse detalhe.
Aproximo da porta e a
destranco, não lembrando sequer de o ter feito, mas talvez fosse
Christian o prudente. April logo adentra com uns olhinhos de sono
arrastando o seu urso de pelúcia sempre pelo chão.
— Bom dia princesa, está
cedo para andar acordada... - digo ao agachar à sua altura e roçar o
polegar na bochecha rosada e deixar um beijo casto.
— Hoje é dia do pai!
Quero fazer uma surpresa, você me ajuda? - engulo em seco e lembro que
Christian estava nesse exacto momento fechado no banheiro. - Vamos lá em
baixo acordá-lo! - os olhinhos dela brilham cheios de esperança. - Quero
deixar um desenho para ele.
— Ele já saiu para
trabalha! - sem pensar essa é a ideia que me ocorre, apesar de não ser
nada boa ideia mentir para uma criança.
A pequena arqueia ambas
as sobrancelhas desconfiada e forma um bico memorável nos lábios, cruza
os braços com o urso ali bem apertadinho e bate o pé impaciente no chão
como se analisasse algum movimento em falso da minha parte.
— Como você sabe se estava dormindo?
— Então... - coço a nuca
olhando para os lados e volto de novo a olhá-la. - Eu já fui lá em
baixo hoje cedo e vi seu papai sair, ele falou que tinha muitos assuntos
pendentes e que precisava ir cedo para empresa. - falo um pouco mais
alto, para que Christian escute.
— A gente tem que fazer
alguma coisa! - April afirma parecendo pensativa. - Você vai ajudar a
gente a convencer o papai em fazer umas férias? Não vai?
— Férias? - pisco os
olhos. - Claro... mas agora que tal a gente ir no seu quarto preparar a
roupa, hein? O dia está só começando e você precisa de ir para o colégio
e o que acontece se você se atrasar?
— Papai briga com a gente!
— Isso... - sorrio.
Me recompondo de pé dou
palmadinhas amorosas na bunda de April ao sair com ela do quarto, para
desse modo dar caminho livre a Christian em sair do esconderijo ou ele
iria ficar pior que barata se ficar trancado por muito mais tempo.
Ao entrar no quarto,
April corre até ao alto da sua escrivaninha e alça uma folha em tamanho
A3 com desenho de um pai com os filhos. Sorrio amorosa ao analisar e
devolvo passando a mão no alto da sua cabeça.
— Ele vai adorar! - ela
sorri mostrando os dentes de leite e começa a pular alegremente no chão.
- Chega, chega... - peço ao vê-la subir para cima da cama e começar a
pular ali mesmo como se a cama fosse um trampolim.
— Salte comigo! Salte Anastacia! - pede ela não parando de pular em cima da cama feliz da vida.
— Não traquinas, a gente tem que se arrumar ou já esqueceu o combinado?
— Você é chata! - afirma em risos e finjo de má chegando nela para enchê-la de cócegas boas.
Gostaram?
O que tem a dizer
sobre essa atitude de Christian? Ele acabou sendo revelador né? Aqui um
voto de confiança do nosso Grey, hein?
E esse flashback de Ana? Alguém tem alguma coisa a dizer?
Melhor, sobre essa corrida matinal? Hein, foi por pouco que ambos quase foram pegos, né? April é danadinha, né?
Até ao próximo capítulo, Lucy.

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